A visita do “Tio Sam”


Sábado, 10 da manhã, Donald Trump aterrissou em Riad, capital da Arábia Saudita, sendo recebido com honras militares.

O protocolo simples demais: o rei Salman, membros da família real e alguns acessores o receberam no tapete vermelho estendido desde as escadas da aeronave até a entrada do saguão do aeroporto, onde sentaram por alguns minutos para beber um chá ou café servido à moda árabe, numa xícara pequena sem alça e sem pires.

A atmosfera do encontro com  sorrisos, poucas palavras trocadas com ajuda de tradutores e desapareceram do foco das câmeras. Esta foi a transmissão direta  da CNN.

Mais tarde, no noticiário de Israel, vimos outros aspectos mais interessantes, por exemplo, o rei  Salman estendeu a mão para Melanie, o que é não é comum entre muçulmanos religiosos, prova de que os sauditas estão muito honrados com a visita de Trump. Em seguida vimos o porquê.

Algumas horas após a chegada do presidente e sua comitiva de 1.300 pessoas, foi anunciada a assinatura de um contrato entre a General Eletric e parceiros sauditas, no valor de 15 bilhões de dólares e a venda fabulosa de armas que ultrapassou  a soma de  300 bilhões de dólares!

Estes armamentos fazem parte do programa de defesa da Arábia Saudita e dos demais paises do golfo pérsico  contra a ameaça iraniana.

Os sauditas não esquecem o conflito entre o Iraque e Irã que envolveu a Arábia Saudita e até hoje  mantém um clima de tensão entre os dois paises, pois os iranianos continuam armando e incitando os hostis do Iêmen a atacar o país.

Fundamentalmente, a disputa entre xiitas e sunitas.

Foi, também, divulgada a recusa da primeira dama americana, Melanie Tramp, de usar o tradicional véu para cobrir a cabeça. Aliás, Michele Obama, também, se negou a usar o dito véu, quando acompanhou o então presidente Obama na visita oficial a Arábia Saudita.

O ponto alto da visita, foi no segundo dia: o encontro de Trump com a liderança de 50 paises  muçulmanos. Muitos contratos de compras e vendas  e o esperado discurso para uma plateia que esperava uma mensagem de esperança de que o novo  presidente  dos Estados Unidos seria o novo profeta. Não seria frio como Obama.

Mas Trump surpreendeu e disse aos líderes muçulmanos e árabes: o terror é cruel, bárbaro, absurdo e todos tem que lutar contra ele.

Expulsem os terroristas das mesquitas e das suas comunidades. Expulsem os terroristas dos seus paises . Lutem contra o radicalismo islamista.

Eu não vou dizer a vocês o que fazer ou como fazer. Não vim ensinar a vocês. Façam e eu estarei ao lado para apoiar e ajudar.

Vocês que devem decidir o que querem para o futuro de suas famílias, dos seus filhos. Pela primeira vez a liderança muçulmana e árabe ouviu palavras tão diretas de um presidente americano.

Os palestinos foram, talvez, os mais decepcionados  com a mensagem de Trump, mas os países do Golfo Pérsico, também, pois  imaginaram que receberiam apoio militar  americano na luta contra o terrorismo.

Mas Trump não prometeu enviar soldados americanos para o Oriente Médio. Concordaram em formar uma Frente Estratégica no Oriente Médio.

50º ANO  DA LIBERTAÇÃO OU UNIFICAÇÃO DE JERUSALEM (depende de quem avalia)

Nos primeiros dias da Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967, a parte oriental da cidade, que estava sob domínio da Jordânia, foi conquistada.

Foi um acontecimento histórico para o povo judeu,  chegar ao Kotel depois de 2 mil anos. No domingo à noite foi realizada uma comemoração especial para esta data tão importante da história de Israel.

Um maravilhoso espetáculo de luz e som teve lugar em torno das muralhas de Jerusalém, com a presença de dezenas de milhares espectadores, a maioria habitantes de Jerusalém.

O presidente Rivlin, o primeiro ministro Netanyahu e o prefeito da cidade, Barkat, discursaram e em seguida um rico programa artístico apresentado pelos melhores artistas e músicos de Israel, foi o ponto alto da comemoração.

Sobre Jerusalém, a libertada ou unificada, podemos escrever livros e não uma coluna de jornal, porém vamos vibrar com a comemoração dos 50 anos da unificação de Jerusalem!

OS ÚLTIMOS FIASCOS MINISTERIAIS
O mais importante, foi cometido pelo ministro Ofir Akunis, do ministério das Ciências e Tecnologia, que tambem é deputado  pelo Likud.

No dia 15 deste mês,  na Jordânia, foi realizada a inauguração do acelerador de partículas do Oriente Médio, projeto conjunto de Israel, Jordânia, Egito,Turquia, Chipre, Paquistão, Autoridade Palestina e Irã.

Cada país investiu mais de 1 milhão de dólares no empreendimento e cientistas e pesquizadores trabalharam juntos durante mais de dez anos para completar o projeto.

O rei Abdallah da Jordânia na inauguração do acelerador de particulas

O rei Abdalla da Jordânia esteve presente na importante cerimônia, única nos moldes do Oriente Médio. Israel enviou uma delegação de 25 cientistas, mas o ministro Akunis, cancelou a sua participação como protesto às declarações do governo jordaniano após o atentado terrorista em Jerusalém, na semana passada, no qual o atacante, turista jordaniano, foi morto.

Atitude infantil, antidiplomática, numa oportunidade rara de colaboração com paises que não tem relações diplomáticas com Israel.

O vestido da ministra Regev

O diretor geral do ministério das  Ciências e Tecnologia de Israel, Peretz Vezan, declarou na cerimônia, que Israel espera incrementar as relações com os paises vizinhos atraves da colaboração científica que nos permite  criar relações e alianças em benefício do desenvolvimento.

Nesta cerimônia o ministro não estava presente. O segundo fiasco, ocorreu na abertura do Festival de Cinema de Cannes, onde a ministra da Cultura de Israel, Miri Regev  compareceu exibindo um vestido (de muito mal gosto) longo, com uma estampa enorme do símbolo  muçulmano  mais característico de Jerusalém: a cúpula dourada da mesquita El Aksa.

A intenção era dizer que Jerusalém está unificada e que o Monte do Templo, Har Ha Bait, é parte de Jerusalém, a capital eterna do povo judeu, às vésperas das comemorações dos 50 anos de reunificação da cidade.  Mas este é um ponto de discórdia no âmbito internacional, por que fazer provocações que não trazem nenhum benefício para Israel?

TRUMP EM JERUSALEM


Hoje, quando escrevo estas linhas (22/5), a aeronave Air Force number one da Força Aérea Americana pousou no aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv, trazendo à bordo o presidente Donald Trump para uma visita de 28 horas em Israel.

Eram 12h30, o sol a pino, num típico dia de Hamsim (onda de calor do deserto), quando aterrissou o avião e Trump e Melania acenaram do topo da escada, para a as altas personalidades que vieram recebê-los.

O presidente Rivlin e esposa, o primeiro ministro Netanyahu e esposa, o embaixador americano em Israel e esposa, ministros, representantes da Knesset, do rabinato de Israel, das Igrejas Cristãs, da comunidade muçulmana e de todas as minorias religiosas de Israel.

Durante as duas, três semanas que precederam a chegada de Trump, os responsáveis pela organização e segurança da visita, “pisaram sobre ovos “.

Até os últimos momentos, os americanos alteravam o programa, os horários e o serviço de segurança para altas patentes em visita, não sabiam como enfrentar a indecisão dos visitantes.

O programa incluiu visita ao Kotel e à Igreja do Santo Sepulcro, ambos na  Cidade Velha, cujas ruelas estreitas e com degraus, não permitem entrada de veículos, portanto Trump, Melania e os acompanhantes, teriam que fazer o percurso de 350 metros à pé , o que exigiu medidas de segurança  jamais tomadas em visitas oficiais de governantes estrangeiros.

As pequenas lojas do mercado árabe da área em questão foram fechadas desde a véspera, moradores das casas no trajeto que Trump teria que fazer, foram solicitados a desocupa-las até o fim da visita, algo inusitado em matéria de segurança.

Cerca de 11 mil soldados e agentes de segurança foram convocados para garantir a segurança de Trump e sua comitiva, que custou aos cofres públicos 4.500 milhões de shekalim.

Todos os locais de visita tinham que estar completamente “esterilizados ” em linguagem policial. Do aeroporto, Trump viajou de helicóptero, também da Fôrça Aérea Americana, para Jerusalem, onde foi recebido pelo presidente Rivlin na sua residência oficial.

Em seguida a comitiva foi de carro, também americano, até a entrada da Cidade Velha, visitando a Igreja do Santo Sepulcro e o Kotel.

Esta parte da visita foi considerada particular  e nenhuma autoridade israelense acompanhou Trump. Na Igreja foi recebido pelas autoridades religiosas cristãs e no Kotel, pelo rabino responsável pelas cerimônias religiosas e pela administração e funcionamento do local mais sagrado para o judaismo.

Trump foi conduzido para a área de oração destinado aos homens, ficando só diante do Muro, que contemplou com muita emoção. Tocou nas pedras e colocou um bilhete  numa fenda entre elas.

Melania e Ivanca (a filha judia de Trump) foram levadas a área destinada a oração de mulheres. Hoje ainda, Trump e Netanyahu irão se encontrar às 18 horas, no hotel King David para uma reunião de  trabalho e às 19h15, será recebido com Melania para um jantar na residência oficial do primeiro ministro.

Antes do jantar, o anfitrião e o convidado, fizeram uma declaração à imprensa. Mais de 200 jornalistas internacionais estão dando cobertura à visita de Trump em Israel.

Algumas conclusões podem ser tiradas da declaração de Trump: em primeiro lugar, a mudança da linha política americana – fazer uma aliança com o ramo sunita do islamismo, que representa 90% do mundo muçulmano. O seu centro é a Arábia Saudita, portanto, a escolha de a visitar esse país em primeiro lugar, tinha uma meta.

Trump foi o primeiro presidente americano que disse à liderança do mundo muçulmano, o que eles não queriam ouvir: que devem assumir a responsabilidade da propagação do radicalismo no seu meio e agir com energia para eliminá-los.

Depois, disse com muita clareza que o Irã , que lidera os xiitas, é o responsável pelos conflitos bélicos em todo o Oriente Médio: incita, fornece armas e sustenta a violência terrorista do Hamas , Hesbollah  e todas as milícias xiitas que atualmente estão envolvidas em conflitos.

Portanto, se os países sunitas moderados querem defesa contra o terror, que primeiro limpem a casa. Duas evidências históricas a se assinalar: Trump é o primeiro presidente americano que visita o Kotel, que é uma demonstração de reconhecimento dos direitos históricos dos judeus ao local e a segunda, que pela primeira vez, um avião fez o percurso da Arábia Saudita direto para Israel.

Alguns acontecimentos novos marcam esta visita.

Terça feira, pela manhã, o presidente americano vai se encontrar com o presidente da Autoridade Palestina, em Belém. De volta a Jerusalém, visitará o Yad Vashem e apenas 30 minutos foram dedicados a esta visita Para finalizar a maratona de 28 horas em Israel, visitará o Museu de Israel onde pronunciará um discurso, que está sendo esperado como portador de alguma mensagem de esperança para dias melhores.

Como dizia Ben Gurion: “Em Israel , quem não acredita em milagres, não é realista”. Trump chegou em Israel num momento de grande tensão entre a população palestina. Há 35 dias, mais de mil prisioneiros palestinos, terroristas, estão em greve de fome e nas últimas 24 horas mais de 10 tiveram que ser hospitalizados, pois corriam risco de morte.

Hoje, segunda feira, enquanto as forças de segurança estão com toda a atenção dirigida à visita de Trump, a poucos  quilômetros de Jerusalém, estão ocorrendo manifestações violentas de palestinos em solidariedade aos grevistas. Muito difícil este dia.

Os responsáveis pela segurança vão suspirar aliviados quando 3ª feira, o Air Force number 1, decolar às 16 h, levando Trump para a próxima etapa da sua viagem: Bruxelas, para uma reunião da NATO e Roma, para um encontro como Papa.

O que vai acontecer no último dia desta visita muito especial, conto na próxima semana.
SHALOM ME ISRAEL

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