Israel é um campo de refugiados


Em outubro de 2013, Amós Oz, um dos mais premiados  escritores, jornalistas e intelectuais israelenses, recebeu em Praga, o Prêmio Kafka.

Nasceu em Jerusalem, em 1939, filho de refugiados judeus expulsos da Europa, no início da 2ª Guerra Mundial.

Na cerimônia de entrega do prêmio, proferiu um discurso, que faço questão de citar alguns trechos, porque é uma síntese perfeita do problema entre Israel e os palestinos.

“…sou  filho de refugiados judeus expulsos da Europa com violência, sorte a deles: se não tivessem sido expulsos nos anos 30, teriam sido assassinados nos anos 40 .”

“Ainda guardo comigo a ambivalência dos meus pais a respeito da Europa: saudade e raiva, fascinação e frustração. Idealistas que debatem e discutem infinitamente entre si.

Refugiados e sobreviventes que se esforçam para construir  uma pátria  para si, apesar de todas as adversidades.

Israel é um campo de refugiados. A Palestina é um campo de refugiados. O conflito entre israelenses e palestinos é um choque trágico entre dois direitos, entre duas antigas vítimas da Europa tentando ver, cada uma na outra, a imagem da sua opressão passada.

Os judeus israelenses não têm outro lugar para onde ir  e os árabes palestinos tampouco . Não podem se unir em uma grande família feliz, porque não são nem família nem felizes: são duas famílias desgraçadas.

Creio firmemente em um compromisso histórico entre Israel e a Palestina, uma solução de dois estados . Não uma lua de mel e sim um divórcio justo, que coloque Israel ao lado da Palestina, com Jerusalém Ocidental como capital de Israel e Jerusalém Oriental como capital da Palestina.”

Esta é a opinião de muitos em Israel, a solução para o problema. A dificuldade reside na impossibilidade das lideranças concordarem. Pelo menos até agora.

O presidente Trump, apesar dos seus problemas bélicos com a Coreia do Norte e a Venezuela, ainda não desistiu de atuar frente  aos israelenses e palestinos, na busca de um horizonte político-regional, e proximamente deverão chegar em Israel, mais uma vez, os seus representantes para assuntos do Oriente Medio: Kushnir e Grinblat .

Quem sabe os ares de um novo ano judaico, em setembro, tragam energias positivas para o reinício das conversações. Amen.

DE VOLTA À ROTINA – ERRO DE IDENTIFICAÇÃO
No sábado, um palestino caminhava sem preocupação nas redondezas da cidade velha de Jerusalém, quando uma mulher palestina atacou à facadas, um haredi que caminhava pelo mesmo local. O judeu, vestido com toda a pompa de shabat, conseguiu escapar dos golpes, mas a terrorista não desistiu, viu um jovem vestindo  uma camiseta com dizeres em hebraico, não duvidou  e o esfaqueou.

A camiseta o denunciou, mas o coitado não era judeu e sim árabe palestino, que sofreu ferimentos leves das facadas de uma mulher árabe palestina. Erro de identificação. A terrorista foi presa. Nem palestino escapa.

MEGA MANIFESTAÇÃO DE APOIO A NETANYAHU


Confesso que não gosto de escrever a cada semana, críticas a Netanyahu, afinal ele é o primeiro ministro do país que eu escolhi para viver. Mas não posso escrever inverdades.

O homem é um poço de problemas e mesmo os políticos que estão com ele na coalizão, no partido, passam por momentos difíceis quando não estão dispostos a ser entrevistados na mídia para defende-lo em mais uma investigação que se aproxima.

O líder da coalizão na Knesset, deputado David Bitan, tem suado muito para convencer os seus pares a dizer uma palavra boa sobre Netanyahu.

Ele está presente em todos os noticiários, em todas as manchetes, só críticas, mais uma suspeita de fraude, cansa. Todos pensam que ele tambem deve estar cansado.

A família tambem está envolvida, mulher, filho e até a cadela, Kaia , também aparece no Twitter, Facebook .

Então resolveu-se fazer uma demonstração de apoio a Netanyahu, algo que entrasse na história do Likud, que mudasse a atmosfera pesada anti Netanyahu.

Aconteceu na 4ª feira  passada, em Tel Aviv, num dos pavilhões do Parque-Jardim das Exposições – Ganei Hataaruchot com a presença de todos ou quase todos os deputados e ministros do Likud, que foram recrutados à força pelo deputado David Bitan, o trator que move o partido.

Calcula-se que 2 mil ativistas, simpatisantes e interesseiros lotaram o espaço do pavilhão. Quem são estes 2 mil ? Os caçadores de votos profissionais, os membros da Central do partido, os beneficiados com cargos públicos, os interessados em conseguir um “pistolão” e também as pessoas simples, adeptos do Likud , que vêm em Netanyahu um rei.

O Principe Herdeiro Yair Netanyahu

O primeiro ministro veio acompanhado da querida esposa Sarah, que tambem foi ovacionada, pois já foi declarada culpada num processo de fraude com dinheiro público, portanto necessitando de um abraço dos súditos.

O discurso do primeiro ministro foi uma ofensa à inteligência do povo, que assistia a transmissão, em  todos os canais da TV israelense.

Em resumo, Netanyahu disse que a mídia é culpada de tudo, ele é inocente, todas as acusações contra ele são consequência de uma perseguição obsessiva dos jornalistas. Interessante notar que o atual Chefe da Polícia, Alsheik, foi nomeação de Netanyahu, o Conselheiro Jurídico do Governo, Mandenblit, idem e eles são os responsáveis pelas investigações, não a mídia.

Declarou que a imprensa quer derrubar o governo à força, não o seu governo, mas toda a direita política, derrubar o Likud, ou seja , ele , Netanyahu é o governo, a direita e o partido.

Deixou claro que Alsheik e Mandenblit devem se cuidar, antes de abrir um processo policial contra a Autoridade Máxima do país.

Lembrou muito as assembleias que vimos na TV, na época de Stalin e outros líderes soviéticos que eram aplaudidos pelos milhares de seguidores cegos a cada palavra que diziam.

Cada povo tem o governo que merece, diz o ditado popular, com certeza, na impossibilidade de trocar o governo, teremos que trocar o povo …

ALGO POSITIVO
Em Israel, apenas 14 cidades tem população superior a 100 mil habitantes. Ruas ou estradas separam duas cidades, que em termos de Brasil seriam no máximo, bairros da mesma cidade.
Esta situação é difícil de ser resolvida por razões ideológicas, políticas e também pelo ego desenvolvido demais . É mais importante ser prefeito do que ser chefe de um conselho municipal ou regional.

A dificuldade na existência de muitas autoridades municipais reside na multiplicidade dos serviços prestados às populações, cujos custos são altos, pelo número de funcionários ou trabalhadores em relação aos impostos recolhidos.

Por exemplo, recolhimento de lixo, o mesmo caminhão pode trabalhar 2 horas ou 10 horas, se houver uma união das municipalidades , baixando muito custo dos serviços. A mesma lógica é aplicável aos serviços de eletricidade, água, esgotos, outros.

A tentativa de unir duas cidades, não deu certo, nenhuma quer perder a sua identidade e os políticos não querem perder os seus cargos, mas o Ministério do Interior, finalmente, encontrou uma solução melhor: não uma fusão de autoridades mas a formação de Distritos Regionais constituidos por 3 ou 4 cidades maiores e menores, árabes e judias, com maior e menor população, situadas na mesma região.

Assim sendo, 93 Autoridades Locais atenderam a proposta do Ministério do Interior de formar Distritos regionais que  iriam colaborar em vários setôres, como: lixo e fiscalização do meio ambiente; atividades culturais e esportivas ; planejamento e melhoria do transporte urbano; turismo; parques e jardins comuns; prontidão para urgências; desenvolvimento econômico;planejamento a longo prazo e instituições especializadas para pessoas inabilitadas ou com problemas especiais.

Se o plano der certo, veremos em futuro breve, um desenvolvimento muito grande nos Distritos regionais , com uma economia sensível nos custos e serviços melhores para a população.

Os distritos que estão sendo planejados são: Tiberíades, Beit Shean, Baixa Galileia, Turan e Ma’ar. Kyriat Ata, Kyriat Bialik, KyriatYam, Shfaram, Rechassim. Raanana , Kfar Saba , Kfar Kassem e Taibe e a lista é longa.

Na minha modesta opinião, o grande passo de importância social  é a colaboração estreita entre comunidades árabes e judias, que ao invés de lutar uma contra outra, vão batalhar juntos para conseguir melhoras coletivas .

Kol Hakavod para o ministro do interior, Arieh Deeri, do partido Shass, agora envolvido tambem em fraudes.  Que tenha sucesso nesta iniciativa.

FESTIVAL DE DANÇAS DE KARMIEL


Este é o 30º ano do famoso Festival que contou com 100 apresentações  10 mil dançarinos de Israel, Georgia, Tcheca ,India , Jordânia , Estados Unidos e mais dezenas de paises , para um público de mais de 250 mil pessoas que lotaram o Auditório da cidade , o anfiteatro e outras salas de espetáculo.
Como sempre, sucesso!
Já estão abertas as inscrições para o Festival de 2018 .
Venham!

O AQUECIMENTO NA FRONTEIRA NORTE
A guerra da Síria está se aproximando do final, depois de 6 anos  sangrentos. Como sempre no Oriente Médio, tudo é mais complexo .À medida que o Daesh vai recuando do território sírio  e se aproximando da fronteira com a Jordânia e Israel, as milícias xiitas comandadas pelas forças revolucionárias do Irã, vão ocupando o vácuo para expulsar o Daesh e formar uma continuidade territorial desde o Irã até a Jordânia.

A proximidade atual do Daesh se transformou num sério problema para Israel e Jordânia , que terão que juntar fôrças , apesar das zangas do rei Abdalla  para combater o inimigo comum número 1 –Daesh – e em seguida , o inimigo número 2 – as milícias xiitas engrossadas pelo Hisbolla .
Os próximos meses neste nosso bairro serão quentes.
Até a próxima, queridos leitores.

SHALOM ME ISRAEL !

2 Comentários

  1. NELSON NISENBAUM
    NELSON NISENBAUM 15 de agosto de 2017 at 21:30 |

    Mais uma contribuição brilhante, irretocável.

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  2. bb
    bb 17 de agosto de 2017 at 12:23 |

    Uma solucao justa, Nao passa por jerusalem oriental estar de posse dos Palestinos, longe do pensar da maioria dos palestinos que apoiam o Hamas, Hezbolah, Irmandade Muculmana, liga do norte e tantos outros que nem sequer sentam a mesa de negociacao e querem nossa eliminacao pura e simples.
    Eu realmente nao sei quem Amos oz diz serem nossos parceiros para a paz, afinal tudo isso foi proposto quase na integralidade por Olmert, e nao avancaram um milimetro. Essa somente foi uma das inumeras oportunidades nao aceitas pelos palestinos. Mas sabemos do estatuto do Hamas e do Fatah.
    Quem pode pensar que o Muro e o Monte do Templo esteja na mesma situacao entre 1948 e 1967. Para se ir aos lugares santos em judeia samaria, as vezes soh com comboios escoltados e muitas vezes a noite. O retrospecto do Oriente medio na ultima decada nao recomenda apoiar-se em uma pretensa defesa de lugares santos pelas forcas civilizadas.
    Existem varias opcoes de um divorcio justo, nao sendo a unica a volta das linhas de Awshvitz, segundo Abba Eban. Amos tem uma tara em voltar as fronteiras indefensaveis de 1949. Na partilha, Jerusalem seria cidade aberta, sem soberania , Amos Oz defende a parte judaica sob soberania do Hamas. lembremos quando os tanques e canhoes Jordanianos a ocuparam ,expulsaram os Judeus, destruiram os cemiterios e transformaram o muro em um imenso banheiro, ninguem fez Nada! Ninguem fara nada se destruirem todos os lugares santos novamente, o passado presente ja registra. Amos Oz esquece ou finge nao lembrar.
    Quem sabe em pessach mudemos nosso lema de no ano que vem em Jerusalem, possamos trocar, no ano que vem em Tel Aviv. Mas eh uma questao de tempo ate os palestinos do Hamas tambem exigirem Tel Aviv, e conforme seu estatuto, sem judeus.
    Sim Sra Piderwasser, Israel voltou a ser um Guetho. As ditas leis internacionais, artistas e intelectuais so miram para Israel ou somente a exclui, Logo se nao se aplicam a todos, nao sao leis internacionais e perdem o conceito Moral. BDS, Human Rights nao se ocupam de outros paises, como Saara ocidental, Siria, Ira, Iraque, Venezuela, para citar poucos. Mas discriminam e apontam somente Israel, com o proposito de nao fazer nada nos outros casos. Essa eh a razao da satisfacao em rotineiramente acusar Israel. Inclusive Amos Oz.

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