O mundo, segundo Clarice Lispector

“Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós.”

Clarice (Haia) Lispector nasceu na Ucrânia, em 1920 e imigrou para o Brasil, dois anos depois com seus pais Marieta e Pedro Lispector (Mania e Pinkhas, nomes originais) e as irmãs Elisa (Leia) e Tania.

A família Lispector veio para o Brasil após perder tudo na Guerra Civil Russa (1918-21) e durante a perseguição aos judeus. Clarice chegou a Maceió com dois anos de idade. Em 1924 a família mudou-se para o Recife e Clarice passou a frequentar o grupo escolar João Barbalho. Aos oito anos, perdeu a mãe. Três anos depois, transferiu-se com seu pai e suas irmãs para o Rio de Janeiro.

Das três meninas do casal, Clarice veio a se tornar um dos maiores nomes da literatura brasileira. Autora de romances, contos e ensaios, ela é considerada uma das escritoras brasileiras mais importantes do século 20 e a maior autora judia desde Franz Kafka. Em sua obra, enquanto escritora e jornalista, são constantes as cenas simples do dia a dia e tramas psicológicas, sendo considerada uma de suas principais características a epifania de personagens comuns em momentos do cotidiano.

No último dia 10, completou-se 40 anos de sua morte. Em 1939 Clarice Lispector ingressou na faculdade de direito, formando-se em 1943. Trabalhou como redatora para a Agência Nacional e como jornalista no jornal “A Noite”.

Foi na Faculdade de Direito que conheceu o futuro marido, o diplomata Maury Gurgel Valente, hoje com 96 anos de idade. Com ele, Clarice teve os filhos Pedro e Paulo (este último afilhado do escritor Érico Veríssimo).

Por causa da profissão do marido, a escritora viveu vários anos longe do Brasil. No período em que se manteve casada, viveu em Berna, na Suíça; Washington; e Nápoles, na Itália. Mesmo distante, a escritora manteve seu ritmo de trabalho no jornalismo e na literatura.

Em 1942, começou a trabalhar como repórter no jornal carioca “A Noite”. Dez anos depois, tornou-se responsável pela página “Entre Mulheres”, do jornal “Comício”, também no Rio, sob pseudônimo de Tereza Quadros.

Seu primeiro romance foi publicado em 1944, “Perto do Coração Selvagem”. No ano seguinte a escritora ganhou o Prêmio Graça Aranha, da Academia Brasileira de Letras. Dois anos depois publicou “O Lustre”.

Em 1954 saiu a primeira edição francesa de “Perto do Coração Selvagem”, com capa ilustrada por Henri Matisse. Em 1956, Clarice Lispector escreveu o romance “A Maçã no Escuro” e começou a colaborar com a Revista Senhor, publicando contos.

De 1959 a 60, publicou, sob o pseudônimo de Helen Palmer, a coluna “Feira de Utilidades” no jornal carioca “Correio da Manhã”. No mesmo ano, escreveu a coluna “Nossa Conversa”, no “Diário da Noite”, como ghost writer da atriz Ilka Soares. O “Jornal do Brasil” passou a publicar suas crônicas em 1967.

Em 1967 Clarice Lispector feriu-se gravemente num incêndio em sua casa, provocado por um cigarro. Sua carreira literária prosseguiu com os contos infantis de “A Mulher que matou os Peixes”, “Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres” e “Felicidade Clandestina”.

Nos anos 1970 Clarice Lispector ainda publicou “Água Viva”, “A Imitação da Rosa”, “Via Crucis do Corpo” e “Onde Estivestes de Noite?”. Reconhecida pelo público e pela crítica, em 1976 recebeu o prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal, pelo conjunto de sua obra.

No ano seguinte publicou “A Hora da Estrela”, seu ultimo romance, que foi adaptado para o cinema, em 1985. Clarice Lispector morreu de câncer, na véspera de seu aniversário de 57 anos.

 

RELEVÂNCIA
Passadas quatro décadas de sua morte, Clarice ainda tem sua obra usada como fonte constante de pesquisa e debate.

Entre os contos estão “Laços de família”, “A legião estrangeira”, “Felicidade clandestina”, “Onde estivestes de noite?”, “A via crucis do corpo” e “O ovo e a galinha”, considerado por ela em sua última entrevista como um dos trabalhos gratificantes.

No campo da literatura infantil, estão “O mistério do coelho pensante”, “A mulher que matou os peixes”, “A vida íntima de Laura”, “Quase de verdade” e “Como nasceram as estrelas”. Entre as crônicas, estão “Para não esquecer” e “A descoberta do mundo”” Já “A hora da Estrela”é sua novela mais afamada.

 

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