Henryk Ross, Memórias da vida no gueto de Lodz

Henryk Ross nasceu em Wasaw, Polônia, em 1910. Casado, tinha uma vida normal, estudando e trabalhando no que mais gostava, fotografia. No final de 1939, sua vida mudou completamente, pois era um judeu vivendo na Polônia, e antissemitas tomaram casas e invadiram cidades, obrigando esses judeus a usar uma estrela amarela.


Um desses guetos foi o de Lodz, onde em 1940 viviam mais de 160.000 judeus. A comunidade vivia nesse espaço cercado de arame farpado e rodeado de guardas alemães. A comunidade era governada por um conselho judaico formado por judeus escolhidos pelos nazistas. O gueto era um expressivo centro industrial que produzia suprimentos essenciais para os alemães durante a guerra. Devido a esse fato, o gueto de Lodz foi preservado até agosto de 1944.
No gueto de Lodz, Henryk vivia e trabalhava como fotógrafo no Departamento de Estatística do Conselho Judaico durante a ocupação nazista e pôde documentar as atrocidades cometidas, como os enforcamentos públicos. Parte de seu trabalho era tirar fotos de identificação e, em um mesmo negativo, ele aproveitava e fotografava pessoas fazendo fotos não autorizadas.

Assim, Ross fotografou cenas da vida no gueto, crianças cavando à procura de restos de comida, grupos de judeus sendo deportados, enfim, negativos que se tornaram documentos importantes e que ele enterrou dentro de uma caixa.

Em 1944, os nazistas receberam ordens para liquidar o gueto e apenas alguns moradores foram deixados para trás a fim de limpar os prédios. Ross e sua esposa estavam entre esses limpadores.

Em janeiro de 1945, após o exército vermelho ter libertado a Polônia, ele desenterrou a caixa, sendo que metades dessas 6.000 imagens estavam salvas.

Ross testemunhou o julgamento de Adolf Eichmann em 1961, e suas fotos provaram os crimes cometidos pelo nazista.

O casal imigrou para Israel em 1950 e Ross levou a caixa de negativos com ele. Pelo resto de sua vida ele não conseguiu ficar longe deles ou de suas memórias. Henryk Ross nunca mais fotografou, falecendo em Israel em 1991.
As fotos de Henryk Ross estão expostas no Museu de Belas Artes de Boston até julho de 2017.

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