Atentados triplicam em Israel, após declaração de Trump

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, e sua mulher Sara, em cerimônia no memorial Mahatma Gandhi, em Nova Déli (Índia)

Depois de uma longa ausência, quase dois meses, volto a me encontrar com o computador e dedilhar o teclado com um certo tremor. Emoção.

Estive no Rio, em visita familiar e para participar de alguns eventos muito importantes na minha vida. De volta a Israel, o casamento de uma das minhas netas encerrou com chave de ouro, uma sucessão de comemorações iniciada no Rio com a formatura em medicina de outro neto. O mais velho já é juiz.

Valeu a pena chegar aos 84 anos para gozar de tanta felicidade.

De volta Israel. Muita coisa aconteceu neste espaço de tempo, algumas em consequência da situação política, sempre em crise, outras decorrentes dos problemas de segurança permanentes que caracterizam o nosso dia a dia.

Entretanto, Trump foi o estopim de muita violência e sangue derramado com a sua declaração de “reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel”.

Quem se beneficiou com esta declaração insensata? Alguns fanáticos que encheram as redes sociais com palavras pomposas sem nenhum fundamento prático. Para o povo de Israel significou uma triplicação, sim, três vezes mais, do número de atentados terroristas em Jerusalém e na Judeia e Samaria.

Rabbi Raziel Shevach com seus filhos

Pela primeira vez, na região da Chavat Gilad ocorreu um atentado à bala, com a morte de um chefe de família, 35, que deixou seis crianças orfãs. Não havia nem cemitério nesta área. Fizeram um, às pressas, para enterrá-lo – o rabino Raziel Shevach.

Muitos soldados israelenses tiveram que enfrentar “os dias de ira” decretados pelos palestinos, que embeberam de sangue esta terra já bastante humedecida por este líquido vital.

Mas o importante foi o festival que reinou na mídia internacional, na sacramentação de Trump como messias, por parte dos judeus radicais de direita e ortodoxos. Eles, na sua maioria, não vivem em Israel e nem prestam serviço militar, mas querem nos ensinar o que está certo ou errado.

A obrigação de todos os judeus da diáspora é dar apoio incondicional a Israel , não a este ou outro governo, mas deixar as decisões para quem paga o preço por elas.

Que façam primeiro aliá, que ajudem com as mãos a construir este pais e aí sim, opinar, pelo voto, pelos direitos de liberdade de pensamento, como cidadão, não como espectador diante do WhatsApp.

Quanto ao noticiário, vou começar pelo fim.

Na madrugada de sábado para domingo, aviões israelenses bombardearam e destruiram mais um túnel construido pelo Hamas e Jihad Islâmica, que saindo de Gaza penetrava em terrirório israelense. O quarto túnel em dois meses.

Mas este foi o mais perigoso: começava em Gaza, na área de Rafiach, passava pelo lado egípcio de Rafiach e se extendia até a passagem Kerem Shalom, entre Israel e Gaza, por onde centenas de caminhões provenientes de Israel, trafegavam diariamente, trazendo todos os produtos necessários à população local, sejam alimentos, medicamentos, utensílios domésticos bem como material de construção. Tudo o que é consumido em Gaza.

Material de construção, milhares de toneladas, tem sido usados na construção de túneis e não na reconstrução das milhares de casas destruidas na guerra Tzuk Eitan.

A localização deste túnel tinha mais um aspecto estratégico: passava por baixo da tubulação de gás e óleo diesel fornecidos à Gaza.

Os terroristas que entrassem no túnel teriam acesso ao Sinai (Egito) tornando possível o contrabando de armas, material explosivo e a passagem livre dos próprio bandidos ao Egito, que tem sofrido repetidos atentados contra a a sua força militar e policial no Sinai e a Israel, pois chegariam à zona onde foi raptado há anos, Gilad Shalit, na proximidade do kibutz Kerem Shalom.

O Hamas ainda não se manifestou, mesmo depois de 48 horas.

O golpe foi violento. Desta vez ele não atiraram nas próprias pernas, mas na cabeça. A entrada de todo o material de primeira necessidade, cuja entrada em Gaza é permitida por Israel como ajuda humanitária  foi interrompida e a passagem por Kerem Shalom suspensa por tempo indeterminado, até que Tzahal complete as investigações em torno do túnel, cujo comprimento era de 1 e 1/2 quilômetros, dos quais 900 metros na Faixa de Gaza, 180 metros em território israelense, passando sob Kerem Shalom, seguindo para território egípcio onde terminava depois de 400 metros.

Imaginem se conseguissem terminar o projeto e explodir a tubulação de gás e óleo diesel?

Quando dizemos que atiraram na própria cabeça, significa que não é possível compreender por que iriam destruir o tubo de oxigênio que alimenta Gaza.

Em 2017, mais de 600 toneladas de alimentos, medicamentos e aparelhagem médica entraram na Faixa de Gaza através desta única passagem. É simplesmente incompreensível.

VISITA HISTÓRICA
O primeiro ministro Netanyahu e sua esposa Sarah, embarcaram no sábado à noite para uma visita oficial à India, acompanhados de uma comitiva de 130 empresários, especialistas em alta tecnologia nos campos da agricultura, água, cibernética, cinema, segurança, energia etc etc.

Israel e India iniciaram suas relações diplomáticas há 25 anos e esta é a segunda visita de um chefe de governo israelense a este país tão especial, que atrai, anualmente,  milhares de turistas de Israel.

Ariel Sharon foi o primeiro governante israelense que visitou a India em carater oficial.
O primeiro ministro indu, Modi, esteve em visita a Israel em julho de 2017  e surpreendeu a todos pelo calor e amizade demonstrados no seu relacionamento com Netanyahu. Passearam juntos, descalços, com as calças arregaçadas à beira mar. Completamente fora dos protocolos diplomáticos.

Modi recebeu Netanyahu em Nova Delhi, no aeroporto, na descida da escada do avião da El-Al  e os dois homens públicos, líderes dos seus paises, se abraçaram com tanta amizade emocionando a todos que assistiram a este encontro. Encontro de amigos.

Tudo fora do protocolo diplomático.

Nesta visita, Netanyahu vai assinar nove acordos de colaboração com a India no valor de muitos milhões de dólares, apesar do cancelamento da compra de foguetes cuja negociação estava em trâmites e do voto indu na ONU, contra o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel.

A midia indu está dando uma cobertura ampla a esta visita e Netanyahu concedeu entrevistas a diversos órgaõs da imprensa, rádio e TV .
Sucesso , senhor primeiro ministro !

A KNESSET EM EBULIÇÃO
Nenhum governo de Israel, incluindo os governos anteriores de Netanyahu, usou tanto o seu poder legislativo como o atual gabinete, sob o pretexto de governança, como explica a ministra da Justiça Ayalat Shaked.

Algo incomoda? Faz-se uma lei contra. Incrível. E as novas leis vão se sucedendo numa rapidez jamais vista. Lei do Shabat, Lei da Nacionalidade, Lei que permite que um vice ministro tenha poderes de ministro, para garantir aos ortodoxos continuar na coalisão, enfim, um absurdo .

O mesmo fenômeno ocorre nas comissões. O último, os deputados aprovaram um aumento de salário para os ministros e para si próprios, apesar da opinião contrária de uma comissão pública convocada para debater o problema. Simplesmente deixaram o gato tomar conta do leite … Uma vergonha.

O ESCÂNDALO DE PLANTÃO

Filho de Netanyahu frequentava clube de strip-tease, diz imprensa israelense

O nosso primeiro ministro Netanyahu tem tres filhos. Uma filha, do primeiro casamento e dois filhos, do casamento com Sarah, sua atual esposa.

Da primogênita, não sabemos nada. Como se não existisse. Já os dois filhos, cresceram como príncipes de família real.

Yair, o mais velho, atualmente, com 26 anos, não estuda e nem trabalha, vive na residência oficial e não sabemos porque, recebe carro oficial, motorista e um segurança 24 horas por dia.

Este esquema funciona também nos fins de semana, de modo que o jovem herdeiro faz seus programas de diversão com amigos, às custas dos que pagam impostos. Nada divertido.

Na semana passada, resolveu fazer um rodízio por boates de strip-tease em Tel Aviv, acompanhado de amigos, filhos de empresários milionários que são amigos do papai.

Na volta a Jerusalém, depois de ter bebido além da conta, conversavam sobre assuntos triviais como, quanto o pai ganhou com a ajuda de Netanyahu no projeto do gás natural (20 milhões de dólares) e assim,  por que não deveria financiar os 400 shekalim que teria que pagar a uma “japonezinha para etc etc.etc ? (Auto-censura).

Acontece que esta conversa foi gravada e abriu o noticiário da noite seguinte na TV. Ohhhhhh! Imaginem o escândalo: todas as estações de TV, rádio, jornais, publicando, transmitindo, as redes sociais “pululando de vírus”, um horror. Isto alguns dias antes da viagem para à India. Yair iria acompanhar os pais como convidado oficial. Por que oficial? Não é do conhecimento público que o jovem exerça alguma função pública ou particular. Não trabalha, ao contrário, da grande maioria dos jovens da sua idade que estudam e trabalham para se manter.

O nosso primeiro ministro se revoltou contra a mídia cínica, sarcástica, cruel, que certamente pagou um bom dinheiro pela gravação. Que estava se aproveitando de um momento de fraqueza, do fato de estar falando sob a ação do álcool (????? ), ou seja, justificando tudo que deveria estar proibido: uso de carro, motorista e segurança oficial para divertimento com amigos na noite de Shabat, pagando salários dobrados dos cofres públicos e, pior ainda, pelo tipo de divertimento, boates que também funcionam como local de prostituição.

O protesto público foi imenso, as organizações femininas que lutam para conseguir uma lei que proiba o tráfico de mulheres e a prostituição transbordaram em palavras e ações.

Logicamente que Yair não acompanhou os pais na viagem, a embaixada do Japão queria saber quem era a “japonezinha”? Gente , um angú de enormes proporções.

Algumas jornalistas publicaram cartas abertas à mãe, Sarah Netanyahu, pedindo que não se cale, que como mãe, diga alguma coisa vinda do coração de mãe para as outras mães, que reconheça que o filho errou, mas como mãe que ama seus filhos, perdoa e peça as outras mães, que podem ser as mães das jovens que trabalham nestes locais onde as drogas, o álcool as levam também à prostituição, que também o perdoe, mas Sarah manteve o silêncio. É possível que tenha sido obrigada a se calar. Realmente uma pena.

O NOSSO PARCEIRO
Neste domingo, o presidente da Autoridade Palestina, nosso parceiro para negociações de algum acordo, de co- existência, de cessar-fogo no terror palestino, de Paz (?) , de qualquer entendimento que permita a existência de Israel como a pátria do povo judeu, discursou durante duas horas na Convenção do Fatach, em Rammalla.

Claro que não vou comentar todo o discurso, mas alguns tópicos, verdadeiras pérolas do pensamento do líder palestino com o qual estamos há 10 anos tentando dialogar, vou citar.

“Os europeus quiseram trazer judeus da Europa para cá com a intensão de manter os seus interesses na região. Pediram à Holanda, que tinha a maior frota de navios do mundo  para trazer os judeus.
Israel é o fruto de um projeto colonialista que não tem nenhuma ligação com os judeu .”

A interpretação deste texto é simples: “não somos antissemitas. Somos antisionistas.”

Não tratou Trump com mais carinho:

“Li no Twitter dele: nós não damos dinheiro aos palestinos porque eles recusam entrar em negociações. Que a casa dele desmorene! (Tipo de praga usada pelos árabes). Quando nos recusamos?  Onde você me sugeriu isso? No telefone? Na televisão ? Nós não aceitaremos as propostas que os Estados Unidos nos apresentem”.

Não estranhem a redação. Esta foi a tradução exata do que ele disse e como disse.
Desnecessário dizer que não temos com quem dialogar.

Por hoje é só .

SHALOM ME ISRAEL

 

Um comentário

  1. Jacob Binsztok
    Jacob Binsztok 17 de Janeiro de 2018 at 9:05 |

    Parabéns Ruth, pelos excelentes comentários do cotidiano de Israel contribuindo para
    a compreensão dos dilemas com que se defronta sua sociedade e particularmente o
    denominado processo de paz envolvendo árabes e judeus.
    Continue sua brilhante carreira profissional e política iniciada nos anos de 1960 , no
    Rio de Janeiro , nos bairros do Meier e Madureira e que não sofreu solução de continuidade no decorrer do tempo.

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