“O Cidadão Ilustre”

“O Cidadão Ilustre”  é um filme argentino que está concorrendo ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2017. Dirigido por Gastón Duprat e Mariano Cohn, tem seu excelente roteiro assinado por Andrés Duprat.

O longa foi exibido no Festival de Veneza de 2016, e Oscar Martinez, que faz o escritor Daniel Mantovani,  recebeu o prêmio de melhor ator por sua atuação.

O filme inicia com Daniel Mantovani recebendo o Nobel de Literatura, a maior de todas as láureas. Ele agradece em seu discurso e lamenta o recebimento do prêmio por ele significar o “fim de sua aventura criativa”.

Daniel recusa vários convites para participar de homenagens em várias cidades importantes, mas  aceita o convite de sua cidade natal, a pequena Salas, de onde ele saiu há 40 anos. Por mais que o local seja a fonte de todo o seu trabalho, ele possui um profundo desprezo pela região devido às peculiaridades interioranas, muito distante do lado cosmopolita da Europa. O escritor é muito cínico e não aceita certos comportamentos. Ele concorda com o convite talvez por um mero saudosismo e muito também pela vaidade de haver se tornado o filho pródigo louvado pelos seus.

O filme mostra o viés de cultura que se sucede a um escritor, em contrapartida com a louvação vazia comum às celebridades. Os diretores constroem o espelho da sociedade e as dificuldades existentes diante de suas peculiaridades.

Há humor e cinismo em “O Cidadão Ilustre” e um tom bem cômico na absurda rotina da pacata cidade de Salas. A presença de Daniel incomoda a todos e sentimos claramente a ligação que há entre ficção e realidade neste ótimo filme argentino.

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