Descartáveis

 


Os pratos de plástico, esses ela ia distribuindo um a um, sobre as toalhas de papel colorido. Algumas vermelhas, outras roxas, azuis, amarelas; havia ainda as verdes, que escolhera pelo tom da esperança, a mover o mundo.

Seria uma festa. Enquanto a cervical se desdobrava para dar conta dos preparativos, ela ia pondo seus esforços nos enfeites de crepom, na mesa de doces, nas almofadas das cadeiras desmontáveis, nos docinhos, brigadeiros e cajuzinhos, e que A viria de vestido e salto e B a abraçaria como sempre, abraço meloso e demorado, e que C tomaria umas tantas cervejas e que D não abriria mão de contar certas façanhas e que E daria as suas gargalhadas escandalosas; pouco importa.

Ela absorta, veio vindo nuvem carregada. Veio vindo de mansinho, tremenda ventania. Até que foi sopro forte, de repente. Eram pratos ao chão, copos ao chão, cadeiras e mesas, flores. Folhas rodopiando no ar, algumas indo, outras vindo, papel flanando, toalhas embaralhadas, roxas e amarelas, à mercê, azuis e verdes. Lá se vai a esperança.

Difícil lutar contra certos movimentos do ar. O terraço seguiu em alvoroço: lá se foi tudo e ela está só.

Mas o mundo, o mundo segue girando.

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