A Jerusalém que eu vi

Começando de trás para a frente. Indo para o aeroporto Ben Gurion, admirada com o GPS ou coisa parecida do carro, que me conduzia, e avisava a necessidade de troca de faixa, devido ao serviço de recapeamento ao longo da estrada, me deparo com uma cena inusitada.

Um carro parado no acostamento, em meio a um fluxo de carros em alta velocidade. A minha primeira impressão era de que o veículo estava enguiçado. Mas, de repente, vi, próximo ao carro, um senhor de barba rezando, virado para Jerusalém, com o seu talit, tefilin e sidur na mão. Eram quase 11 horas da manhã e ele, naturalmente, não queria perder o Shacharit.

Assim é Jerusalém. Ao final das cerimônias do Yom Hazicaron no Kotel e de Yom Hatzmaut, no Monte Herzl, uma multidão de homens jovens e idosos, sem nenhum aviso ou ordem, se reunem para rezarem o Maariv. Essa presença religiosa judaica, que se respira em Jerusalém, invade as suas ruas, através, da presença de mulheres, com os mais diferentes adornos na cabeça, carregando os seus filhos pequenos em torno de um menor ainda, que ocupa um carrinho. Os homens, com o seu guarda roupa ortodoxo, carregam só as suas malas e olhe lá.

Nos grandes hotéis, em Erev Shabat, as famílias religiosas, de mais posse, naturalmente, vão chegando e ocupando os apartamentos e as crianças, todas muito bem vestidas, tomam posse do lobby e das demais dependências possíveis. Na hora do jantar, todos se reúnem disciplinadamente, em torno das mesas e escuta-se quase um kidush coletivo.

Em meio a um sem fim de Yeshivot e Midrachot, de todas as 12 tribos, surge como única a Universidade de Jerusalém, que concentra um sem número de pesquisadores, reconhecidos, em seus campos de estudo, como um dos melhores do mundo. Ao seu lado, o Museu de Israel, que guarda entre as suas preciosidades os “Manuscritos do Mar Morto”.

Vi o Kotel Hamaaravi resplandecente sob a luz do sol e a da lua. De tarde pedi e de noite agradeci. Mais uma vez, achei espaço para colocar entre suas pedras sagradas os nomes mais sagrados, que dão sentido à minha vida.

Vi a Jerusalém provinciana da rua Ben Yehuda, com suas lojinhas e casas de suco, que se esqueceram de evoluir. Vi a Jerusalém cosmopolita do complexo Mamilla, que teria lugar de destaque em qualquer grande metrópole do mundo.

Circulei em taxis, que usam o taxímetro como adorno, em um trânsito caótico, com guardas nervosos. Andei no seu VLT, entupido de gente de todas as cores e credos, que não respeita a ordem de deixar as pessoas saírem primeiro, antes de entrarem. Mesmo com todo aperto, não vi ninguém gritar por sua carteira ou seu celular.

Como avó brasileira, me admirei em ver crianças, em seus seis ou sete anos, caminhando sozinhas com suas mochilas para a escola.

Passei pelo susto de ter que recuar uns 50 metros na estação central de ônibus, por que uma mochila abandonada foi achada. Foram 30 minutos tensos para mim e para todo o povo, que entupia as plataformas, duas horas antes do Shabat. Com a autorização de embarque dada, um verdadeiro estouro da boiada. Notei que ninguém, como eu, estava preocupado com a possível bomba, mas com o horário da chegada em casa.

Vi a Jerusalém oficial comparecendo nas grandes cerimônias da Shoá, do Yom Hazicaron e Yom Haatzmaut. Percebi uma admiração maior pelo presidente do Estado, do que pelo primeiro ministro. O prefeito de Jerusalém foi também muito aplaudido.

Fiquei admirada com a logística impecável nos grandes eventos. Por exemplo, no dia em que o país homenageia os seus soldados, ao chegar no cemitério do Monte Herzl, os meninos e meninas do Ichud Habonim, em seus uniformes, distribuem flores e velas para cada pessoa, que vai visitar os seus parentes heróis. Outros rapazes e moças circulam com cadeiras de rodas, se oferecendo para conduzirem quem precisa. Em todas as alas do Monte, garrafas de água são distribuídas, para amenizarem a tensão e o calor. Tudo na maior ordem.

Sobre o Yad Vashem, a razão dessa minha estada abençoada em Jerusalém, deixo para a próxima. Fico, no momento, com a visão magnífica da região de Montefiori e seu moinho, uma das últimas paisagens de Jerusalém, que eu vi.

2 Comentários

  1. Suzana Grinspan
    Suzana Grinspan 9 de maio de 2017 at 14:05 |

    SARITA,COM SUA NARRATIVA VC NOS LEVOU À JERUSALEM !!!!!PARABENS!!!! AM ISRAEL CHAI!!

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  2. Miriam Szydlow
    Miriam Szydlow 19 de junho de 2017 at 20:19 |

    SARITA, suas narrativas são admiráveis, concordo com Suzana, em tudo e por tudo, para mim, em dobro, eu estava em Israel nessa mesma ocasião, mas, não pude ir a Jerusalém. Assisti como você as três ocasiões mais importantes e comoventes do País
    ocasiões que muito me emocionaram…!
    Algumas ao vivo, outras, não foi possível ….
    E, AM ISRAEL CHAI ! ! !
    SEMPRE ! ! !

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