Israel Utopia ou realidade?

Manifestação dos haderim em Jerusalém

Há alguns dias deparei-me com esta indagação, de uma forma que me deixou perplexa. A propósito de uma matéria informativa enviada para o Brasil que abordava o debate que acompanha Israel há 70 anos, ou seja, desde a criação do Estado, sobre a isenção de serviço militar concedida aos haredim (estudantes da Torá nas Yeshivot), fiquei sabendo que as instituições comunitárias judaicas não publicam nos seus informativos, material que possa despertar antagonismo nos seus leitores.

Conclui que Israel, na mente dos judeus da diáspora, é ainda uma Utopia, não uma realidade. Israel é a terra do leite e do mel, da Torá, do Cântico dos Cânticos, dos Dez Mandamentos, do Povo Eleito. Israel é música, poesia, é o Kineret, o Mar Morto, Jerusalém e o Kotel. Israel é mística, espiritualidade, Casas de Oração (Batei Knesset). Israel tem céu e mar azuis, que enchem os olhos de beleza.

Israel é história, tradição, ruinas arqueológicas, Israel tem um longo passado, está construindo o presente para garantir o futuro.

Israel é uma realidade, é um país em ebulição, em formação, com uma sociedade ainda não cristalizada que está sempre em luta para encontrar seu ponto de fusão.

Não é fácil.

Dois mil anos de diáspora dividiram o povo expulso da sua pátria em mil fragmentos, como peças de um quebra-cabeça que agora está sendo montado.

Em cada lugar que estiveram, os apátridas aprenderam uma nova língua, ouviram outros sons, provaram diferentes sabores. Construiram bases para viver como comunidade, para proteger as suas tradições e manter a sua característica de povo.

Antes da diáspora, os judeus não tinham um livro de rezas. Os Cohanim rezavam no Templo de Jerusalém e o povo peregrinava nos feriados sagrados.

Na golá, a religião assumiu a função da nacionalidade perdida. Foram escritas as orações, construiu-se pequenas Casas de Oração, onde os judeus podiam rezar em conjunto.

Criou-se este conjunto de leis que regiam a vida dos judeus num meio hostil, de gentios e todo o esforço foi direcionado na preservação do judaismo, fugindo da assimilação.

Quando depois de 2 mil anos, o povo voltou à sua pátria, a maioria não falava a língua materna, o hebraico. Trouxeram outros hábitos, vestimentas, sons, sabores e outras tradições religiosas, que foram assimiladas dos povos, entre os quais viveram.

Assim, depois de 70 anos de vida em comum, as diferenças continuam: ashquenazitas, sefaraditas, orientais, com sub divisões de acordo com os países de origem: teimanitas, marroquinos etc etc , embora seus decendentes já sejam segunda ou terceira geração no país.

É o que se chama de “Gênio da Garrafa” . Usam de mil pretextos para libertá-lo e em toda situação de crise, ele sai da garrafa.

Entre os judeus religiosos a cisão é mais grave. Temos os reformistas, conservadores, tradicionais, religiosos-sionistas e os ortodoxos, subdivididos em sefaraditas e ashquenazitas.Os últimos são constituidos por dezenas de ramos, cada  qual com seu rabino e Yeshivá e ainda com seu partido político.

Os ortodoxos sefaraditas também têm o seu partido, lógico. Todos juntos e cada qual separado entende e interpreta as leis religiosas como querem. Até aqui, se aguenta. Porém, quando se chega às leis do Estado, só existe uma interpretação e quem julga o que está certo ou não, é o Supremo Tribunal.

Se os ortodoxos, não todos, mas de determinadas facções afrontam e desrespeitam as leis, qual deve ser a resposta do Estado? Apoiar a anarquia?

Dois segmentos da sociedade de Israel vivem em permanente conflito: os que cumprem a lei e prestam serviço militar e os que não cumprem. É um problema básico na vida dos israelenses.

Os judeus da golá não podem saber que em Israel existem conflitos sociais, guerras, mafiosos nas prisões, pedófilos, prostitutas e todos os males que afetam a todas as sociedades normais?

Os judeus do Brasil vão deixar de fazer aliá porque Israel é um país normal? Talvez os judeus brasileiros sejam mais sensíves, mas na Europa e nos Estados Unidos todas as notícias chegam, boas ou más, a mídia americana e europeia mantem correspondentes aqui.

Israel não é o Paraiso citado na Bíblia e nem seu povo é santo. E a imprensa é livre, como deve ser num país democrático.

Se as entidades judaicas querem só notícias cor de rosa, comprem um jornal ou arranjem um amigo rico que possa manter um jornal diário distribuido gratuitamente. Aqui em Israel temos um jornal assim.

SEM CHUVAS MAS COM FOGUETES
Sábado, às cinco da manhã, no norte de Israel, as sirenes de alarme tocaram. Quatro foguetes cairam em território israelense, na parte norte do Golan, disparados da Síria. Israel revidou, destruindo três canhões sírios em Kuneitra.  O presidente sírio Assad se apressou a apresentar queixa à ONU.

Como se não fosse o responsável pelos foguetes, que felizmente não causaram vítimas nem danos materiais.

A situação na fronteira norte está muito tensa e a presença do Chefe do Estado Maior iraniano em Bagdá, desde a semana passada, não contribui para melhorar o clima. Os dois paises assinaram vários acordos de colaboração, principalmente, na área militar.

Se a Rússia e os Estados Unidos não tomarem a decisão certa, brevemente o Irã estará estacionado na Síria, criando um problema grave para a segurança de Israel.

TERROR AGRÍCOLA
Os palestinos encontraram uma nova forma de terror: roubo de produtos agrícolas. Na noite de sábado para domingo, uma patrulha da Polícia de Fronteira, surpreendeu 57 palestinos sem visto de permanência em Israel, no auge do maior roubo de produtos agrícolas.

Vieram de uma aldeia da Faixa de Gaza, próxima a fronteira com Israel e já haviam colhido 24 toneladas de uvas e 5 toneladas de tomates, das estufas do moshav Shekef vizinho, que seriam vendidas pela manhã no mercado .

O produto do roubo já estava acomodado em baldes e caixas de plástico e sendo transportado para 4 veículos que os levariam de volta a Gaza.

Entre os ladrões haviam menores, que devido a idade, não foram detidos e sim, devolvidos a aldeia onde moram.

A palavra terror está bem aplicada, pois não só roubaram os frutos como tambem destruiram a plantação e causaram sérios danos à maquinária agrícola.

ABERTURA DO ANO LETIVO UNIVERSITÁRIO
Neste domingo, 22 de outubro de 2017, foram reiniciadas as aulas nos estabelecimentos de Ensino Superior – Universidades e Faculdades.

Cerca de 310 mil estudantes voltaram aos anfiteatros, aos laboratórios de pesquiwa, às bibliotecas , cafés e bares e também aos imensos gramados que cercam os prédios.

O sexo feminino constitui a maior parte dos alunos: 59%. Os homens, 41 %. Quanto à preferência pelos cursos ,18,9% optam pela engenharia e arquitetura, 18,6% pelas ciências sociais, 17% preferem educação e ensino. As demais matérias, como administração de empresas, matemática e computação, direito, profissões de auxílio médico, ciências humanas e ciências gerais, ficam entre 1,4% a 9,8%.

O ensino superior em Israel está dividido entre cinco categorias: Universidades Acadêmicas que são incluidas no orçamento governamental, num total de 20 Universidades para formação de professores, 21 Universidades de pesquisa, 8 Universidades sem apoio orçamentário , 12 Universidades Abertas

As principais Universidade de Israel são as de Jerusalém, Tel Aviv, Haifa e Beer Sheva. A todos os estudantes os votos de um ano letivo feliz , produtivo e, principalmente, de Paz.

DEMONSTRAÇÕES DE PROTESTO
Há meses, as demonstrações de protesto estão nas manchetes. As demonstrações em Petach Tikva, aos sábados à noite próximo a casa do Conselheiro Jurídico do Governo, Mandemblit , os protestos dos incapacidados que bloqueiam vias de transporte diàriamente e , nas últimas semanas , os haredim da facção jerosolimita, fiéis ao rabino Auerbach.

De acordo com as leis, todo jovem israelense recebe, alguns meses antes de completar 18 anos , uma convocação da Tzavá  para se apresentar em tal dia e hora no Centro de Recrutamento da região onde vive.

Os haredim também com uma pequena diferença dos demais jovens: só precisam vir, apresentar a convocação, ser identificado e receber o documento de isenção de serviço militar.

Mas os haredim da facção do rabino Auerbach, não reconhecem as leis do Estado e o não comparecimento significa deserção , cuja pena é prisão militar.

Depois dos Chagim, dois jovens desta facção foram presos por deserção o que foi um estopim que explodiu dando início a guerra contra as instituições do país e especialmente contra o exército.

Muitas demonstrações violentas foram realizadas , mas o auge foi na 5ª feira passada , quando foi decretado o Dia da Ira , da Raiva, da Indignação.

Um pouco depois das 12 horas , milhares de jovens haredim jerosolimitas , sairam às ruas em Tzfat , Modiin, Bnei Brak e Jerusalém, numa demonstração organizada nos mínimos detalhes, como uma ação militar , obstruindo as principais vias de tráfego nestas cidades. Em Jerusalém, conseguiram fechar o acesso e chegada à capital , durante 6 horas ! tambem no centro da cidade.

Os policiais destacados para manter a ordem, foram instruidos a não reagir às ofensas, à agressão física, às cuspidas e outros tipos de violência.

Desta vez, o público, nos carros, nos transportes públicos, reagiu tentando agredir os manifestantes, gerando um tumulto de grandes proporções.

Mais de 100 haredim foram detidos e os que se recusaram a se identificar até perante juiz foram detidos. Os demais foram liberados e multados por perturbação da ordem e do trânsito, no valor de 1.000 shekalim.

Esta é a realidade. O povo está dividido em dois segmentos: os que dão a vida pela pátria e os que vivem para a Torá. É proibido contar?

AMENIDADES


Está sendo muito comentado na mídia, que as duas conceituadas e famosas apresentadoras do Noticiário do horário nobre da TV, Yonit Levi do Canal 2 e Tamar Ish Shalom, do Canal 10, estão esperando pela terceira vez, a chegada da cegonha.
Mazal Tov!

REABERTURA DOS TRABALHOS DO PLENÁRIO DA KNESSET
Na 2ª feira , 23/10/17 , às 16 horas foi realizada a cerimônia oficial da reabertura dos trabalhos do Plenário do Parlamento de Israel .

O presidente da Knesset, Yuli Edelstein abriu a sessão com um discurso sem nenhum drama , seguido do discurso do Presidente de Israel, Reuven Rivlin, dramático, críticando severamente a atuação do atual governo , sem citar nomes nem cargos. Não lembro de algo semelhante.
À propósito, Rivlin é Beitar, Herut ou seja, Likud .

O discurso do Primeiro Ministro Netanyahu muito provocativo para a oposição, despertou muita controvérsia no plenário e o presidente Edelstein teve que intervir várias vezes para restabelecer a ordem. Um deputado foi retirado do plenário.

Durante a sessão festiva na Knesset , os haredim novamente interditaram a entrada de Jerusalem , e em passeata até a Knesset , causaram sérios problemas no trânsito dentro da cidade alem do confronto violento com as forças policiais .

OS PRÓXIMOS SHOWS INTERNACIONAIS
David Garret and his Band – o violinista virtuoso vai se apresentar em 6/11 em Tel Aviv
Alan Parsons – I Robot – 40th anniversary tour – the greatest hits
Em Jerusalem , a partir de 26/10 , a Semana da Arquitetura com visitas a casas abertas e locais cujos projetos arquitetônicos tem muito de especial .

Procurem na Internet, vale a pena a visita .
É só.
SHALOM ME ISRAEL

 

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