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Cartaz Grupo e Estudo do HolocaustoA Ressureição do judaísmo europeu

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Dr. Leo Baeck (centro) com o Presidente da B’nai B’rith Henry Monsky (esquerda) e o secretário Maurice Bisgyer durante a visita que fez à América após a II Guerra Mundial.

Por Cheryl Kemper – Tradução Jayme Gudel

Um artefato da coleção da B’nai B’rith nos Arquivos Americanos Judaicos do Centro Jacob Rader Marcus de Cincinati, serve como  um  testamento inesquecível da resiliência espiritual e física  da organização na Europa pós guerra.

Um pequeno caderno de agosto de 1945, meses após o fim da guerra, contém os nomes e endereços dos membros da B’nai B’rith,  franceses sobreviventes, recentemente localizado. Não se perdeu tempo em  localiza-los assim como seus entes  amados lutando nas cidades e vilas dizimadas pelas bombas e balas. Alguns estavam  nos campos de pessoas deslocadas nos lugares dos antigos campos de extermínio nazistas. Do mais escuro dos tempos e dos horrores  experimentados, foram plantadas as sementes da B’nai B’rith,  revitalizada, semeadas para crescer e se desenvolver.

Fundada em 1882, o distrito da B’nai B’rith Alemã tinha perto de 1000  Lojas com 14.000 membros, e fazia seu trabalho cultural e filantrópico sob a presidência do rabino Leo Baeck , mesmo após Hitler ter promulgado leis contra os judeus em 1933. Finalmente foram  todas  fechadas em  abril de 1937, seguidas de todas as Lojas na  Áustria, Bulgária, Tchecoslovaquia, França, Grécia, Polônia e Iugoslávia. A B’nai B’rith só existia na Suíça e Dinamarca, onde aqueles que podiam, ajudavam o máximo durante e após a Guerra.

Após a vitória dos Aliados, foi relatado que somente 6.000 dos 20.000 membros da B’nai B’rith ainda estavam vivos e  se espalharam pelo mundo. Fora os que escaparam  para a América do Sul e Norte, Reino Unido e Austrália,o resto estava desesperado necessitando a ajuda do Conselho de Auxílio Europeu,agindo em ambos os lados do Atlântico pelos antigos  líderes das  lojas europeias .Durante a II Guerra Mundial,aqueles que tinham um lar na América, organizaram sua própria Loja  que se tornaram  a força motora  com o programa ”Adote uma família” que se iniciou em 1946.O programa ajudava os sem  teto,os empobrecidos e muitas vezes deficientes de além mar, incluindo os muitos ainda nos campos de pessoas deslocadas. Todo mês, o”Adote  uma família”mandava pacotes de alimentos,roupas quentes e sapatos  doados pelas organizações de auxilio e Lojas do país inteiro para aquelas famílias destituídas.

Trabalhando num armazém de Manhatan, pessoas da Loja Alemã Leo Baeck, Liberdade – Áustria e Tchecoslovaquia  juntaram forças e  eficiência para consolidar e reestruturar regulamentos complexos de alfândega para assegurar a chegada dos conteúdos a cerca de um total de 20.000 pessoas em  países que iam da França à China.A missão tinha intenção não somente  de  sustentar a vida mas forjar ligações entre os companheiros da B’nai B’rith nos 3 continentes. Os recebedores sabiam os nomes dos doadores,e cartas foram  trocadas.

”Quando você diz em palavras modestas que você não está esquecido pelos irmãos na América,isso me toca profundamente e me ajuda na hora de necessidade,” escreveu um  dos que receberam, numa carta na revista da B’nai B’rith, a revista mensal nacional.(NJM)

Mesmo,enquanto o programa de ajuda estava em plena força,o novo Conselho Europeu, formado de membros tanto da Europa como dos Estados Unidos,ajudava ativamente antes de 1939,e depois continuaram  com  uma  agenda de reestabelecer uma ligação entre a comunidade continental e o restabelecimento e criação de Lojas da B’nai B’’rith, lá.

Mas, de acordo com o secretário (equivalente a vice-presidente hoje) Maurice Bisgyer, a B’nai B’rith do futuro não iria copiar a atitude elitista do passado. No século 19 e inicio do século 20,os membros europeus da B’nai B’rith convidavam para  participar, somente profissionais como médicos,advogados, arquitetos ou clérigos com pendor filantrópico. Agora, esses critérios seriam retirados em favor da “política americana”, oferecendo um  lugar ä todo judeu  de boa moral que deseja trabalhar pelos melhores interesses de seu país e seu povo. E as atividades serão mais amplas e com  mais objetivos…para jovens  como para adultos.

Em dezembro de 1948 abriu um escritório de campo em Paris. Promovia a defesa dos direitos humanos, combatia o antissemitismo e ajudava a comunidade em construir e encorajar o envolvimento da  juventude.Também  procurava uma ligação com a Suprema Loja em Washington  para apoiar uma quantidade de necessidades,desde a iniciação de novas lojas e as necessidades de projetos e missões. A B’nai B’rith achou novos lugares como Suécia, onde a primeira nova Loja Fredslogen (Loja da Paz) foi aceita.Em  adição   novas lojas abriram  na Bélgica, Luxemburgo, Noruega e Hungria. Sendo que a última teve vida curta de somente 3 anos devido a supressão das Lojas pelo regime comunista.

Ao mesmo tempo, a B’nai B’rith revivia e expandia na França, Holanda, Áustria, Romênia, Suíça, Tchecoslovaquia e Bulgária. A memória de irmãos mortos no Holocausto serviu como inspiração. Entretanto, artigos no NJM  nunca mencionaram  a possibilidade de renascimento da maior  e  mais influente Loja  no distrito pré-guerra – a Alemanha. De fato, Leo Baeck foi aquele entre os líderes judeus, que acreditava que a vida judaica nunca mais poderia florescer na terra de Hitler.

Após  estar preso no campo de concentração de  Theresienstadt por dois anos e meio,o rabino Baeck foi solto em  1945  na idade de  72.Mudou-se para Londres onde reassumiu suas atividades como um líder da B’nai B’rith, escritor, palestrante e teólogo reverenciado e, para muitos, imbuído do sagrado, recusou-se a abandonar a comunidade judaica alemã,quando lhe ofereceram a oportunidade de escapar da perseguição e fugir para os Estados Unidos.Em 1949 foi eleito o chefe do Comitê Europeu da B’nai B’rith, que tinha sido modelado  pelos líderes dos distritos europeus.o Arbeitsgemeinschaft. Em 1952,,a presença restaurada da B’nai B’rith tanto na Europa como na Ásia era evidente,quando   delegados de 25 Lojas  de nove países, viajaram à Copenhagen para a reunião anual do comitê. Fazendo um  potente discurso, compartilhando suas lembranças das conferencias do  Arbeitsgemenisnshaft dos anos 1930, Maurice Bisgyer comentou: – “In the Theresiens – Aqueles foram  tempos em que os representantes alemães podiam atender o trabalho cultural das Lojas das cidades pequenas, quando o representante da Áustria podia se gabar sobre a criação de numerosas instituições de caridade… Neste (presente dia) na Conferencia, temos personalidades importantes da Europa: líderes da Resistência Subterrânea que  lutaram  nas florestas francesas como membros dos maquis; chefes de comunidades judaicas, distintos advogados, médicos, e industriais.Um olhar em seus rostos mostram que não são apenas representantes de um povo longamente sofredor mas tiveram visão e coragem

Depois que novas Lojas foram  fundadas  em  Milão e Roma e a Loja Filo de Atenas foi revivida em 1954, preparações começaram em setembro de 1955 para a instalação da Grande Loja da Europa Continental do Distrito Nº19 – com “distrito” definido na constituição da B’nai B’rith como o território com o mínimo de 10 Lojas com 1000 ou  mais membros.Edwin Guggenheim, jurista suíço, cinco vezes presidente da loja de Zurich, foi eleito como seu primeiro presidente .Foi em 4 de setembro de 1955,na cerimônia em Basiléia, lugar da mais velha Loja sobrevivente  continental ,do distrito No 18  da Iugoslávia de 1935.

Mesmo aqueles que trabalharam arduamente pela causa devem ter ficado maravihados com o renascimento triunfal  da B’nai Brith durante apenas uma década.Como o rabino Baeck escreveu:foi um início,impregnado com esperança de um  melhor futuro,realmente um  evento histórico.”Na tarde de 1955,as palavras do presidente internacional Philip Klutznick foram ditas às lojas por seu representante, o rabino Baeck:Ëste evento significativo está acontecendo 10 anos após o fim da luta mais sangrenta que o mundo já viu…Estes têm   sido anos de reconstrução e progresso,anos de recuperação tanto em  reconstrução material como recuperação espiritual. Vocês têm trabalhado na tradição da B’nai B’rith em ajudar restabelecer não somente suas Lojas mas também as instituições e programas que tornaram  possível a vitalidade da comunidade judaica.A concessão do registro à Loja em Berlin Ocidental será anunciada na primeira convenção da B’nai B’rith em Jerusalém  em 1959.Durante os tempos,a B’nai B’rith na Europa venceu desafios derivados de múltiplos fatores como  linguagem,economia,diversidade e diferenças culturais para definir-se em 1980 como sendo”uma instituição unificada por uma voz e uma vontade de trabalhar juntos por seu  judaísmo, pelo Estado de Israel e pela nossa organização que todos amamos e levamos com  amor em nossos corações”,de acordo com  o presidente por muito tempo, Joseph Domberger.

Em 2015, a missão da a B’nai B’rith Europa focaliza na defesa do Estado de Israel,assistência aos oprimidos e os pobres,a promoção da  cultura e da identidade judaica e a cultivação e fornecimento de  líderes para as gerações futuras.Em 1999,a fusão com  o distrito 15 do Reino Unido,mantêm  seus escritórios principais em Bruxelas,sob a presidência de Erika Van Gelder e a governança de um comitê executivo.Está composto de mais  de 7,000 homens e mulheres que pertencem a Lojas de 29 países O Distrito Europeu   está representado na União Europeia como membro não governamental, na UNESCO, as Nações Unidas em Genebra e o Conselho da Europa.

 

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