Judaísmo na veia

Quem nunca foi, deve ir, pelo menos uma vez na vida, para aprender a essência do judaísmo. Me refiro à comemoração do bar e batmitzvá coletivo do Lar da Criança Israelita Religiosa “Rosa Waisman”, de nossa cidade. É ali mesmo na sua sede, na rua José Higino, na Tijuca.
Esse ano, o evento aconteceu numa manhã de sexta-feira de “Rosh Chodesh”, quando se celebra a renovação mensal da lua, depois que esta diminui até chegar ao ponto do desaparecimento. Segundo os nossos sábios, o Rosh Chodesh celebra o conceito da perpetuidade, apesar dos altos e baixos da vida.

E essa perpetuidade, tão própria dos valores judaicos, transpassa, nesse dia de celebração, a pequena sinagoga do Lar, e assume uma dimensão espiritual, tocando cada um dos presentes. Parece que o céu se abre, a Torá, lida por cada um dos meninos, assume o centro da cerimônia, em meio aos cânticos religiosos do “shacharit”, entoados pelo “Chazan”.

Orientados pelos dedicados professores da CJB, sob a direção segura e emocionada do Rabino Nilton Bonder, alguns meninos e meninas, apoiados pelo Lar, alunos de escolas judaicas, assumem as suas responsabilidades como judeus.

E tudo isso, graças ao trabalho de benemerência, de um grupo de mulheres, diretoras dessa instituição, que se dedicam a resgatar, há oito décadas, social e economicamente núcleos familiares fragilizados, integrando-os à nossa comunidade e à sociedade em geral.

O reconhecimento da efetividade desse trabalho, torna-se evidente pela presença, na cerimônia, de dirigentes de todas as instituições judaicas, vibrando com a felicidade dessas famílias. Também as escolas prestigiam esse acontecimento, levando as turmas de colegas dos barmitzvandos para participarem da festa, que é linda. Pois vários são os excelentes profissionais, que oferecem os seus serviços, em troca da alegria desses meninos e meninas.

A solidariedade, em todas as suas formas, é o sentimento que se respira naquela casa. Kol Hakavod para todos aqueles, que se envolvem com o destino dessas crianças, dando condições para que se altere a sua dura realidade cotidiana. É judaísmo na veia…

Falando em judaísmo, como não enaltecer o que aconteceu em Ipanema nesse domingo. Parece que até o tempo prendeu a respiração, a chuva anunciada não apareceu, tornando aquela praça um espaço democrático, em que diferentes manifestações culturais, sociais, artísticas , políticas e alimentares foram curtidas por uma multidão de cariocas, de todas as idades, crenças, cores, irmanados pela iniciativa da Federação Israelita do Rio de Janeiro, que na comemoração dos seus setenta anos, deu esse presente para a nossa cidade.

Foi uma lição de coexistência, de respeito à diversidade dada por todas as instituições judaicas, que viabilizaram esse megaevento, que se tornou um marco na história de nossa comunidade.

O espírito de colaboração foi a constante, alimentado pelas mãos dadas, visando o bem comum, que é o mantra dessa diretoria da FIERJ, que trouxe de volta, também, o fantástico Festival de Cinema Judaico. Kol Hakavod!

 

 

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