“A tempestade brasileira”

OS PAIS – podem ser de qualquer extrato social, mas provavelmente, a pobreza e a miséria sofrerão seus efeitos mais fortemente.

A OCUPAÇÃO – A maioria dos brasileiros vive em favelas, ocupando funções simples e com salários irrisórios. As cidades têm linhas de prédios e um mar de favelados. Tal fato se deve à baixa ou má escolaridade geral, ou ao descaso das autoridades, como num todo, que antes de 1808, exigiam analfabetismo dos brasileiros, e após 1808, a trouxeram ao país, mas viram grassar a corrupção no país.

EDUCAÇÂO – Em geral, a escola pública devia atingir a população em geral, mas logo as famílias de mais posses (minoria) criaram e mandaram suas crias para a escola privada. Assim, numa inversão fantástica, os jovens mais pobres tinham acesso à universidade privada – sempre menos conceituada do que a pública – e os mais bem aquinhoados financeiramente atingiam a universidade pública, seguindo com melhores estudos e chances de emprego após formados. O lógico e normal seria ter os jovens mais ricos pagando por sua educação universitária, mesmo na rede pública, e o valor sendo aplicado nas escolas públicas básicas, qualificando os alunos destas instituições em iguais condições. Estudar em turnos longos, 6 a 8 horas diárias, com aulas que abrangessem todas as áreas e enriquecessem os alunos intelectualmente, é outro must. O estudo oferece vasta cultura, se bem utilizado.

TEATRO – O teatro devia ser usado nas escolas como complemento enriquecedor do aprendizado, que é, sem dúvida. Encenar

Édipo, por exemplo, é dar ao aluno uma aula de sociologia antiga, que ele não esquecerá mais se a vivenciar numa aula teatral.

Se encenarem o discurso de Marco Antônio no funeral de Júlio César, magnífica peça de William Shakespeare, os alunos aprenderão muito sobre a política de então, bem como a atual. Ficarão mais alertas para a vida e os engodos políticos. O teatro deve, sim, começar na escola. Ajuda a aula e forma plateias para o futuro. Desenvolve o pensamento, ativa a crítica, aprimora o ser humano.

Aos 18 anos, quantas moças e rapazes já não têm comprometido seu futuro devido a um desvio de educação – ou igual descuido – e tarde demais percebem que a infância é tempo de brincar, sim, mas também de formar um cidadão útil ao seu país.

PARTIDA – Muitos rapazes são forçados a deixar seu lugar de origem em busca de algum trabalho longe de casa e da família, seja por falta de qualificação, seja por excesso dela – os casos mais raros, o que, no caso, o levará mesmo a deixar o país, pois cérebros privilegiados são caçados por países desenvolvidos e que os prezam, ao contrário do nosso e similares, que optam pela manipulação constante de seus cidadãos.

BRASIL – a capital transferida para Brasília, para lá mudou-se o mundo político. Dali, em pouco tempo foram banidas a dignidade política e a probidade administrativa. O povo brasileiro começou a assistir, da galeria mais longínqua do palco, o teatro macabro que ali acontecia e teria como clímax a transformação do país numa republiqueta, não fosse a intervenção milagrosa e no último instante da trama, da Lava-Jato.

NAS ARTES – o povo sendo pouco letrado, desenvolveu-se a televisão como substitutivo adequado para hipnotizar a imensa plateia de telespectadores que não sabiam haver outras opções de diversão. Para tanto serviu a mesquinha educação costumeira. Novelas, reality shows, cervejas, futebol, baladas até alta madrugada, tudo que impedisse a juventude e adultos de observar o que acontecia à volta era – e segue – usado pela mídia, a fim de manter o status quo.

Os políticos temem aglomerações, com exceção dos havidos nos comícios pré-eleitorais. Já o povo gosta de multidões, mesmo que ao final haja brigas e mortes: a vida brasileira custava – e custa – pouco.

Shylock – recurso sempre usado quando a situação estiver economicamente ruim. Jacob Barata já foi mencionado várias vezes pela mídia, mas desta vez alguém o adjetivou propriamente, lembrando que é judeu sefaradita. Não se vê Dirceu, Lula, Dilma ou outro dos tantos investigados, ou mesmo condenados, serem apontados em sua religião. Mesmo quando um artigo lembrou que demonizar o Rei dos Ônibus não leva a nada. Não leva mesmo. A não ser por tratar-se de uma tentativa de girar o olhar do povo para o outro lado e evitar pensar que os ônibus deviam ser geridos, sim, pela administração pública, e que esta, por incompetência ou falta de interesse, a repassou para particulares, desde que lhes pagassem propina. Sempre ela.

Também é sabido que há casamentos no Copacabana Palace a toda semana, mas o da Beatriz ‘Baratinha’ foi lembrado com malícia. Erros têm de ser pagos, mas é preciso isonomia até para apenar com justiça. Não à toa, Shylock é o personagem mais complexo de Shakespeare. Também, com outro nome que seja, é o mais procurado, desde os tempos de Nabucodonosor, para evitar denunciar o despreparo de reis, presidentes e outros políticos. Não precisamos de um Shylock, mas sim de um Cincinnati, o romano que foi chamado, deixou seu rebanho por cinco anos para salvar e organizar Roma e depois de feito o trabalho político, voltou às suas ovelhas no campo. Serviu e depois afastou-se. O Poder não é vitalício, ainda que assim pareça. Os que a ele se agarram imoderadamente, mostram mesquinhez e pobreza moral e intelectual.

O Brasil vive uma tempestade de corrupção, uma enxurrada de propinas que entopem as artérias do país. Precisamos de uma faxina geral, dessas que podem não dar votos, que tanto agradam aos políticos, mas limpam os pútridos bueiros e galerias subterrâneas do banditismo e levam a água da chuva ao mar por onde navegam países desenvolvidos e a paz. Chegaremos lá, custe o que custar, ao fim da tempestade que hoje se derrama sobre o Brasil

Enquanto não amaina esta terrível tempestade, a solução é encontrar alento no maravilhoso espetáculo do teatro Riachuelo, ‘O Auto do Reino do Sol’, no recém inaugurado teatro Riachuelo. É belíssimo, belíssimo, belíssimo, imperdível, imperdível, digno da Broadway.  Com táxi na porta. Lotado em seus 1500 lugares. O melhor antídoto é a Cultura. Suassuna na veia.

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