E a palavra de 2017 é…

Em todo final de ano, aparecem as famosas listas de personalidades e fatos marcantes, que são destacados pelas diferentes mídias, como que sintetizando o que vivemos de melhor e de pior nos últimos 365 dias.

Nesse contexto, uma seleção que me chamou atenção diz respeito à “Palavra do ano”, eleita pelos editores dos dois dicionários mais importantes da língua inglesa.

O “Collins” elegeu o termo “Fake News”, que significa notícia falsa, informação fabricada disseminada pela imprensa impressa ou eletrônica, que serve a interesses não confessados, de algum grupo em particular. Foi a expressão mais usada nos discursos do Presidente Trump, por exemplo. E já há toda uma mobilização mundial para combater essa praga, que tem a força de interferir em processos eleitorais legítimos.

Na seleção desse dicionário inglês foram listados também, entre outras, as palavras:

– Echo Chamber, que corresponderia a uma câmara de eco. Seria um ambiente na mídia social, em que todas as opiniões dos participantes são curtidas e aprovadas, já que todos compartilham a mesma visão de mundo e de história.

– Unicórnio, que é aquela criatura imaginária, retratada como um cavalo branco, com um chifre no meio da testa, visto como um símbolo de inocência e pureza. Transformou-se num negócio que já envolve 2 bilhões de dólares.

– Gender-fluid, que significa não se auto identificar com um gênero, mais do que com outro. Essa escolha confirma como a questão de gênero está surfando na crista da onda, em nossos dias.

Já o Dicionário Oxford, que no ano de 2016, havia eleito como palavra do ano o termo “Pós verdade”, esse ano escolheu a expressão “Youthquake”, que se traduz como “Terremoto jovem”. Significa uma mudança cultural, política ou social relevante, provocada pelas ações ou influência de pessoas jovens.

Explica o Oxford, que essa expressão surgiu em 1965, mas que só em 2017 ela apareceu como decisiva nos resultados das principais eleições no velho continente. Os votos da geração “millenium” fizeram a diferença tanto no Brexit, como nas eleições para o parlamento inglês, impingindo uma derrota avassaladora para a primeira ministra. Macron, por sua vez, na França, também teve o apoio dessa parte mais jovem do eleitorado.

Enfim, a própria esperança de dias melhores, expressa pela juventude europeia, tenha sido a motivação para que os editores elegessem “Youthquake” como a “Palavra do Ano”.

Em lugar de destaque, também, ficou a hilária expressão “Milk Shake Duck”, em sentido literal, um pato de milk shake. Refere-se a um fenômeno de mídia, que se faz famoso instantaneamente. Mas a admiração do público dura pouco, pois logo é revelado algum mal feito grave de seu passado. E a sua imagem se derrete.

Pensando no nosso entorno, desafio os leitores a elegerem a nossa “Palavra do Ano”. Aviso que não pode ser lava-jato, nem impunidade, nem corrupção, nem violência, nem esquerdopata, nem reforma, muito menos, previdência.

Para dar uma pista, encerro com um texto de Adam Gopnik, da revista “The New Yorker”, citado por Marcelo Barreto, no “Globo”:

– “De todos os preconceitos dos comentaristas, o presentismo é o mais forte. Trata-se da suposição de que o que está acontecendo agora, vai continuar acontecendo, sem que nada aconteça para impedir”.

Ah! Pessimismo também não vale!

 

 

Comente