A mulher mais importante na história da Matemática

Amalie Emmy Noether nasceu em 23 de março de 1882 em Erlangen, reino da Baviera, Alemanha, em uma família judia. Era a primeira de quatro filhos. Seu pai, Max Noether, era matemático e descendente de uma família de mercadores de lã. Aos 14 anos Max ficou paralisado devido à pólio, voltando a andar, embora com uma deficiência em uma das pernas. Autodidata, recebeu doutorado pela Universidade de Heidelberg em 1968. Lecionou por sete anos e depois foi para Erlangen onde conheceu Ida Amalia Kaufmann, filha de um rico comerciante, com quem se casou.

O primeiro nome de Emmy era Amalie, mas ela adotou o nome de Emmy muito cedo. Era uma menina muito querida, esperta e inteligente, mas, como todas as meninas da época, aprendeu a cozinhar, limpar a casa e a ter aulas de piano.

Emmy teve permissão para cursar uma universidade e foi aprovada no exame em Nürnberg, indo para a Universidade de Göttingen. Foi aluna de Blumenthal, Hilbert, Klein e Minkowski e, em 1904, conseguiu permissão para se matricular em Erlangen, o que até então era inédito para mulheres na Alemanha. Ela foi orientada por Paul Gordon e, com uma tese sobre teoria dos invariantes aplicada ao teorema de Hilbert  (chamado atualmente de “Teorema de Noether”), chegou ao nível de Ph.D em 1907 pela universidade de Erlangen, ao mesmo tempo em que não era permitido que mulheres frequentassem universidades na Alemanha.

Em 1908 ela já tinha uma crescente reputação. Devido a suas publicações foi eleita para o Circolo Matematico di Palermo. No ano seguinte foi convidada a participar do Deusche Mathematiker Vereinigung, fazendo parte da reunião anual da Sociedade em Salzburg. Por ser mulher só conseguiu após dez anos ingressar nos quadros de Göttingen, graças à ajuda de colegas, como Hilbert, com quem ela publicou um catálogo com o título de “Seminário de Física-Matemática” em 1916.

Com o fim da Primeira Guerra Mundial, a Revolução Alemã trouxe uma mudança social significativa, incluindo mais direitos para as mulheres. Em 1919, a universidade permitiu o ingresso de Emmy Noether, concedendo-lhe uma habilitação de magistério, como professora associada, não titular, com direitos e funções limitadas (sem remuneração), sendo designada como docente de Álgebra no ano seguinte.

Quando Adolf Hitler tornou-se chanceler alemão, em janeiro de 1933, a atividade nazista no país aumentou dramaticamente. Foram lançados ataques contra judeus e seus apoiadores. O clima tornou-se hostil para os  professores judeus. Em abril de 1933 Emmy recebeu um aviso do gabinete do ministro prussiano que retirava o seu direito de lecionar na universidade de Göttingen.

Vários colegas de Emmy, como Max Born e Richard Courant, também tiveram seus cargos revogados. Emmy aceitou a demissão calmamente, oferecendo suporte a outros colegas em situação semelhante. Mesmo sem poder dar aulas, ela reunia estudantes em seu apartamento para discutir teorias clássicas.

Vários professores desempregados na Europa receberam oportunidades de emprego nos Estados Unidos. Albert Einstein e Hermann Weyl foram indicados para Princeton. Emmy foi convidada por duas instituições: o Bryn Mawr College nos Estados Unidos, e o Somerville College da universidade de Oxford, na Inglaterra. A Fundação Rockefeller aprovou a vinda de Emmy para o Bryn Mawr College, onde ela iniciou seus trabalhos em 1933.

Em 1934, Emmy começou a lecionar no Instituto de Estudos Avançados, em Princeton, a convite de Abraham Flexner e Oswald Veblen. A maior lembrança de Emmy em Princeton é a de ser uma universidade de homens e onde mulheres não eram bem-vindas.

Emmy Noether faleceu em 14 de abril de 1935.  Seu corpo foi cremado e as cinzas enterradas no gramado do Bryn Mawr College.

Seu trabalho sobre Teoria dos Invariantes foi usado por Albert Einstein na formulação da Teoria da Relatividade.

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