Às favas, com o escrúpulo!


Esse Shabat não foi igual aquele que passou. Entre o acendimento das velas, em minha casa, e a escuta do kidush, foi decidido, lá em Brasília, o fica não fica do presidente de nossa nação.

O clima de Passárgada, do lá sou amigo do rei, do TSE, acabou imperando, trazendo mais uma frustração imensa para os brasileiros, que acompanharam o brilhante relatório do Ministro Herman Benjamim, cassando a chapa Dilma Temer. Figuras menores do saber e da ética se fizeram de surdos e mandaram às favas os escrúpulos e a realidade dos fatos, pela defesa da dita cuja governabilidade. Em nome da qual tantos abusos já foram cometidos.

Entretanto, naquele cenário de abatimento, senti um orgulho infinito com a atuação do ministro neto de dona Berta, ativista do Lar da Criança, e do senhor Moisés Fux, voluntário do Keren Kayemet LeIsrael. Em sua casa de imigrantes, respirava-se judaísmo, como ideal de ética e moral.

Nem sei se lá do Gan Eden, onde devem estar agora, com a visão simplória de quem viveu uma outra época, eles puderam avaliar o alcance do voto de seu ilustre descendente, para a história desse país. Talvez, o Doutor Mendel, que o ministro mencionou em seu discurso, esteja tentando explicar, para eles e para todos os amigos, o motivo de seu “nachess” de pai.

Realmente Luiz Fux, com o seu ar professoral, deu uma aula de patriotismo e de comprometimento com as instituições brasileiras. Desde o início de seu voto, quando se lembrou do seu curso de direito na UEG, antiga UERJ, no tempo difícil da ditadura, passando por uma repreensão ao ministro, que usou as suas palavras indevidamente.

Aliás, a reprimenda foi para o ministro que, em outro momento, fez o gesto da degola, indicando que representava a ira do profeta. Contra quem, cara pálida?

Em seu voto, Fux reconheceu que “hoje vivemos um verdadeiro pesadelo pelo descrédito das instituições, pela vergonha, pela baixa estima que nutrimos em razão do despudor dos agentes políticos que violaram a soberania popular. O ambiente político hoje está severamente contaminado. E a hora do resgate é agora”.

Reafirmando o seu parecer, concluiu dizendo que  acolhia o parecer do relator e votava pela cassação da chapa como magistrado, e “como brasileiro que amo este país, que é o berço dos nossos filhos e netos, em nome da ética e da moralidade”.

Como brasileira, que também ama esse país, cumprimento o juiz Luiz Fux, que soube como ninguém, lavar a alma do nosso povo, num momento em que ela se encontra tão fragilizada. Aproveito, ainda, para agradecer à ministra Rosa Weber, que demonstrou, também, independência no seu voto, acompanhando o destemido ministro Herman Benjamim. Aos três a minha homenagem.

2 Comentários

  1. Samuel Pustilnic
    Samuel Pustilnic 13 de junho de 2017 at 11:46 |

    Nós, judeus, temos um sentimento de justiça muito aguçado. Certamente devido às perseguições na Europa, cobranças aleatórias e injustas de taxas e impostos arbitrários. FUX fez o correto e você colocou com precisão a vergonhosa decisão da maioria. Os votos dos que foram contra a condenação foram longos e com falas muitas vezes disparatadas como a comparação com o julgamento de Jesus por Pôncio Pilatos e o clamor pela ira do profeta com gesto inconveniente.

    Responda este comentário
  2. Suzana Grinspan
    Suzana Grinspan 13 de junho de 2017 at 11:58 |

    SARITA!!!!!VC COMO SEMPRE,SABE TRANSMITIR SEUS SENTIMENTOS ,VERDADEIROS E INTELIGENTES .
    OBRIGADA POR LEMBRAR DESTE CASAL MOISES E BERTA E DO MENDEL QUE ACREDITO ESTAR DE PEITO ESTUFADO DE ORGULHO DIZENDO *È O MEU FILHO*.
    SÒ POSSO TE DIZER SOU CORUJA VC È MEU NACHES TAMBEM,E O MEU LUIZ `ME REPRESENTA!!!!!!! NESTE PAIS QUE PODERIA SER O PAIS DO FUTURO ,MAS ACABARAM COM ELE.
    BJSuzana

    Responda este comentário

Comente