Compreensão sem fim

A crise é imensa e sem precedentes. 14 milhões sem emprego, funcionários públicos cariocas sem receber há meses, lojas e mais lojas fechando diariamente, hotéis e restaurantes amargando vazios sem fim, e Michel Temer gasta bilhões comprando deputados para permanecer colado ao trono. Não se pensa no país, apenas em si mesmo. O presidente está zangado com o ministro da Fazenda porque este sinalizou que ficaria no cargo mesmo com mudança de chefia. Desconfio do Meirelles desde que veio a público que ele era do Conselho de empresa dos Batista, mas se for o melhor para o país, que outra coisa devemos querer?

E o misturador de vozes que Temer implantou no palácio? Que conversas não tão republicanas terá um presidente, que necessita misturar vozes a fim de não ser identificado? Preferia que tivesse janelas de vidro e transparência em cada ato. Ou que caísse fora de vez, levando seu misturador debaixo do braço.

Aí teríamos Rodrigo Maia. Mas ele também está enrolado na Lava-Jato. E não traduz nenhuma confiança, mais parecendo um menino perdido em uma cadeira de chefia. Renan Calheiros? Idem in ibidem. Que falta nos faz um estadista! Que falta nos faz a Educação! Que falta para o Brasil! Que saudades do Brasil!

Enquanto nos aprisionamos sem chance de liberdades, as UPAS estão todas dominadas pelo tráfico, que decide também quem pode e não pode ser atendido.  A que ponto chegamos, arrastados pelo descalabro de nossos políticos e governantes. Se chegarmos a 2018, votar nem será tão difícil. A lista dos canalhas e fichas sujas será tão longa que uns poucos nomes estarão ao dispor dos eleitores. É preciso cuidado ao votar, buscar gente que mude o quadro de horror e desesperança que nos envolve e asfixia. Sem pai da pátria, sem cinismo.

Lembro do Beltrame reclamando com Cabral sobre a falta que fazia a questão social, que devia ser abordada juntamente com o trabalho da presença da polícia nas comunidades. Mas qual! Cabral estava tão ocupado com sua roubalheira em estado de Êxtase, como confessado por sua cúmplice doméstica, que nada fez. Perdeu-se todo o trabalho de ex Secretário de Segurança, que terminou cansando e pedindo seu chapéu.

Nossos políticos acham que escolta, guarda-costas e carros blindados são a saída? Precisamos reconquistar o espaço para o cidadão ir e vir. Precisamos de escolas que funcionem. De hospitais que tenham médicos e leitos e material e tomógrafos – e sobretudo dignidade.

Precisamos que nossos trilhões pagos em impostos voltem em serviços. É direito de cada cidadão. Se roubam no alto do triângulo, que outra coisa se espera que façam na base? Há séculos, desde o nascedouro, o Brasil não conheceu nada além de exploração. E a cada momento em que a exploração esvaziava o erário público, mais impostos recaíam sobre o povo. Somos hoje a nação que mais paga impostos no mundo.

Para quê? Para receber nada, nenhuma segurança, nenhuma chance de qualidade de vida. Sempre foi assim. Sem educar o povo, assim seguirá. Como disse o presidente Temer, o povo brasileiro compreende o aumento de impostos (brasileiro é compreensivo, bonzinho, manso) e, completou o presidente, entenderá os novos impostos porque sabe que este governo não mente. Alto lá! Não mente? Os ‘imbróglios’ todos que surgem tendo o presidente como protagonista falam exatamente o contrário.

A questão é simples. O governo gasta mais do que tem. Permite que ‘amigos’ não efetuem seus pagamentos e aumentem o rombo da receita. Os bilhões roubados, se repatriados, não chegam às mãos dos trabalhadores, que deviam, por justiça, receber em dia. Se não há dinheiro, de onde saíram os bilhões que compraram votos para evitar a denúncia do presidente?

Comente