A esperança existe

Emma Lazarus 1883

“Não como o gigante bronzeado de grega fama,
Com pernas abertas e conquistadoras a abarcar a terra
Aqui nos nossos portões banhados pelo mar e dourados pelo sol, se erguerá
Uma mulher poderosa, com uma tocha cuja chama
É o relâmpago aprisionado e seu nome
Mãe dos Exílios. Do farol de sua mão
Brilha um acolhedor abraço universal; Os seus suaves olhos
Comandam o porto unido por pontes que enquadram cidades gêmeas.”

“Mantenham antigas terras sua pompa histórica ” grita ela
Com seus lábios silenciosos “Dai-me seus fatigados , os seus pobres,
As suas massas  encurraladas ansiosas por respirar liberdade
O miserável refugo das suas costas apinhadas .
Mandai-me os sem abrigo , os arremessados pelas tempestades,
Pois eu ergo o meu farol junto ao portal dourado”.

Este poema, escrito por Emma Lazarus foi gravado  numa placa de bronze no pedestal da Estátua da Liberdade em 1912, como doação para um leilão realizado para angariar fundos para construção do pedestal.

Emma era uma poetisa americana, descendente de judeus sefaraditas portugueses, egressos do Recife, cuja família se estabeleceu em Nova York.

Seu judaismo latente foi despertado pelos pogroms na Rússia czarista na década de 1880. Nos meios judaicos  foi considerada precursora do movimento sionista, pois argumentou a criação de um Estado Judeu, 13 anos antes que Theodor Hertzl usou o termo sionista.

Mas não foi minha intenção falar sobre Emma Lazarus, sob o aspecto judaico, e sim, por sua luta pela liberdade, pela abertura dos portões de ouro da América para os pobres refugiados vítimas da violência de governos racistas, pela sua crença na América como porto seguro da democracia, dos direitos humanos.

Certamente Trump nunca leu este poema gravado no pedestal da Estátua da Liberdade. Nem os americanos brancos, neonazistas que apoiam o presidente.

O desfile desta corja, ostentando suásticas e gritando “os judeus não vão nos substituir”, o atropelamento criminoso de uma jovem manifestante, provocou muitos protestos, não só entre os judeus americanos, mas na maioria do povo americano, inclusive dentro do partido republicano.

Mas não sensibilizou o primeiro ministro do único Estado Judeu. Israel, oficialmente, calou. O príncipe herdeiro, Yair Netanyahu publicou uma nota no Facebook, dizendo que o neonazismo pertence ao passado e as organizações de esquerda, que dizem lutar contra o facismo, odeiam “o meu país” (Israel)  e são muito mais dominantes na vida pública americana, portanto, mais perigosas !?!?!?!
Ainda bem que alguns ministros, como Naftali Benet e Ayalat Shaked (Bayt Hayehudi) condenaram veementemente a demonstração nazista,  bem como, a disfarçada condenação de Trump.
Estou envergonhada do meu governo.

O TERRORISMO VOLTA A ATACAR


Barcelona foi palco de mais um brutal atentado terrorista. Mais de 100 feridos, entre os quais 17 em estado gravíssimo e 14 mortos. A maoioria das vítimas, turistas de 34 paises, que estavam desfrutando de  férias na cidade que atrai milhões a cada ano.

Os terroristas, como sempre, muçulmanos, 2ª e 3ª geração nascidos na Espanha, filhos de  emigrantes marroquinos.

As investigações revelam a existência de uma rede terrorista do Daesh, estabelecida na Espanha, concentrada especialmente na Catalunha.

A  liderança da comunidade judaica de Barcelona  declarou que os judeus não são o alvo dos terroristas. Victor Sorenson,  porta voz  da comunidade constituida por 15 mil judeus, relata que judeus e muçulmanos vivem em paz na cidade.

A meta do Islã radical é tomar de volta os seus territórios; a Espanha foi ocupada pelo Islã durante sete séculos e o Daesh, Al´Qaida e outras organizações jihadistas, salafitas, querem recuperar o império. A luta deles é contra a aliança cristã ocidental. Querem chegar à Roma também, toda a Europa e também ao Oriente Médio.

Como estão sendo expulsos, derrotados, na Síria e no Iraque, tranferem as atividades para a Europa. Nestes dias, terroristas muçulmanos atacaram à facadas, mulheres na Finlândia, duas morreram  e até na Sibéria houve uma ação terrorista, mas o governo  russo insiste em negar que terroristas cometeram  os assassinatos.

O SHABAT E A IGUALDADE SOCIAL


A discussão em Israel em torno das leis sabáticas não terminam. Faz-se um intervalo para recuperar as forças e o assunto volta ao foco das divergências entre laicos e religiosos.

O universalismo e o respeito aos direitos humanos contidos nas leis judaicas são dignas de admiração.

Que povo, entre os povos da antiguidade, teve suas bases de valores humanos como o povo judeu? Os ricos, donos de terras, tinham que deixar uma parte da colheita dos seus campos para os pobres, que podiam colher para as suas necessidades.

Foram os judeus os primeiros que decretaram um dia de descanso semanal, o Shabat, no qual todos deveriam descansar, não só os ricos mas tambeém os escravos e os animais.

Realmente algo que deixou marcas nas demais grandes religiões monoteistas: o cristianismo que santificou o domingo e os muçulmanos, que adotaram o mesmo princípio às sextas feiras.

Em Israel, que não é um país teocrático, as leis religiosas predominam no cotidiano, assim o trabalho oficial é proibido aos sábados,  o transporte público é paralisado, bem como o comércio e indústria, etc etc.

Em Pessach, por exemplo, todos os produtos não kasher para a festividade são retirados das prateleiras dos supermercados e em Yom Kipur ninguem tira os carros do estacionamento.

Com o desenvolvimento de Israel como Estado Judeu, muitas exceções tiveram que ser aceitas, como os serviços médicos de urgência, exército, polícia, bombeiros, a companhia de eletricidade, permissão de aterrissagem e decolagem de aviões de companhias aéreas estrangeiras e mais uma série de serviços que não podem ser interrompidos, inclusive nas indústrias.

Um dos problemas mais agudos, pois atinge uma grande  parte da população e cria um estado de desigualdade social, é a paralização dos meios de transporte públicos.

Quem não é religioso e tem posses para comprar e manter um carro, aproveita o sábado para passear, ir à praia, visitar a família, fazer compras nos shoppings localizados fora dos centros urbanos , enfim desfrutar o sábado.

As famílias sem posses, estão presas em casa. Quem tem pais idosos que moram distante, não podem visitá-los. As praias estão abertas e cobram ingresso, mas estão fechadas para quem não tem carro.

Isto incomoda a muita gente que se revolta com esta discriminação não intencional. Onde se forma um vácuo, imediatamente, outro corpo vem ocupar o espaço  e assim investidores criaram firmas de transporte em micro ônibus, que funcionam aos sábados, nos trajetos mais solicitados, com preço especiais de sábado.

Preenchem as necessidades de determinados segmentos da população, mas idosos e famílias numerosas que gozam de descontos nas tarifas de transporte público, não  podem pagar os custos deste luxo.

As manifestações populares contra a paralização do transporte público estão crescendo e acrescenta mais uma dificuldade à coalizaõ com os partidos haredim.
Paizinho difícil esse!

A ESPERANÇA EXISTE


O povo israelense encontra mil formas de mostrar que a coexistência é possível, basta querer, pois muita gente faz voluntariamente o possível e o impossível, para tornar a convivência entre os dois povos realidade.

Há anos, que um grupo grande, em todo o país, tras mulheres e crianças palestinas, que nunca puderam ir à praia, para as praias de Israel, durante os dois meses de férias do verão.

Não recebem nenhum apoio financeiro nem logístico. Usam seus próprios carros, planejam e marcam os encontros  com os convidados nos postos de controle mantidos pelo exército e tem que se comprometer de trazê-los de volta e arcar com as despesas. Justiça seja feita: também homens participam deste projeto tão humano.

ABBU MAZZEN X HAMAS
A bancada do partido Meretz (esquerda) na Knesset, se encontra anualmente com o presidente da Autoridade Palestina, Abbu Mazzen, para discutir os problemas comuns a ambos, ouvir suas queixas contra Israel, contra o Hamas e contra todos que não concordam com ele.

Esta visita  tradicional, aconteceu na semana passada, em Ramalla, sede do governo palestino. Na oportunidade, o Raíss, presidente, se referiu ao  grave problema  na atuação de Israel no incidente do Har Habayt, que causou uma interrupção na colaboração entre os serviços de segurança de Israel e dos palestinos, diga-se de passagem, por iniciativa do próprio.

Na verdade, não houve um congelamento total, apenas um resfriamento, todo o palavreado e ameças de Abbu Mazzen no auge da crise, foram apenas para causar impacto na população palestina.

Tanto isto é verdade, que neste encontro, se referiu com muito humor ao serviço de segurança israelense, com quem mantém contato permanente, dizendo que Netanyahu anuncia a todo o mundo que não pode fazer nenhum acordo com os palestinos, porque não tem “partner “, mas justo o chefe do serviço de segurança de Israel o considera um parceiro confiável.  Podemos acreditar?

Outra declaração  feita neste contro com o Meretz, causou muita preocupação em Israel, pois afirmou que vai cortar  as verbas que o seu governo concede ao Hamas  para pagar fornecimento de eletricidade, água e outros serviços indispensáveis à população de Gaza.

No mês passado, reduziu  50%  das verbas, agora vai cortar 100%. O Hamas quer fazer revolução de luxo? Que pague as suas contas.

A reação de Abbu Mazzen tem base, pois a liderança do Hamas usa o dinheiro que deveriam melhorar o nível de vida baixíssimo da população de Gaza  para sustentar o braço militar da organização terrorista-governo, compra de armas, construção de túneis subterrâneos e o luxo em que vivem os líderes.

Para Israel, a equação nível de vida baixo, corresponde a possibilidades de guerra altos, o que não é nada promissor.

O verão está terminando e dentro de um mês começam os chaguim, Rosh Hashaná e Yom Kipur, época nada propícia para campanhas militares. O traumatismo da guerra de Yom Kipur em 1973, ainda está  muito forte na nossa  lembrança.

E NA MACHANÉ HATZIONI?
Houve eleições, todos comemoraram a vitória de Avi Gabai, sangue novo no partido, mas no Avodá como sempre, um come o outro.

Como diz, Yuval Karni, do Yediot Aharonot, ” levou um mês e meio até  que sacaram as facas”. O programa de trabalho de Gabai, visa fortalecer a sua posição no partido, o que causou oposição clara entre os demais dirigentes.

Entre outras, exige colocar quatro de sua escolha, na lista de candidatos à Knesset, cancelar a reserva, tal como rezam os regulamentos, do 7º lugar nesta lista para o secretário geral além de outras modificações dramáticas na Constituição do partido.

A voz corrente diz que Gabai quer tranformar o Avodá num partido de “eu só “. Vamos aguardar os acontecimentos. Em vez de união para fortalecer e atrair mais eleitores, voltam aos mesmos conflitos internos.

NOVOS LIKUDNIKIM
No Likud  também não faltam problemas. Desde as últimas eleições, chamou a atenção  da direção do partido o fato de que o número de adesões novas estava crescendo  embora não se fale em eleições primárias proximamente.

Não sei como funciona aí, mas aqui em Israel, em geral, os  partidos elegem democraticamente os candidatos que farão parte da lista para eleições do Parlamento, convocando eleições primárias.

Para ter direito a voto nestas primárias, o cidadão tem que se alistar como membro do partido e pagar uma anuidade. De acordo com a lei eleitoral, é proibido se filiar a mais de um partido.

Mas voltando ao começo, nos últimos dois anos, mais de 10 mil novos afiliados, engrossaram as fileiras do Likud, o que não é comum.

Aos poucos, perceberam  que os novos likudnikim (novos membros do Likud) faziam parte de um grupo que se opõe à nova linha política de direita do partido  e querem agir dentro do Likud  para levá-lo de volta à linha centro-liberal que caracterizou líderes como Beigin, Dan Meridor, Rony Milo, Gideon Saar, Uzi Landau, que foram ministros em vários governos do Likud e se afastaram completamente, pois o Likud de Netanyahu não os representa.

Este grupo tem participado em manifestações públicas, usando camisas de cor azul com os dizeres  em hebraico, likudnikim chadashim.

Mais uma dor de cabeça para David Bitan, líder da coalizão na Knesset.Inimigos dentro de casa.

O calor continua! Terrível!
SHALOM ME ISRAEL

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