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Tancredo e Aécio Neves

Prezado Doutor Tancredo

Imagino o inferno astral que o senhor e a sua senhora estão vivendo nesse momento. Se é que existe isso no espaço celestial.

Me apresento como professora de história e interessada em política nacional, desde a eleição de Juscelino Kubitchek, que já contou com a sua participação. Estudei nos livros, que o senhor foi ministro da justiça de Vargas, ficando ao seu lado até que se ouviu o tiro que  abalou a república.

Daí para frente, o seu nome sempre apareceu nas articulações políticas, culminando com a sua escolha para a disputa para a presidência do país, pela oposição, nas eleições indiretas, que marcariam o fim do governo militar, de triste memória.

Fui uma das brasileiras, que chorou muito, assistindo a sua subida e descida da rampa do Planalto, ladeado pela guarda de honra, e seguido pelos seus familiares e autoridades, todos lamentando o seu trágico fim. Nessa ocasião, começou a aparecer o nome do seu neto Aécio, como seu sucessor.

No seu enterro, nosso povo ficou de luto, como que antecipando os anos terríveis, que se seguiriam ao seu falecimento.

Daí de cima, do lado da turma de Minas, e em companhia do Dr Ulisses (ai, como eu gostava dele!…), o senhor deve estar acompanhando o que acontece em nosso país, que tem a sua história construída muito mais por vilões, do que por heróis. Continuamos vestindo luto até hoje, com raras interrupções.

Até o seu neto, em quem votei para presidente da república, que estava fazendo uma carreira vitoriosa, tendo sido governador de Minas por dois mandatos, deputado federal e senador da república, se revelou um crápula, com o devido respeito ao senhor. Não se sabe se foi a Andréa Neves, que o senhor tanto mimou, ou foi o próprio Aécio, que o senhor protegeu, que comandou um esquema de corrupção inimaginável.

O que se sabe é que tanto ela, como ele, não seguiu os seus ensinamentos, nem o seu exemplo de exercício de cargo público. O senhor sabia, como bom mineiro, ir comendo pelas beiradas a oposição, para projetar os rumos do país, que o senhor vislumbrava. Todos lhe respeitavam e buscavam os seus conselhos. O seu discurso era sempre pela conciliação.

Se o senhor atuasse hoje, estaria filiado ao PSDB, filho dileto do velho PSD, tanto que imagino a sua alegria, quando Aécio assumiu a sua presidência. Pensava como o senhor. E pior, sempre critiquei o Fernando Henrique e o Alckmin, que perseguiam o seu neto. Eles, naturalmente, já desconfiavam dos seus malfeitos. Bom, Doutor Tancredo, como o senhor sabe, até o Serra se meteu em falcatrua (Até tu Brutus!).  E os tucanos continuam em cima do muro…

Imagine a encruzilhada em que vivemos. Quando se precisa, hoje, de um nome de consenso, para se indicar para uma eleição indireta, em substituição ao presidente Temer, recorre-se a Carmem Lúcia, uma mineira proba, cumpridora da lei, que chegou à presidência do STF, mas que deveria ficar lá, até como garantidora da lisura do poder judiciário.

Bem, Doutor Tancredo, vou ficando por aqui. Com uma saudade imensa da época, em que eu passava as manhãs de domingo na praia, lá em frente do seu edifício na Avenida Atlântica, bem perto da Paula Freitas. Ainda não tinha filhos e netos, para prestar contas do país que estou legando para eles.

Meus cumprimentos, minha indignação e minha solidariedade!
Sarita Schaffel

4 Comentários

  1. Alice Burla
    Alice Burla 22 de maio de 2017 at 22:30 |

    Sarita falou mt bem. A decepção com a Família Neves, se esgotou!

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  2. Henriette M. Krutman
    Henriette M. Krutman 24 de maio de 2017 at 13:26 |

    O seu texto diz tudo o que eu também falaria para o Dr. Tancredo, querida Sarita!
    Saudações em opróbio,

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  3. Suzana Grinspan
    Suzana Grinspan 24 de maio de 2017 at 19:48 |

    SARITA COMO SEMPRE SEU TEXTO È EXCELENTE!!!!PARABENS!PELA CLAREZA COM QUE VC SE PRONUNCIA SEMPRE EM NOME DA VERDADE!!!!!

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  4. Samuel Pustilnic
    Samuel Pustilnic 25 de maio de 2017 at 23:27 |

    Ótimo resumo histórico dos altos e baixos (mais baixos do que altos) da vida pública dos últimos 60 anos. Muito objetivo. Parabéns.

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