Como sempre, movimentado em Israel


Não que Israel seja o umbigo do mundo, mas acontecimentos que ocorrem em volta do mundo, de alguma forma tocam e influenciam no dia a dia de Israel.

Por exemplo, as decisões tomadas por Putin e Trump na semana passada, com relação ao destino da Síria, não teriam que influenciar diretamente à segurança de Israel, que não foi consultada pelos dois xerifes do mundo, mas representam um alto risco estratégico para o país.

A resolução tomada de manter a presença iraniana em território sírio a poucos quilometros da fronteira com Israel, significa também, o livre trânsito das forças do Hesbollah, com todas as consequências maléficas para a seguridade de Israel.

Putin garante a sua soberania na Síria, sem deixar forças terrestres para evitar perdas inúteis pois faz uso dos seus peões, os terroristas do Hesbollah e Trump conserva o seu poderio na costa, através de porta aviões que entram no jogo sem arriscar seus “mariners” em terra. Israel paga o jogo.

O Líbano é perdedor, mesmo sem participar da partida, e por isso o seu primeiro ministro, demissionário, está  há duas semanas fora do país, negociando com a Arábia Saudita e agora com a França ( está em Paris a convite do presidente Macron) como sobreviver e não perder a independência, com os dois inimigos, Hesbollah e Irã dentro e na porta de casa.

A imprensa árabe tem anunciado que a Arábia Saudita promete bilhões de dólares a Israel para que participe com a frente militar que estaria organizando com outros paises árabes moderados, num ataque ao Irã e Síria, ou seja, fazer uma limpeza no Oriente Médio.

De outro lado, corre o boato de que os americanos estão em vias de apresentar um plano para solucionar a crise israelo palestina, que conta com apoio relativo de Netanyahu, mas não bem vista por Abbu Mazzen.

Trump entendeu a estratégia palestina de pedir socorro a todas as entidades internacionais  para que condenem Israel por desrespeito aos direitos humanos dos palestinos, por ocupar os territórios conquistados na Guerra dos Seis Dias e, principalmente, por existir , que é o maior problema dos palestinos. Enquanto Abbu Mazzen e seus colaboradores percorrem o mundo à espera de que alguém faça o que eles próprios não sabem fazer, criar o seu próprio Estado, o tempo vai passando, a Autoridade Palestina (ele próprio) continua no poder sem eleições há mais de um decênio, o dinheiro continua chegando e muitos funcionários enriquecendo à custa da “inocência” dos paises que apoiam a causa palestina incluindo a ONU.

Basta ver o palácio de Abbu Mazzen. Vale a pena entrar na Internet. Trump deu um aviso prévio aos palestinos: se vocês não iniciarem seriamente um processo de negociações com Israel, os Estados Unidos fecham a representação palestina em Washington. O que é isso, acabar com a “dolce vita”?
Os palestinos estão aborrecidos com Trump, mas o presidente americano está irredutível.Veremos as consequências.

A VOLTA DO TERRORISMO INDIVIDUAL
Na 6ªfeira, o terror voltou a atuar na Judeia e Samária. Às 6:40 da manhã, David Ramati, 70, passava pelo cruzamento de Efrat em direção ao trabalho, quando percebeu que um carro vinha em velocidade na sua direção. Segundos antes de ser atingido, conseguiu pular da estrada, mas o terrorista, um palestino de 17 anos de Halhul, não desistiu, fez um reverso em “U” e voltou ao cruzamento conseguindo atingir a vítima, que havia saltado sobre os balaustres,lançando-o ao ar. Sofreu ferimentos leves.

Mas A-Din Ibrahim Ahmed Kara’g, continuou o seu trajeto assassino, chegou ao cruzamento próximo, Gush Etzion atropelando um morador de Kiriat Arba, Even Ezer Holhering, 35 , pai de seis crianças, ferindo-o gravemente e tentou atropelar soldados que estavam de guarda no local, se chocando com a guarita. Saiu do carro correndo em direção aos soldados empunhando um facão sendo detido pelas balas disparadas pela unidade militar agrícola-Nahal que estava no local.Foi ferido gravemente.

Vários tipos de pena tem sido aplicados à família dos terroristas, na tentativa de fazê-la compreender que existe a possibilidade de prevenir este tipo de atentado atraves de diálogo familiar.

Em grande parte dos casos,  tratando-se de terroristas jovens, a influência familiar pode ser decisiva, se os pais não incitarem os filhos a fazer algo que eles não fariam, pois sabem que o castigo virá, mas não levam em conta a reação de um jovem mais rebelde.

Neste caso, a família recebeu como pena a suspensão do direito de trabalhar em Israel. É uma forma muito efetiva de prevenção ao terrorismo. Em casos extremos, a destruição da casa é o castigo.

De qualquer forma, é triste para todos e um dos meios de conseguir uma convivência pacífica com os palestinos é melhorar a situação econômica, oferecer melhores condições de vida, mas isso depende de cooperação entre as duas partes conflitantes.

UM POUCO DE POLÍTICA
Avi Gabai , eleito recentemente para presidente do partido Hamachane Hatzionit, tem feito declarações um tanto contrárias à ideologia do partido.

Em uma entrevista pública, declarou que é favorável às negociações com os palestinos mas não acredita que o diálogo tenha que partir da premissa de devolução dos territórios. Esta é uma exigência básica dos palestinos para iniciar qualquer contato e até agora, nenhum líder do partido emitiu esta opinião.

Explicou o seu ponto de vista dizendo que para fazer Paz, não se começar pelas consequências de uma guerra . Tudo será discutido durante o processo de conversações , sem condições prévias.

Segundo os comentaristas , está fazendo uma guinada do centro para a direita. Outra novidade da semana passada foi uma entrevista concedida por Ehud Barak , ex-primeiro ministro , ex-ministro da Defesa, ex- Chefe do Estado Maior , ao jornalista Amnon Abramovitz, do canal 12, da TV israelense.

Ehud Barak tem se mantido distante da política local e em ocasiões especiais faz alguma declaração à imprensa . Desta vez , concedeu uma entrevista de 90 minutos , que foi transmitida no horário nobre do noticiário.

Não se pode negar que Barak é inteligente, perspicaz e que tem muito conhecimento da política local como internacional. É muito solicitado por universidades americanas e europeias para proferir conferências e durante a sua permanência no exterior, estabelece contatos com a liderança política dos países que visita.

Na recente entrevista, semana passada, declarou que ele é, entre todos os possíveis candidatos ao cargo de primeiro ministro, o mais capacitado, o mais experiente e o que tem mais maturidade para o exercício do cargo.

Indagado se estava lançando a sua candidatura para as próximas eleições , respondeu que ainda não decidiu , simplesmente está fazendo conjecturas.

O entrevistador, jornalista dos mais experientes de Israel, lembrou a Barak que a sua cadência como primeiro ministro havia sido um fracasso e que deixou o cargo depois de um ano e meio de governo.

Barak tem explicações para todas as perguntas e sabe perfeitamente que no Avodá – Machané Tzionit, está um novo líder, Avi Gabai, que não vai abrir mão do posto em benefício de Barak.

Quanto a aceitação do público pela sua possível volta a arena política, respondeu que há 4 meses foi realizada uma pesquiza de opinião pública, que lhe dava a preferência dos eleitores não religiosos e não tradicionais, sobre os demais candidatos, incluindo Netanyahu.

Abramovitz não aceitou os resultados desta pesquisa, pois não representa a opinião de todos os segmentos da sociedade israelense.

Em resumo, ainda não tem planos concretos, teria que criar um novo partido, mas está firme na sua opinião de que Netanyahu, apesar da sua experiência tem um grave problema – não consegue tomar decisões.

A NOVA CONTROVÉRSIA

Rivlin com o Kafiah

Em Israel, uma das poucas funções do presidente, é conceder anistia a prisioneiros. A indicação dos candidatos ao indulto é resultado de um processo complexo entre as autoridades relevantes do sistema judiciário.

O presidente recebe a relação dos indicados, com um dossiê completo de cada caso, estuda a matéria, se aconselha com seus assessores e chega a uma decisão, que é transmitida aos órgãos competentes que darão sequência e finalização do processo.

Este ano, Israel completa 70 anos de independência e dentro da programação de eventos, consta também, a concessão mais ampla de anistia.

Entre os indicados, estava Azaria Elaor, o soldado de Hevron, que está cumprindo a sua pena de prisão que, recentemente, foi reduzida em 4 meses pelo chefe do Estado Maior, Rav Aluf Gadi Aysenkot.

E o presidente decidiu não conceder a anistia, baseado na recomendação do próprio Ayzenkot, que apresentou razões concretas que foram aceitas por Reuven Rivlin, o presidente.

As críticas e os protestos dos deputados e alguns ministros do Likud  foram de uma virulência e desrespeito ao presidente, só vistas contra Rabin, depois do acordo de Oslo. É inacreditável como o campo político do Likud se transformou numa arena selvagem, onde a força, a violência verbal e a falta de educação governamental são as características fundamentais.

Nas redes sociais, foram postadas fotomontagens de Rivlin com a Kafia (lenço tradicional árabe ) na cabeça. Só falta uma fotografia com uniforme nazista, como fizeram com Rabin.

A ministra da Cultura, Miri Regev, o lider da coalizão na Knesset, deputado David Biton, o precioso deputado Oren Hazan, vomitaram labaredas de fogo contra o presidente, que também é chaver do Likud.

O deputado Benny Begin, filho de Menachem Begin e Dan Meridor, ex-deputado, ex-ministro das Finanças, da Justiça, de Informação foram entrevistados em várias estações radiofônicas, expressando o profundo desapontamento com a forma como membros importantes da liderança do Likud atacaram e ofenderam o presidente Rivlin. E Netanyahu? Calado como um peixe.

Só no fim do dia (2ª feira), se manifestou, dizendo que críticar é um direito de livre expressão, mas que deve se evitar de colocar Kafia na foto do presidente ou uniforme nazista. Tambem é contra a decisão do presidente Rivlin e não censurou a violência verbal dos seus pares. Muito triste. Decepcionante.

NETANYAHU FOI INTERROGADO PELA 6ª VEZ
Ocorreu no domingo e durou 4 horas. Os mesmos processos 1.000 e 2.000, dos presentes, conversas proibidas com diretor de jornal.

Como sempre, sorridente, Netanyahu afirma que não há nada para averiguar, presentes no valor de centenas de milhares de shekalim são perfeitamente legais. As leis mudaram.

O OUTRO LADO DA MOEDA
Ainda bem que os políticos dos partidos da coalizão não os únicos habitantes de Israel. No domingo à noite, no noticiário do canal 12, foi exibido um filme documentário de curta metragem, sobre o projeto de Tzahal, que ajuda a entrada de mães sírias e seus filhos em Israel, para receber tratamento médico. Confesso, chorei de emoção.

Quando escurece, na fronteira entre Israel e Síria, com a colaboração dos rebeldes sírios que lutam contra o governo de Assad, mulheres sírias trazem seus filhos doentes para receberem tratamento médico no Hospital Ziv, em Tzfat, próximo à fronteira.

Uma logística perfeita que tem escapado há meses dos olhos dos terroristas do Daesh, mulheres e crianças residentes em aldeias que distam 10 km da fronteira são transportadas em veículos camuflados dos rebeldes até as proximidades da passagem pela cerca da fronteira.

O resto do caminho fazem à pé, por medidas de segurança, protegidas pela escuridão. Quando se aproximam, o grupo se dispersa e uma a uma com seus filhos se aproxima e os soldados que guardam a fronteira tem que tomar medidas de segurança para se certificarem que estão sòzinhas e não são homens disfarçados, pois vivem em áreas ainda ocupadas pelo Daesh.

Os olhares dos soldados e das mulheres se cruzam buscando a verdade, que podem cruzar o portão.
São minutos de muita tensão dos dois lados. Um pequeno erro e todo o projeto desmorona.

Quando finalmente chegam ao centro de absorção, são recebidas com calor, amor e muita empatia.
O local é limpo, muito iluminado, confortável, recebem uma refeição camas para descansar e passar a noite e pela manhã, um ônibus as leva para Tzfat  para o hospital.

Toda a equipe hospitalar fala árabe e as crianças são examinadas pelos especialistas, tratadas e internadas se for necessário.

O ambiente é de compreensão mútua. Elas viam os israelenses como inimigos e em poucas horas estão confiantes e entregam os filhos para serem tratados. Recebem todos os tipos de tratamento médico, exames de tecnologia de ponta  e voltam para o inferno da guerra, quem sabe para que realidade. Mil crianças sírias já foram atendidas neste projeto.

Todas sonham em poder voltar para viver em Israel. Muito emocionante.

É só.
SHALOM ME ISRAEL

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