No olho do furacão


A força da natureza se mostra indomável, por mais que a tecnologia criada pelo homem avance no tempo. É aterrorizante o colorido dos mapas, que se fazem e desfazem a partir da perspectiva da ocorrência de um furacão. Ainda mais os de gigantesca dimensão, como o Irma, que assolou, nesse último fim de semana, o estado da Flórida, nos EUA.

A intervenção do poder público na vida privada dos cidadãos americanos, em caso de possibilidade de catástrofe natural, é realizada de forma autoritária e organizada, tendo em vista a própria segurança da população. As ordens de evacuação das áreas de risco são imediatamente cumpridas.

Por outro lado, quando a tomada de decisão de sair ou não de casa fica por conta da família, observa-se que tal deliberação apoia-se na credibilidade dos institutos científicos, que contam com uma rede de disseminação de seus pareceres, através dos meios de comunicação, que se mantêm 24 horas no ar, nos 365 dias do ano.

Nessa altura, muitos brazucas, que optaram por viver longe dos nossos furacões diários, devem estar aprendendo a conviver, ao vivo e a cores, como os americanos natos, com essa terrível realidade. Por mais preparado, que se esteja, não deixa de ser um trauma todo esse clima de angústia e incerteza, que paira no ar, por vários dias, afetando a rotina dos cidadãos, impedindo o ir e vir em toda uma região.

O quesito que mais me assusta é o suprimento. Abastecer, para o que der e vier, a despensa de uma casa deve ser um exercício de logística, que desafia a capacidade de planejamento dos seus donos.

Quando assisti, pela televisão, os moradores de Miami enchendo de malas os seus carros, para pegarem as estradas, fiquei me perguntando o que consideraram como essencial levar, para enfrentar o inopinado.

Sei de um casal com uma criança que saiu de Miami para Orlando, resolveu esticar para a Geórgia, em busca de uma melhor acomodação e acabou se instalando na Carolina do Sul, para escapar do roteiro do Irma. Tudo isso em menos de 24 horas.

Nessa altura, temos que agradecer o fato dos céus reservarem ao território brasileiro poucas catástrofes naturais. Em compensação, as nossas calamidades em forma humana, com nome e sobrenome, que fazem parte da elite política do nosso país, todos os dias, nos empurram para o olho do furacão. Cabe a nós sobreviver.

 

 

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