Leon Hirszman, um dos expoentes do Cinema Novo

Leon Hirszman nasceu no Rio de Janeiro em 22 de novembro de 1937 e foi um dos mais importantes cineastas brasileiros. Ainda estudante de Engenharia iniciou suas atividades em cineclubes ligando-se a profissionais importantes do teatro e cinema, como Augusto Boal, Gianfrancesco Guarnieri e Oduvaldo Viana Filho.

Começou suas atividades cinematográficas junto com sua vigorosa militância política no movimento estudantil do Rio de Janeiro. Foi um dos fundadores do CPC – Centro Popular de Cultura, da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Foi no CPC que realizou sua primeira produção, o curta “Pedreira de São Diogo”, um dos cinco episódios do filme “Cinco vezes favela”, lançado em 1962. Seu primeiro longa de ficção foi uma adaptação de “A Falecida”, de Nelson Rodrigues, estrelado por Fernanda Montenegro e Ivan Candido, que já falava de um dos temas que preocupavam Leon, a alienação das classes populares.
Leon foi um autor de ficção e grande documentarista. Entre alguns de seus trabalhos, podemos citar: “Nelson Cavaquinho”, “Megalópolis”, “Ecologia” e “Sexta-feira da paixão, Sábado de aleluia”. Em 1971 ele realizou o longa “São Bernardo”, baseado na história homônima de Graciliano Ramos, que obteve um grande sucesso de crítica, embora não conseguisse o mesmo sucesso de público.

Ainda na década de 1970, filmou “Cantos do trabalho no campo” (1976), “Que país é esse?” (1977), “Rio, carnaval da vida” (1978) e “ABC da Greve”, sobre o movimento operário da região do ABC paulista.

Em 1981 recebeu a consagração de público e crítica, além de três prêmios no Festival de Veneza e indicação ao Leão de Ouro, com o filme “Eles não usam black-tie”, adaptado da peça teatral de Gianfrancesco Guarnieri, que escreveu com Leon o roteiro e os diálogos do filme. Guarnieri também trabalhou no filme como ator, no papel de Otávio.

“Eles não usam black-tie” recebeu outros importantes prêmios como: Grande Prêmio Coral Negro, 3º Festival Internacional do Novo Cinema Latino Americano, Grande Prêmio do Festival dos Três Continentes e Espiga de Ouro do Festival Internacional de Valladolid, além do prêmio Air France.
Leon Hirszman faleceu em 15 de setembro de 1987, aos 47 anos, no Rio de Janeiro, vítima de AIDS que ele contraiu durante uma transfusão de plasma sanguíneo, depois de quase um ano de tratamento. O cineasta deixou três filhos: Irma, Maria e João Pedro, e sua companheira, Cláudia Feres Menhem.

A obra de Leon Hirzsman está sendo restaurada digitalmente e relançada pela Videofilmes. Já foram restaurados: “Eles não usam Black Tie”, “ABC da greve”, “Pedreira de São Diogo”, “Megalópolis”, “Ecologia” e “Deixa que eu falo” (documentário de Eduardo Escorel sobre Hirszman).

“Eles não usam Black Tie”

 

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