Começar de novo

Manhã de domingo. Uma caminhada na praia para ativar o “Tico e o Teco”. Voltar para casa.  Abrir a geladeira para a reidratação. Uma chuveirada, que demora na medida que as ideias vão borbulhando na cabeça. O ritual do pós – banho se finda e logo em seguida o notebook é aberto.

Primeiro, responder os e-mails do fim de semana. Avaliar todas as promoções. E, às vezes, para ganhar um tempinho, uma passada rápida no Facebook. Nada mais tendo a fazer, o desafio em preencher uma tela, em branco, do Word. Lá se vão cinco anos, que sigo essa rotina, para escrever os meus artigos para o “Nosso Jornal”.

Se me arranjarem algum compromisso para o domingo de manhã, fico com a adrenalina a mil, só me lembrando da tarefa por fazer. Já escutei a mesma história de outros escritores. Você cultiva um método para que as ideias fluam.

Parece que o Moacir Scliar fugia a esta regra. Ele escrevia a qualquer hora, em qualquer lugar. Já o João Ubaldo, que eu escutei no Midrash, contou que se impunha uma disciplina para poder produzir os seus textos. Guardada a distância de talento, o meu modo de escrever segue o método do genial autor de “Viva o povo brasileiro”. Confesso que por pura intuição.

O início sempre é o mais difícil. Mesmo com a temática escolhida, de alguma forma, você busca despertar logo a atenção do leitor. Nesses tempos corridos, com a multimídia no nosso entorno, eu, mesma, paro de ler na terceira linha um texto, que parece não me atrair. Outra guerra, que o articulista enfrenta, é querer escrever sobre fatos já escritos, comentados e filmados pela grande mídia, durante a semana, sem ser repetitivo. Haja imaginação.

O tempo gasto na produção do texto nem sempre corresponde ao sucesso de público. Às vezes, uma crônica pensada, por inteiro, no meu caminhar na praia, que, em menos de uma hora, transfiro para o computador faz mais sucesso, do que as que me tomam muitas horas de pesquisa, reflexão e elucubrações.

De qualquer forma, tudo se transforma em aprendizado. Assim como professora, que sempre exigiu dos seus orientandos, de trabalhos acadêmicos, cuidado e honestidade na identificação das fontes, mantenho, com rigor, na minha redação, esse pressuposto.

Por outro lado, tento não expor a identidade de minhas personagens, principalmente as que fazem parte do meu núcleo familiar ou de amizades. Por questão ética, preservo, ao máximo, a intimidade das pessoas.

Outro dilema, que enfrento, é traduzir ou não as expressões que uso em idish ou hebraico. Acho que elas fazem parte de um mundo tão particular, que se empobrecem ao serem vertidas. Penso que o Google está sempre às ordens para o leitor curioso.

O ponto final é o mais demorado. Antes dele é que a mensagem tem que aparecer da forma mais sintética e translúcida. Mesmo admitindo não sou a dona da verdade, a tendência é a prescrição de algum princípio ou regra, que tento evitar.  Na maioria das vezes, sem sucesso.

Enfim, que você, leitor, comece, de novo, em 2018, tudo o que te desafia e te dá prazer, como a música de Ivan Lins sugere.

 

Um comentário

  1. Ethel Spichler
    Ethel Spichler 10 de janeiro de 2018 at 12:08 |

    A criação é uma gestação permanente a’ espera do parir e embalar o filho ainda coberto de liquidos da entranha uterina. Parabéns pelo nascimento

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