Férias

Viajar sempre foi o meu maior hobby, aliás, há muito tempo não planejava  ficar tantos dias de férias e  com os meus pensamentos voltados,  exclusivamente, para os novos  lugares que sempre quis conhecer.

A oportunidade bateu à minha porta, este ano, com o convite de um amigo que mora há anos na Suiça.

-Quando você virá à Basiléia?

-Em 2018! – Respondi, em meados do ano passado.

Com o plano em mente, encontrei, ocasionalmente, uma amiga, que já não falava há tempos e conversa vai, conversa vem, o tema Suiça veio à tona:

-Estou pensando em conhecer a Suiça no ano que vem…

-Sério? Meu sonho sempre foi conhecer a Suiça! Posso ir com você?

-Pode! – respondi, sem muita convicção de que ela iria levar a sério a viagem.

Alguns meses depois, minha amiga, ligou:

-E aí? Quando vamos comprar a nossa passagem para a Suiça?

Bem, diante da animação, começamos a estudar o nosso roteiro.

-A Basileia fica pertinho da Alemanha.

-Então vamos para a Alemanha também?

-É…podemos, mas vamos ter que ficar mais dias…

-Tudo bem!

Na semana seguinte, um novo telefonema:

-Denise, estou vendo aqui no mapa, que de Berlim para Praga é um pulo…

De Praga para Viena  foi mais rápido ainda e acabamos incluindo no nosso roteiro cinco países. O que iria ser uma viagem de férias, de no máximo 10 dias, se transformou em uma viagem de quase 1 mês.

-Minhas amigas da Yoga estão achando um absurdo, eu  deixar meu marido sozinho quase 30 dias.

-Quer desistir? – perguntei tentando evitar uma crise conjugal involuntária.

-Claro que não vou desistir! Meu marido não gosta de viajar! Se não for com você, dificilmente, vou conhecer a Suiça!

-Ok! Então, vamos!

Assim, embarcamos no último dia 2 de fevereiro, saindo do verão carioca, às vésperas do Carnaval  para chegar  no inverno europeu onde a temperatura varia de menos alguns graus até uns  2 graus.

Quando chegamos no aeroporto internacional do Rio, perguntei a minha amiga, como estava o seu inglês.

-Ah…falo algumas coisinhas….

Frankfurt foi a nossa primeira parada e assim que chegamos, procuramos um setor de informações para saber de que forma iríamos chegar ao hotel.

O rapaz  olhou o nosso endereço  e disse que ficava há uns 12 minutos do aeroporto, que o valor do táxi seria em torno de 33 euros.

Minha amiga olhou para mim, olhou para o rapaz e perguntou em um bom português:

– Onde pegamos o táxi?

O rapaz sorriu e não respondeu por motivos óbvios.

Então perguntei em inglês, onde pegaríamos o táxi.

Agradeci:

-Thank you

Ela agradeceu:

-Obrigada!

Ao chegar no hotel  pedi algumas informações em inglês, naturalmente, mas minha amiga complementava em português.

-Você não disse que falava um pouco de inglês?

-E falo! Yes, no, thank you…

-Não adianta falar em português com as pessoas, que elas não vão entender, acrescentei.

-Claro que entendem!- Insistiu.

Chegamos há dois dias em Berlim. Estamos num hotel bem simpático e logo na recepção um outro rapaz louro com olhos azuis nos atendeu.  Após algumas informações, minha amiga de novo fez uma pergunta em português:

-Onde tem um bom restaurante de comida alemã?

Antes mesmo que eu voltasse a repreendê-la, lembrando que não estávamos no Brasil  e que as pessoas não falam a nossa língua, o rapaz respondeu num português com sotaque alemão:

-Eu falar português , conheço Som Paulô e Rio de Janerro .

Bem diante do inusitado, minha amiga não parou mais de falar em português…Em alguns lugares, as pessoas, acho que por dedução (e mímica) entendem uma parte a outra, eu “traduzo”…

Está divertido e até ao final da viagem ainda vou ter muitas histórias para contar.

Auf Wiedersehen!

Comente