E o nosso planeta completa mais uma volta

Parece incrível, mas outro ano passou. Embora os meses no calendário judaico sejam lunares, o ano judaico tem, como no calendário gregoriano, 365 dias, pois o sistema da contagem do ano é lunissolar, portanto o ano termina quando a Terra completa o seu movimento em torno do sol.

Para esta conta dar certo, os anos judaicos podem ter 12 ou 13 meses. Complicado mas dá certo há mais de 3 mil anos. E o que mudou neste ano que passou?

Havia conflitos? Claro. Foram resolvidos? Não. O que nos reserva o Novo Ano que já está à porta?
Infelizmente nada que nos faça mais felizes.

Milhares de mulheres e homens, de boa ou má vontade, trabalham em centenas de organizações locais ou internacionais para melhorar as falhas da humanidade.

Bilhões de homens, mulheres e crianças dependem do que eles fazem ou deixam de fazer. E a vida continua.
A guerra na Síria ainda não terminou. As lutas continuam no Yemen, em Burma, a líder do país, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz, continua a cometer genocídio da minoria muçulmana, obrigando-a  fugir para Bangladesh para salvar a vida, na África, como na África, na Ásia um novo megalomano – Kim Jong-un – o supremo líder da Coreia do Norte ameaça destruir metade do mundo com suas bombas atômicas ou de hidrogênio, enfim não temos expectativas de um novo ano doce como mel.

Neste canto da Ásia, o Oriente Médio, Qatar continua cutucando todos os seus vizinhos, Israel e os palestinos continuam discutindo e a mãe Natureza, castigando seu filhos com furacões, terremotos, seca, fome  ( 11% da população mundial não tem o que comer ), calor intenso, incêndios, chuvas torrenciais, tornando a vida neste planeta difícil mas, certamente, nada monótona.

O Hamas continua conversando com os egípcios, que estão enxergando a expansão do Irã na região e mudando a estrategia, tornando-se relevante no quadro geopolítico, tentando ajudar Abbu Mazzen a extender o seu governo à Gaza.

Simultaneamente estão tentando conseguir um acordo com Israel, no qual o Hamas daria informações sobre os civis israelenses presos em Gaza, bem como, sobre os restos mortais de dois combatentes, em troca dos corpos de 19 terroristas mortos em Israel.

Não se respeita mais nem os mortos.

Mas a complicação em Gaza continua, apesar da colaboração do chefe do Serviço de Informações do Egito, que está tentando aproximar a liderança do Fatach – Abbu Mazzen – com a liderança do Hamas, que reconhece a sua dificuldade de administrar as necessidades vitais da população  e está disposta a continuar na função de força militar, dissolvendo o governo civil – o governo de sombras – como é denominado por Abbu Mazzen.

Um novo tipo de Hesbollah. Que a Autoridade Palestina cuide do esgoto, água e todos os serviços que o governo tem que prestar à sua população e eles vão cuidar de terrorismo e das guerras.

Abbu Mazzen não está muito interessado neste tipo de sociedade e não respondeu à proposta, alegando que é necessário negociar, discutir, pensar.

Não quer receber como herança uma população de 2 milhões de pessoas, privada das mínimas necessidades de vida, sem bases financeiras, pois o dinheiro, o Hamas emprega em túneis e material bélico.

Os países árabes da região, que já concluiram que o problema entre palestinos e israelenses não é mais o foco do conflito na região, deixaram de apoiar financeiramente o governo de Gazza e estão mais preocupados com a presença do Irã, com o futuro da Síria e do Iraque.

Não sei quantas gerações terão que passar para o mundo entender que o problema do Oriente Médio não é entre Israel e os árabes, mas sim entre os árabes e eles próprios.

A ABERTURA DA ASSEMBLEIA DA ONU


Como todos os anos, em setembro, a mesma exibição da incompetência política mundial. Presidentes, primeiros ministros, todas as altas autoridades do mundo se reunem em Nova York, na sessão de abertura da Assembleia Geral da ONU.

Todos hospedados nos mais luxuosos hoteis, comendo nos melhores restaurantes, vestindo os ternos mais elegantes e os vestidos ou outros trajes dos mais famosos estilistas, um festão à custa do dinheiro público.
Os discursos já conhecemos dos anos anteriores, Netanyahu vai falar sobre o Irã concorrendo com Trump, que vai abordar o mesmo tema.

Às margens das sessões plenárias, os encontros entre os líderes mundiais de acordo com os interesses de cada país ou grupo de paises.

Depois da festa, todos voltam aos seus domínios, as guerras continuam, a fome arrasando enormes áreas da África, a imprensa festeja e ficamos esperando pelo Novo Ano.

Na 2ª feira, 18/9, Netanyahu e Trump se encontraram, no hotel Palace onde o presidente americano está hospedado. Foi transmitido aqui ao vivo, no horário nobre dos noticiários da TV, às 20h.
Lindas palavras de elogio mútuo  são almas gêmeas. O tema foi o acôrdo nuclear com o Irã, assinado por Obama e criticado obecessivamente por Netanyahu, que segundo as notícias, quer convencer Trump a anular o documento. Como se Israel pudesse intervir num acordo assinado por seis potências e o Irã.

Nem Trump pode anular. Seus ministros da Defesa e do Exterior, seus chefes militares opinam que o Irã está cumprindo o prometido  e o meu primeiro ministro vai ensinar os padres a rezar.

Hoje, 3ª feira, Netanyahu vai discursar perante a Assembleia Geral. Dizem que vai falar algumas frases em na língua persa. Mais um balão de auto promoção.

Outras informações secretas anunciam que Netanyahu e Abbu Mazzen vão se encontrar na 4ª feira, antes da sua volta para casa. Vai chegar minutos antes do início de Rosh Hashaná.
Chega!

OS CHINESES DESCOBRIRAM ISRAEL

O ministro do turismo com a tripulação chinesa

As relações entre China e Israel são muito corretas, apesar das diferenças ideológicas e do apoio chines à causa palestina. Como diplomatas, os chineses tem o que ensinar ao mundo ocidental.Estou me referindo à descoberta turística.

Muitos chineses visitam Israel, pois as trocas comerciais entre os dois paises é muito intensa, além da “exportação” de mão de obra, principalmente, para o setor de construção civil, onde os chineses revelam muita competência profissional, responsabilidade e disciplina.

Uma empresa chinesa ganhou a concorrência para excavação de túneis subterrâneos no projeto do trem de superfície em Tel Aviv e também nos túneis da estrada de ferro entre Tel Aviv e Jerusalém.
Projetos bilionários para a China.

Amigos, amigos, negócios à parte não faz parte do ” lexicon ” chines, portanto por que pagar à El-Al pelos voos?

Em 11/9/2017 a Hainan Airlines inaugurou o primeiro voo de Shangai para Israel . O ministro do Turismo de Israel, Yariv Levin, esteve na China onde assinou vários acôrdos com as gigantescas empresas chinesas de turismo. A previsão é de 100 mil turistas chineses até o final do ano.
Bem vindos !!!!

DADOS ESTATÍSTICOS

As crianças e as estatísticas positivas

Às vésperas de Rosh Hashaná, o Serviço Nacional de Estatística publicou o relatório de 2016/2017 .A população de Israel chegou aos 8. 743 .000 habitantes, dos quais 6.253.00 são judeus – 74,6%
1.824 . 000, árabes, que representam 20,9% da população israelense. Outras minorias num total de 396.000 , 4,5% .

Esta população vive em 255 Autoridades locais assim divididos: 74% vive em cidades , 14,9 % em conselhos municipais , 10,1% em conselhoe regionais e 0,8% em locais sem status municipal .
Os 88% da população se considera feliz com a vida que leva e 21% se declaram tensos.

São 181. 405 bebês que nasceram em 16/17 , colocando Israel em 1º lugar no índice de natalidade dos paises da OECD – Organization for Economic Co-operation and Development – 3.31 .
São 25.977 novos emigrantes – olim- chegaram a Israel neste último ano, 57% dos quais, oriundos dos paises a antiga União Soviética.
Este enoooorme país, tem uma área de 22.072 km2, dos quais, 98% é área terrestre e 2% aquática – Kineret e o Mar Morto.

Na área terrestre, 64,7% são rochas, arbustos, terra escavada, terrenos. Apenas 5,65 é área construida. São 7,3% de florestas, bosques e parques nacionais, 20% é terra agrícola.

Do ponto de vista tecnológico, 96,9% das famílias tem telefone celular e 80,3% tem computadores em casa.

A vida média das mulheres é de 84 anos e dos homens, coitados, 80 anos. Se voces quiserem receber muito mais informações, basta entrar no site do Serviço Nacional de Estatística e ler o que quiserem em português.

A DIREITA E A SUPREMA CORTE
Nas duas últimas semanas o Supremo Tribunal teve que responder a algumas petições como “Bagatz” Beit Hamishpat Hagavoa LeTzedek, ou seja, como Supremo Tribunal de Justiça.As petições estavam a ligadas a problemas cruciais do povo israelense como o Shabat, o monopólio da Rabanut Harashit ( Rabinato) e a lei da igualdade de direitos e obrigações que inclui o serviço militar obrigatório.

Cada ítem, escrito em tão poucas palavras, representa a base da Constituição de Israel, ainda incompleta, tem somente as Leis Básicas e está em debates desde a criação do Estado de Israel, há quase 70 anos.

Existe um “status quo” que foi aceito por todas as facções do povo com a declaração da independência, mas a politização dos religiosos, que sempre foram a minoria, trouxe a coerção religiosa como fiel da balança na formação das coalizões governamentais.

O monopólio do Rabinato atua em todos os momentos da vida de cada judeu em Israel, desde o nascimento até a morte – o brit-milá, o casamento e divórcio (não existe casamento civil em Israel), o enterro, a kashrut da comida.

Não importa se o cidadão é até ateista, em Pessach é proibido vender chametz, os donos de restaurantes, bares, tudo que tiver ligação com alimentos, tem que exibir a Teudá de Kashrut do Rabinato, é como um Big Bother dentro da tua alma.

O respeito ao Shabat, que está incluido tambem nas leis básicas do Estado, era bem mais flexível quando os religiosos não eram uma força tão politizada e cada vez mais fanática.

Hoje eles controlam todos os aspectos da vida – transportes, funcionamento de serviços indispensáveis, diversão, até serviços médicos de urgência, o tradicional futebol dos sábados, tudo.

De outro lado, os religiosos reclamam da coerção dos hilonim – os laicos – que ferem a sensibilidade e os valores judaicos que são intransponíveis para eles. E isto diz respeito tambem ao serviço militar.
” Kan kavur a kelev”, um ditado muito corrente em Israel que significaria em portugues , “até aqui!” literalmente : aqui está enterrado o cachorro.

Não há Cristo que os convença que não é possível separar dois tipos de sangue: o que corre nas veias dos soldados caidos e o que corre nas veias dos talmidei Torá.

No governo anterior de Netanyahu, Yair Lapid do Yesh Atid, era ministro e conseguiu que a lei que obrigava os religiosos a prestar serviço militar ou serviço social em benefício da comunidade, fosse aprovada.

No atual governo, aboliram a lei. Na semana passada, o Supremo decidiu em sessão especial com 7 juizes, revogar a lei aprovada na Knesset, atendendo a apelação de várias entidades e particulares.

Em reuniões anteriores, o Supremo aboliu mais duas leis aprovadas pela Knesset, levando à ebulição a tolerância da maioria governamental na Knesset e principalmente da ministra da Justiça e seu colega de partido (Habayt Hayehudi ), Naftali Benet, ministro da Educação.

Ambos estão redigindo um projeto de lei que contorna o Supremo, permitindo que leis abolidas pela Corte Suprema sejam novamente aprovadas pelo Parlamento.

Censuram de forma grosseira a atuação dos juizes , que dizem ser interventores , que é preciso moderar o poder do Supremo Tribunal.

Nos meios jurídicos consideram o comportamento da coalizão como um ultraje ao Supremo Tribunal e uma agressão à democracia.

Quanto aos haredim, realizaram no domingo em Jerusalém, uma manifestação gigante contra a prisão do filho de um dos seus rabinos, que não compareceu ao registro da sua convocação .
Tanto a polícia como os manifestantes , usaram de muita violência.

Foi um espetáculo indigno num país democrático. Apesar das ofensas e agressões dos haredim, a polícia deve manter a ordem sem usar tanta força, afinal são profissionais que aprendem como superar as suas reações pessoais. Nota zero para a polícia.

Tudo isto acontecendo antes do Novo Ano. Muita gente vai ter que jejuar dois dias em Yom Kipur e pedir muitas desculpas ao Todo Poderoso para ser perdoado e inscrito no Livro da Vida .

SHANA TOVA UMETUKA PARA OS NOSSOS LEITORES E PARA TODO O POVO JUDEU !

 

 

 

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