O Pacto

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Em alguns dias, estaremos celebrando Shavuot, quando nos lembramos da entrega dos Dez Mandamentos aos hebreus, no Monte Sinai. Essa festa representa o ponto culminante da jornada de sete semanas do Egito ao Monte Sinai, da escravidão ao grande momento da revelação. Estávamos todos lá.

Dizem os nossos mestres que, ao outorgar ao nosso povo a Torá, foi como se o Criador estivesse dizendo: “Eu os protegerei, mas vocês precisam fazer a sua parte. Eu os ajudarei, mas vocês têm que me ajudar a ajudar vocês.”

Esse tipo de parceria, proposta há milênios, em nossos textos sagrados, chama-se pacto, significando que ambas as partes se comprometem, mutuamente, cada qual concordando em manter o seu lado do acordo.

Na visão dos profetas, cabe ao povo construir uma sociedade, que honre a face de D’s, que existe em cada ser humano. Nesse sentido, cabe ao homem fazer da terra um lugar de liberdade e justiça, bem estar e compaixão, onde o rico auxilia o pobre e os poderosos, os impotentes. E onde o ecossistema é protegido por todos.

Mas há um detalhe que faz toda a diferença. É o conceito de pacto, que, no Sinai, criou um vínculo de responsabilidade coletiva. É como se Deus dissesse aos presentes: quando chegar o momento de criar a sociedade, eu não vou fazer isso para vocês. Vocês vão fazer por conta própria, trabalhando unidos.

O pacto, entre o Criador e o seu povo, determinava a existência de uma política de responsabilidade, que vem acompanhando a história do povo judeu, desde então.

Na Idade Média, por exemplo, quando os judeus eram errantes, sem direitos civis garantidos, continuaram construindo escolas, para educar os seus filhos, e instituições de caridade para amparar os necessitados. Eles não ficaram esperando que alguém fizesse isso por eles.

O dito Am Echad Lev Echad (Um só povo, um só coração) expressa bem essa prática de responsabilidade coletiva, que preservou o nosso povo diante das ameaças externas.

Entre nós, o “naassé vê nishmá” (vamos fazer e escutar), dos tempos da entrega da Torá, significa que primeiro temos que nos comprometer, para depois conseguir escutar. Apenas
depois que nos envolvemos com nossa herança judaica e com o destino do nosso povo, somos capazes de escutar acerca dos caminhos para realizar esta missão.

A falta de comprometimento nos torna surdos, enquanto que o compromisso com uma causa nos garante a capacidade de ouvir.
Há realmente uma escuta no mundo judaico de hoje?

No casamento, ouvimos os nossos parceiros? Em nossas casas, os pais ouvem os seus filhos? Os filhos ouvem os pais? Nas nossas escolas, os alunos ouvem os professores? Os professores ouvem os alunos?

Como líderes, ouvimos os questionamentos e as angústias de nossos liderados? Nós escutamos os gritos de dor dos excluídos da comunidade?

Rabbi Jonathan Sacks adverte:
– Podemos nos queixar de não sermos ouvidos por D’s, se nós fracassamos em escutar as vozes de seres humanos, que convivem tão perto de nós?

Chag Shavuot Sameach!

Um comentário

  1. cristina senna
    cristina senna 7 de junho de 2016 at 9:43 |

    Tov meod! Muito bom o seu artigo! O mundo so ficará melhor para todos quando todos se comprometerem e ouvirem a voz de Deus que diz: Ame o seu próximo! Ame-os como eu amo você! Ouvir é obedecer.

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