Móveis cheios de charme

Pedro Bronz na Art Rio

Quem viveu na década de 60, certamente, conhece bem o carro da Volkswagen, que se tornou uma paixão mundial: o famoso fusca. O apego ao carro de fabricação alemã era tão grande que esse amor foi parar na telona, tornando-se o fusquinha, protagonista de uma série de seis filmes, que teve início com o “Se meu fusca falasse”.

Abajur

Primeiro modelo de automóvel fabricado pela Volkswagen, o carro mais vendido no mundo, na década de 70, teve seu último modelo fabricado em 2003, perdendo o posto para carros mais modernos e até para sua mais recente versão, que difere no design e no preço.

Mas essa matéria não é sobre autos e sim móveis, talvez sobre os dois, não necessariamente, automóveis, mas sim de um auto que virou móvel. Ficou confuso? Então explico: no meio do caminho tinha um fusca. Abandonado.

Melhor mesmo é partir direto para a entrevista com o artista multimídia Pedro Bronz, autor da coleção MÓVEIS? Vamos lá?

. Suas cadeiras feitas sobre peças de um Fusca, apresentadas na última Art Rio, chamaram a atenção do público. De onde surgiu essa ideia?

-A ideia nasceu das peças do velho Volskwagen. Fusca Lounge é um ambiente incomum, construído a partir de um fusca largado ao relento. Capôs, janelas e rodas, se transformam em cadeiras, estantes e luminárias. Cada peça é única, carregada de afeto, estrada e história.

. Você é um artista multimídia que transita entre o design, artesvisuais e cinema. Fale um pouco sobre seu trabalho como diretor e montador de filmes.

-Me formei em jornalismo pela PUC-Rio e trabalho, como diretor, fotógrafo e montador de cinema desde 1993. Fui um dos fundadores, da Mostra do Filme Livre, em 2002 no Rio de Janeiro. O primeiro longa que montei foi o documentário Língua – Vidas em português (2002), de Victor Lopes. Meu primeiro trabalho como diretor foi ao lado de Roberto Berliner em Herbert de perto (2009), sobre a vida do músico Herbert Viana.

Como montador fiz filmes como Pequeno dicionário amoroso 2 (2015), de Sandra Werneck e Mauro Farias; A farra do circo (2013); Getúlio (2013), de João Jardim. Como diretor de fotografia fiz As cartas psicografadas por Chico Xavier (2010), de Cristiana Grumbach.

.Qual é a ligação entre o cinema e o design ?

-Acho que tanto o cinema como o design são linguagens de artes visuais, sendo que o cinema é um trabalho que demora muito mais tempo para ficar pronto. Quando faço um móvel pesquiso sobre a história de cada peça. No cinema, também, há uma pesquisa e baseada em cima de uma história .

.No ano passado, sua coleção foi criada a partir de antigos televisores. Agora você usou um Fusca para fazer cadeiras. De onde vem esse insight?

-O Fusca é uma paixão mundial e gosto de trabalhar com a desconstrução de objetos carregados de afeto. Essa ideia de transformar objetos antigos em móveis surgiu, originalmente, com telas de televisões antigas. No bairro de Santa Teresa, onde moro, muitas pessoas jogavam no lixo suas  televisões de tubo para substituir pelos novos modelos, uma vez que as antigas tevês não tinham mais conserto. Ao ver aquele monte de televisões antigas jogadas na rua, senti uma nostalgia e comecei a carregar esses objetos para dentro de casa. Quando juntei cerca de 30 televisões, recebi um ultimato, mais do que justo, da minha esposa para retirar tudo dali (risos). Foi então que abri um atelier e comecei a trabalhar com as peças. Assim, minha primeira coleção foi de TV´S que transformei em objetos de decoração, utilitários e esculturas. Agora estou produzindo as cadeiras feitas a partir de um Fusca antigo.

.A produção de uma cadeira exige conhecimentos além do design?

-Com certeza! Pesquisei muito sobre ergonomia e durante a Art Rio observei como as pessoas se sentavam nas cadeiras e o que poderia ser melhorado. Particularmente, tive problemas na lombar, e por isso, na hora de confeccioná-las, priorizei o conceito do design aliado ao conforto.

. Como foi a experiência de expor numa feira do nível da Art Rio?

-Uma experiência muito boa. Recebi cerca de 200 pessoas, diariamente, no meu estande, que sentaram nas cadeiras por diversos motivos. Atraídas pela ideia de sentar sob o capô de um Fusca ou para testar o conforto. Foi uma grande troca de ideias e vou poder adaptar novos conceitos ao meu projeto inicial, que acredito ter tido muito boa aceitação.

.Onde encontrar as suas peças de decoração e cadeiras?

-No site www.boobam.com.br ou pedrobronz.wixsite.com/moveis

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