Claudia Andujar, fotógrafa e ativista política

Claudine Haas nasceu em Neuchâtel, Suíça, em 12 de junho de 1931. Sua mãe, Germaine Guye Haas, era suíça e protestante, e seu pai, Siegfried Haas, era judeu húngaro. Siegfried  foi morto no Campo de Concentração de Dachau.

Aos dezesseis anos Claudia mudou-se para os Estados Unidos após perder quase toda a sua família durante a Segunda Guerra. Em Nova York conheceu Júlio Andujar, refugiado da Guerra Civil espanhola, com quem se casou em 1949. Formou-se em Nova York em Humanidades, pelo  Hunter College, e trabalhou como intérprete da ONU. A fotógrafa afirma que manteve até hoje o sobrenome do primeiro marido pois queria eliminar o seu Claudine Haas da infância. Queria começar uma vida nova devido às atrocidades da guerra que presenciou.

Em 1955 Claudia chegou a São Paulo, onde sua mãe já vivia, e naturalizou-se brasileira.
Claudia começou a viajar pelo Brasil tirando fotos que eram publicadas em algumas revistas brasileiras, e esta foi a forma que encontrou para estabelecer contato com a população local e aprender a língua portuguesa.

Foi por orientação de seu amigo Darcy Ribeiro que ela entrou em contato com os índios pela primeira vez em 1958, durante uma visita à Ilha do Bananal, terra dos Karajá. Essas imagens foram compradas por Edward Steichen, então diretor do Museu de Arte Moderna de Nova York. As fotos foram publicadas pela revista Life.

A partir de 1967 passou a colaborar com seu segundo marido, o fotógrafo norte-americano George Love, com a revista “Realidade”, da Editora Abril. Em 1971 uma edição especial da revista a levou à Amazônia, onde Claudia entrou em contato com os Yanomami.

Para conviver com esses índios ela abandonou São Paulo e o fotojornalismo, indo viver entre Roraima e Amazonas em tempo integral. Para isso, contou com duas bolsas da Fundação Guggenhaim (1971 e 1974) e uma da Fapesp (1976).

Se não fosse por Claudia possivelmente a etnia Yanomami não teria acesso à saúde e, principalmente, voz e dignidade para lutar por seus direitos, tão ameaçados atualmente.

É autora de vários livros, entre esses: “Bicos World”, 1958; “Amazônia”, 1971, “Mitopoemas Yanomami em frente do Eterno”, 1979; “Missa da Terra sem Males”, 1982; “Yanomami, les danses des images”, 2005; “Marcados”, 2009. Em 1972 realizou o filme-documentário “Povo da Lua, Povo do Sangue: Yanomami”.

A fotógrafa também participou de exposições importantíssimas, incluindo várias bienais. Em 2015, o Instituto Inhotim inaugurou sua 19º galeria permanente, dedicada ao seu trabalho. Desde junho de 2016, as fotos que contam a história  do povo Yanomami encontram-se na “Galeria Vermelho”, em Inhotim.

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