Jerusalém, 50 anos depois…


Emoção! Esse foi o tom da palestra do ex-soldado israelense Zion Karasanti, nos últimos dia 23 e 24 de agosto, que falou para dois distintos públicos no Rio de Janeiro. O israelense, virou ícone da reunificação de Jerusalém, ao ser fotografado em 1967 por David Rubinger z’L, ao lado dos colegas Haim Oshri e Itizik Yifat da Unidade de paraquedistas.

A primeira palestra, no dia 23, foi para mais de 100 pessoas, no Gávea Golf Club, promovida pelo Fundo Comunitário do Rio de Janeiro e, no dia seguinte, dia 24, para mais de 50 jovens no Hillel, promovida em parceria com o Fundo Jovem.

Cinquenta anos depois da reunificação de Jerusalém, milhares de judeus do mundo inteiro visitam Israel e deixam no Kotel um pedido. Esse ritual foi mencionado por Karasanti para descrever a inesquecível cena ocorrida no dia 11 de junho de 1967, quando os soldados israelenses chegaram ao Muro Ocidental e um de seus comandantes, o então Ministro da Defesa, Moshe Dayan. agradeceu aos soldados pela garra e pela coragem com que enfrentaram a difícil e dolorosa guerra. Logo após, colocou um papel no Muro.

-Quando ele saiu do local, os soldados foram checar o que ele tinha escrito: “nunca mais deixaremos o Kotel nas mãos de estrangeiros”, relembra Karasanti.

Zion Karasanti, tinha em 1967, pouco mais de 20 anos e lutou no Batalhão 66 da Unidade de paraquedista.

“Finalmente, havia sido convocado, quando quase todos os reservistas da minha unidade já estavam em combate. Lembro-me do medo da minha mãe e de suas lágrimas. Eu sabia que não tinha escolha, mas um dever a cumprir: defender o meu país.”

A missão que começou no dia 5 de junho de 1967 e terminou seis dias depois, devolveu ao povo judeu o lugar mais sagrado do judaísmo que é o Muro das Lamentações.

“Éramos jovens soldados, na faixa dos 21, 22 anos, sem muita experiência de vida, mas com muita valentia, tínhamos como missão salvar o Estado de Israel”, descreveu o ex-soldado ao lembrar o dia em que acordaram às 5h da manhã para aguardar as instruções de sua unidade.

No entanto, algumas horas depois souberam que o exército israelense já tinha bombardeado a maior parte dos aviões egípcios e que 50% da guerra já havia sido ganha.

“O que ficou depois disso?”, indagou Zion a interessada plateia de apoiadores do Fundo Comunitário, que contribuiu para a realização do evento, cuja verba será destinada ao Projeto Centro de Artes Rio de Janeiro, no bunker da escola Kedma de Jerusalém.

“Comunicaram, que iríamos subir para Jerusalém e de imediato uma emoção tomou conta de todos, uma vez que ainda não conhecíamos essa cidade, que tinha o lado oriental sob domínio da Jordânia.

Tudo foi muito rápido e não havia um plano a executar, por isso fomos recebendo as instruções no caminhão, durante o trajeto até Jerusalém.

Muitas imagens ficaram marcadas na minha mente como uma passagem coberta de arame farpado. Eu pisei no arame e ajudei outros soldados a atravessarem. Não senti nenhuma dor. Nós entramos nas trincheiras. Não eram muito profundas, mas eram bastante estreitas. Quando alguém morria, tínhamos que levantar o corpo sobre nossas cabeças. Perdemos muitos amigos, mas quando estamos na guerra, não temos tempo para pensar”.

Zion confidenciou, que no dia a dia não lembra com detalhes o que aconteceu naquelas 48 horas de guerra, somente quando aborda o assunto em encontros, é que as lembranças voltam à mente e a emoção enche o seu coração. “Foi uma luta terrível. Havia soldados jordanianos em todos os lugares e nós atirávamos granadas contra eles e eles devolviam contra nós”, lembrou Karasenti sobre a batalha pelo Templo sagrado de Jerusalém.

A chegada ao Kotel
“Depois de dois dias de batalha, estávamos cansados e suados, nossos uniformes estavam empoeirados e ensanguentados, mas quando descemos as escadas e vimos as pedras do Muro das Lamentações, muitos começaram a chorar.

Fui um dos primeiros soldados a chegar ao Kotel. Porém não reconheci de imediato. Eu vi uma soldada israelense na área – eu não tinha ideia de onde ela veio. Perguntei-lhe: -Onde estou? Ela disse: -Este é o Muro ocidental. Foi uma coisa extraordinária, difícil de descrever”, disse Karasenti.

No relato do ex-soldado, também, a confissão de que precisou mentir para os pais para poder ingressar na Unidade de paraquedistas do exército israelense. “Sou o sétimo filho caçula de seis irmãs mais velhas e quando tinha meus 18 anos, todos os meus amigos haviam se alistado no exército. Como poderia ficar de fora? Inscrevi-me e algum tempo depois fui convocado, porém a carta de convocação exigia a assinatura e permissão dos meus pais. Tinha certeza que eles não autorizariam que o caçula e filho único da família fosse para o exército. Então, após alguns dias de reflexão, resolvi falsificar a assinatura deles. Finalmente, chegou o dia em que fui para o exército, porém disse em casa que ficaria na cozinha, fazendo trabalho de cozinheiro. Sei que não agi corretamente, mas era necessário. No dia que fui me apresentar, a família toda me levou até a base da minha Unidade e lembro-me que até hoje foi um dos dias mais felizes da minha vida”.

Zion explicou que seus pais lutaram na Haganah (Força de Auto Defesa) pela Fundação de Israel. Lembrou que 3 horas após à independência, Egito, Jordânia, Síria e Iraque atacaram e deram inicio a um sangrento conflito, que resultou na morte de mais de 6 mil soldados de Israel (cerca de 1% da população daquela época). Karasenti fez uma breve retrospectiva dos fatos até sua atuação na Guerra dos Seis Dias, que para os judeus foi uma vitória com um significado muito mais do que especial. Quase 2 mil anos depois de serem expulsos de lá pelos romanos, os judeus recuperavam o Muro das Lamentações.

Ao final da palestra, o presidente do Fundo Comunitário, Ilan Goldman disse que a união fez a diferença nas vitórias e conquistas do povo judeu. Que os jovens que lutaram na reunificação de Jerusalém, há 50 anos, fizeram a diferença no futuro de nossa comunidade.

“Eu não sei o que seria de nós, nesse momento, sem a existência do Estado de Israel. Somos conhecidos como o povo escolhido e é verdade. Somos o povo que escolheu defender a humanidade, que escolheu fazer a diferença, que escolheu amar ao próximo. Leshaná habaa B’Irushalaim”.

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