Do zigue-zague Netanyahu passou a rodopiar


Não é segredo que Netanyahu é inteligente e tem muita experiência política mas o que não era do conhecimento público é a sua capacidade de em horas críticas, rodopiar como um peão.

O que aconteceu na semana passada foi um espetáculo circense, que deixou uma péssima impressão dentro do país e uma projeção externa que desacredita o governo.

A colocação dos magnômetros sem uma avaliação responsável das consequências levou o governo a retirá-los sob a pressão irredutível dos palestinos, que durante uma semana se recusaram a entrar na área do Templo e fizeram as orações nas ruas em volta do Har Habayt.

Conseguimos criar conflitos com os dois paises muçulmanos com os quais temos relações diplomáticas: Turquia e Jordânia além de nos envolvermos num incidente policial e jurídico com o governo jordaniano.

Relatei na semana passada a ocorrência na residência do chefe do serviço de segurança da embaixada de Israel em Aman, que foi atacado por  um carpinteiro que veio fazer serviços no local, acompanhado pelo proprietário do imóvel, reagiu à bala causando a morte dos dois.

A Jordânia exigiu que o segurança fosse detido para interrogatório, Israel fez valer o Acôrdo de Viena, que concede imunidade diplomática aos seus servidores em paises estrangeiros, mas passaram-se longas horas até que o agente de segurança e a embaixadora de Israel, pudessem deixar a embaixada a caminho de Israel.

Durante estas horas o exército jordaniano teve que cercar a embaixada com tanques e carros de combate para impedir invasão e saque, pelos manifestantes que haviam se aglomerado no local, gritando “morte a Israel”.

O que faz Netanyahu? Recebe no dia seguinte a embaixadora e o agente de segurança, abraçando-o  como heroi, frente as câmaras da mídia israelense e internacional.

Foi o bastante para despertar protesto na opinião pública jordaniana que exige a suspensão das relações diplomáticas com Israel. No Parlamento em Aman tambem ouviram-se as mesmas palavras, 50% dos parlamentares, mas vozes menos radicais apoiam o afastamento temporário da embaixadora de Israel até que os ânimos exaltados se acalmem.

Na verdade, existem interesses comuns entre Israel e Jordânia na área de segurança que influenciam muito nas decisões tomadas, pois o mesmo perigo do fortalecimento da presença iraniana na região bem como , Hesbollah e Daesh ( que está sendo expulsa da Síria ) afeta os dois paises que colaboram na estratégia regional.

Enquanto isso, as manifestações violentas em Jerusalem, tanto nas proximidades do Har Habayt como nos bairros árabes da cidade, continuaram à todo vapor e a tensão aumentava com a aproximação da  6ª feira , dia santificado para os muçulmanos, dia em que dezenas de milhares de fieis vem rezar na mesquita.

Novamente Netanyahu convoca o gabinete de segurança , que decide retirar os detectores de metal  de todas as entradas para o Monte do Templo , bem como desistir da ideia de colocar máquinas fotográficas super sofisticadas, tambem contrárias ao status quo vingente desde 1967, quando ao final da Guerra dos Seis Dias, Israel e a Jordânia concordaram em manter presença da Wakfa para zelar pela santidade  da área.

É preciso esclarecer, que toda a área do Monte (do tamanho de 18 campos de futebol), está sob a soberania de Israel, que mantém um posto policial no local, porém não interfere no funcionamento das mesquitas nem na liberdade de culto.

É bom esclarecer, também, que a mesquita de El Aqsa, é o 3º lugar de importância religiosa muçulmana. Em 1º lugar está Meca (Arábia Saudita ), em 2º lugar, Medina, no mesmo país e em 3º lugar , El Aqsa . Diga-se de passagem, que os milhões de muçulmanos que anualmente fazem peregrinação à Meca, passam pelo exame dos magnômetros sem nenhum problema, bem como nos aeroportos quando viajam para o exterior .

Toda a onda de protesto  teve base política, por incitação dos ramos radicais e conivência da Autoridade Palestina, que ainda não se convenceu de que sòmente atraves de conversações será possível chegar a algum entendimento, mesmo sem acordo formal de paz, mas uma forma  de convivência pacífica.

FIM DA SAGA?
O julgamento do soldado que atirou no terrorista já neutralizado, em Hevron, veio se arrastando por mais de um ano, pois a sentença do Tribunal Militar que o condenou a 18 meses de prisão por homicídio, não por assassinato, não foi aceita nem pelo acusado e seus advogados, nem pela promotoria militar, que considerou a pena muito leve.

As partes apelaram para o Tribunal Militar de Apelação, que depois de longas audiências com interrogatórios de testemunhas da acusação e da defesa, levou alguns meses para elaborar o laudo cuja leitura , no domingo dia 30/7/2017, levou 3 horas.

O Tribunal, composto por 5 juizes, recusou a apelação do acusado e da promotoria  e manteve a pena deliberada pela 1ª instância, 18 meses.

Resta  agora ao acusado a possibilidade de encaminhar um pedido ao Supremo Tribunal para que aceite uma apelação e caso não seja atendido , pedir clemência ao Chefe das Forças Armadas ou ao presidente de Israel.

Para poder pedir clemência tem que reconhecer a culpa e pedir perdão, mas Elaor insiste em afirmar que não pode se arrepender de algo que não cometeu. Difícil.

Este julgamento causou reações contraditórias no seio da população de Israel , pois todos os cidadãos ou foram soldados e soldadas, ou tem filhos ou filhas em serviço militar.

Todos tem o que dizer à respeito da disciplina militar, do regulamento de abrir fogo e da pureza das armas. Nunca houve um julgamento militar com tanta cobertura jornalística nem tanto envolvimento público e político ( inteiramente nocivo e anti democrático ).

Mas os juizes são alheios às influências externas e julgam com consciência limpa e de acordo com as leis. Afinal, oito juizes confirmaram a mesma pena.

Alguns trechos importantes  do laudo:” Elaor Azariah se preparou para atirar. Esta conduta é típica de exercício de tiro, não numa área de ataque terrorista. O tiro em direção a cabeça do terrorista foi por vingança e não por sensação de perigo eminente… Esta não é a conduta do Estado de Israel, nem do Exército de Israel. Trata-se de um ato proibido, grave, imoral, que desonra o soldado e o exército.”

Como dizia Menachem Begin z”l:” yesh shoftim be Yerushalaym” ou seja “existem juizes em Jerusalém”!

ESPORTE


Neste fim de semana , foi realizado em Budapeste , Hungria , o Campeonato Mundial de Natação .

Um único nadador de Israel ,Yonatan Kopelev , conseguiu chegar às finais que foram realizadas no domingo , 30/7 , mas não conseguiu ganhar nenhuma medalha . Ficou em 8º lugar nos 50 m ,nado de costas no tempo 24.85 segundos .A medalha de ouro foi para a França  e o seu nadador , Cami Lacorr , com 24.35 segundos . Meio segundo foi a diferença .

TISHÁ BE AV
O nono dia do mes AV, o dia  em que lembramos a destruição do Templo de Jerusalém, se inicia na 2ª feira, 31/7 , às 19:40 , hora de Jerusalem , quando começa o jejum , para os praticantes.

Na verdade, dos dois Templos, o Primeiro ,no ano 586 A.C. , destruido pelas tropas de Nabucodenosor  e o Segundo, no ano 70 D.C. , pelo exército romano sob o comando de Titus.

É uma dia de luto ,no qual cada um pensa consigo próprio sobre as trágicas consequências do ódio gratuito – sinat chinam – , que caracterizou as lideranças judaicas naquelas épocas .
Pela primeira vez , às vésperas de Tishá be Av, deputados charedim, rabinos e homens públicos fizeram uma declaração conjunta rara ao público, condenando a campanha de violência contínua contra os charedim que se alistam ao serviço militar.

Até agora, calaram e se abstiveram de reagir mesmo diante de agressão violenta contra os jovens soldados . Neste dia,clamam em uníssono: ” parar com o ódio gratuito ” !
A nova meta: amor gratuito! Ahavat chinam!
Até que enfim!

COM AMIGOS COMO ESTE, QUEM PRECISA DE INIMIGOS?
O presidente da Turquia, Ergoan, conclamou o povo a sair às ruas em demonstração contra Israel, com o slogan “não renunciaremos  a  Jerusalém “, quando aqui os ânimos ja haviam se acalmado e a ordem voltou ao Har Habayt.

Milhares de pessoas compareceram à manifestação em Istambul, trazidos de todos os cantos por meios de transporte fornecido pelo partido presidencial.

A Turquia tem relações diplomáticas com Israel. País amigo.

HEVRON NAS MANCHETES
Um grupo de famílias da corrente religiosa-sionista radical , “invadiu” um prédio ao lado da cave dos Patriarcas alegando que compraram há 5 anos o imóvel. O vendedor, palestino que desapareceu de Israel.
Esta é a 2ª vez que os possíveis proprietários tentam entrar nas suas residências , mas as autoridades afirmam que não foi comprovado o direito de posse , que realmente o caso está em discussão há 5 anos , mas que os documentos apresentados até agora não permitem o licenciamento de ocupação do prédio.
Isto aconteceu na 5ª feira passada, no auge da crise em Jerusalém.
Era realmente o que estava faltando para as forças de segurança, um pouco mais de “action”.

Provavelmente serão desalojados, mas nos dias antes de Tishá Be Av, não se pode cometer um ato que vai redundar em conflito entre os policiais e os moradores .São famílias com muitas crianças, mais de 100 pessoas no total.
Vamos ter outra novela na próxima semana .

PARADA HOMO LÉSBICA EM JERUSALÉM
Para completar o drama de Jerusalém, na próxima 5ª feira  será realizada a tradicional Parada do Orgulho da comunidade Homo Lésbica, que nos anos anteriores foi palco de ataques violentos por parte dos charedim que não aceitam a realização desta manifestação na Cidade Santa, inclusive com o assassinato de uma jovem participante.

A polícia que há duas semanas está trabalhando em tempo integral em Jerusalém, destacou um contigente de mais de mil policiais para garantir a ordem e a segurança dos participantes .
Que tudo corra bem.
Por hoje é só

SHALOM ME ISRAEL

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