Domingo espetacular


Quem reclama de marasmo na comunidade judaica do Rio de Janeiro é ruim da cabeça ou doente do pé. Só no domingo passado quase dez eventos, concomitantes ou subsequentes, aconteceram em nossa cidade. E isso com a agravante de que uma das instituições anunciou o seu bazar anual há seis meses atrás, em busca de uma adesão total de público.

Mas como o sol nasce para todos, os eventos vão sendo programados independente de calendários, e quando nos damos conta, cada um tem que se multiplicar, para dar conta dos inúmeros compromissos. Teve de tudo. Festivais nas escolas, bingo, competições esportivas, espetáculo de música e o bazar da WIZO.

Assim, de manhã, como avó, fiz parte da plateia do espetáculo de final de ano da Escola Barilan no Oi Casa grande. Vibrei com a participação brilhante da aluna mais bonita e inteligente daquele colégio, que, por acaso, é a minha neta.

Mas brincadeira à parte, realmente a festa L’Chaim emocionou a todos, tanto pela parte artística, quanto pelos valores que foram passados, através da música, pelas crianças, que teve tudo a ver com o judaísmo, em sua essência. Aliás, com o humanismo, em seu sentido amplo. O local e o universal foram igualmente privilegiados, tendo como pano de fundo as nossas tradições.

De forma lúdica, misturando português, hebraico e inglês, os pequenos artistas, com muita alegria, falaram os seus textos e cantaram canções da melhor qualidade nesses três idiomas. Mas, o que mais me encantou é que conseguimos curtir as suas carinhas, sem muitos efeitos especiais e sem fantasias mirabolantes, que evidenciaram uma estética muito própria do Barilan.

Aliás, observa-se que essa escola judaica está buscando tanto em sua configuração física, como pedagógica, dar um passo gigantesco, antecipando o futuro, demonstrando que inovação e tradição podem chegar a um denominador comum, qual seja a felicidade dos seus alunos.

Exultante com o espetáculo assistido, parti célere para o bazar da WIZO, indo ao encontro de uma multidão de vendedoras, com o símbolo WIZO no coração, e compradores ávidos, por fazerem bons negócios. Tanto umas, como outros, demonstrando que o bem comum pode ser alcançado, quando o respeito ao próximo é a regra básica de convivência institucional e pessoal.

Estávamos todos ali nos confraternizando, abrigados por uma escola pública do Município do Rio, em plena Copacabana, com o sol brilhando lá fora e a esperança de um novo tempo para a nossa cidade. Sucesso total!

Mas esse domingo ainda seria mais espetacular para mim. Cheguei em casa no finalzinho do jogo do “mais querido”, a tempo de assistir o gol de empate e o pênalti convertido em vitória, no último minuto. Foi demais para um coração rubro-negro assistir a vitória de seu time, e, ainda, roubar a posição do seu maior rival.

Foi uma autêntica prova de esforço para o coração dessa vó, mulher WIZO e torcedora apaixonada!

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