O fotógrafo da nação em construção

David Rubinger nasceu em 29 de junho de 1924, em Viena.  Quando estava cursando o ensino médio, a Alemanha anexou a Áustria. Com a ajuda da “Youth Aliyah”,  ele conseguiu escapar indo para a Palestina, via Itália, e se instalou num Kibutz no Vale do Jordão. Era filho único. Seu pai já havia fugido para a Inglaterra, mas sua mãe morreu no Holocausto.

Durante a segunda Guerra ele serviu na Brigada Judaica do exército britânico, no norte da África e na Europa. Enquanto estava de licença em Paris, uma namorada deu-lhe de presente uma câmera e assim descobriu  que gostava de fotografia. Suas fotos tiradas durante a guerra constituem um importante documento histórico.

Após a guerra, David visitou seu pai na Inglaterra e soube que ainda tinha parentes na Alemanha. Lá conheceu Anni e sua mãe que haviam sobrevivido ao Holocausto e ofereceu-se para casar com ela a fim de lhes garantir a imigração para a Palestina. Contudo, o casamento acabou durando mais de 50 anos, até a morte de Anni.  Tiveram dois filhos, cinco netos e dois bisnetos.

Ao retornar a Israel ele abriu seu próprio estúdio de fotografia em Jerusalém e iniciou seu trabalho de fotojornalismo. Trabalhou nos jornais “HaOlam  HaZeh Ahronoth”, em seguida no “The Jerusalem Post”, depois foi convidado para a “Time-Life”  onde trabalhou por mais de 50 anos.

Como fotógrafo principal da “Time- Life” para a região, Rubinger cobriu todas as guerras de Israel e teve acesso aos principais líderes governamentais. Ele era o único fotógrafo que tinha permissão para frequentar a cafeteria do Knesset. Rubinger tirou fotos memoráveis, como a de Golda Meir alimentando sua neta, e momentos de silêncio de Yitzhak e Leah Rabin, entre tantas outras.

O trabalho de fotojornalismo de David é o maior legado que um fotógrafo pode deixar, pois são registros dos principais fatos e dos personagens do moderno Estado judeu desde sua fundação, suas lutas e seu desenvolvimento.
Pelo conjunto de sua obra ele foi o primeiro fotógrafo a receber a importante premiação “Israel Prize”, em 1997 , diretamente das mãos do então presidente Ezer Weizmann.

Para Rubinger, fotografar é como sentir: “Algumas vezes você retrata o que vê com orgulho, outras com dor”.
Uma das fotos mais importantes de sua carreira foi a imagem captada no Muro das Lamentações, em 07 de junho de 1967, em plena Guerra dos Seis Dias, minutos após o Kotel ter voltado às mãos do nosso povo. É a foto judaica mais amada do nosso tempo. São três paraquedistas  ao lado do Muro –  Zion, Itzik e Haim – membros da unidade que recapturou o bairro judeu após quase 20 anos em mãos jordanianas. Essa foto imortalizou aquele momento histórico, de grande valia para todo um povo.

David Rubinger faleceu em Jerusalém, em 2 de março de 2017 e foi chamado por Shimon Peres de “o fotógrafo da nação em construção”.

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