Monólogo Público


Michel Melamed é imprescindível. Teatro inteligente, instigante, que induz à reflexão com seu ‘Monólogo Público’. Em alguns momentos, a rir, ainda que meio nervoso. A cenografia é imprevista, surpreendente, inesperada, forte. A dramaturgia não é receita de bolo, mas requer atenção constante nas metáforas e mímicas. O texto, bem, o texto é atual, universal, crítico, e mistura tão bem realidade e ficção que o espectador fica, em muitos momentos, sem saber onde acaba uma e começa outra. Michel, como ator, é como o poeta fingidor, fingindo ser verdadeira a dor que deveras sente. Ou que sente ser verdade a ficção que aparenta contar. E se há uma verdade, e há, a peça vale a pena, o teatro se faz.

Como em certo momento ele mesmo menciona, o entorno do teatro não é dos mais civilizados; portanto, é melhor pegar um táxi para ir ao Sesc Ginástico, descer na porta do teatro e fazer o mesmo no caminho inverso, para casa. Só não pode perder o espetáculo. E torcer para que a revitalização do Centro do Rio seja mais do que uma ilusão, mais do que um albergue para os 15.000 sem-teto que a corrupção criou na cidade.

Falando em corrupção, a prisão de Rodrigo Rocha Loures, em pleno fim de semana, com a mulher grávida de oito meses, deve ter deixado a futura mamãe apavorada. Mais ainda seu grande amigo Temer. O presidente se referiu a ele como um bom homem:  honesto, amigo. Sei não, mas senti no texto um ar de ameaça e também de menosprezo.

Como se aquele homem de aspecto banal, quase ingênuo e tolo não tivesse força para um gesto que desagradasse seu poderoso amigo. E me pergunto o que faz esses políticos amarem menos o país do que o poder que o povo lhes deu em confiança e eles traíram. Que venha a Justiça e rápida, pois há milhões de brasileiros ansiosos por assistir à continuidade da vida no país.

E falando em país, assisti a um programa sobre Israel e palestinos. Reclamam por Israel ter se tornado um país com tecnologia de ponta, desenvolvido, rico (?), enquanto os palestinos seguem oprimidos e vivendo em condições de pobreza continuada. Não mencionam os valores, calculados em bilhões, que as autoridades palestinas desviam para as famílias de terroristas, dinheiro que poderia ter sido usado para o desenvolvimento normal de sua gente.

Acredito que cada povo deve ter seu país e torço para que Israel e árabes se entendam e nasça um país para cada grupo, com respeito e contribuição mútua. Já várias vozes se levantam, mesmo entre os árabes, para afirmar o direito dos judeus de ter Israel como pátria. Não há dúvidas, basta estudar. A indústria do ódio e da guerra ganha dinheiro demais e ainda compra muitas consciências, inclusive na ONU.

E então voltamos ao de sempre: faz-se mister investir em Educação, extirpar a corrupção, fazer o elogio da Cultura. Só nesse momento mereceremos o título de seres humanos, porque, enfim, seremos humanos.

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