O Schindler do Japão na Lituânia

O dia 27 de janeiro é uma data dedicada à homenagem de milhões de pessoas que foram torturadas e mortas nos campos de concentração, comandados pela Alemanha nazista, durante a Segunda Guerra Mundial.

E é sempre bom lembrar, que no meio de tanta crueldade, heróis anônimos, fizeram uma outra história, através de gestos humanitários como o do diplomata japonês Chiune Sugihara, nomeado vice-cônsul em outubro de 1939, um mês depois que a Alemanha invadiu à Polônia.

Sugihara está entre os 15 diplomatas que emitiram vistos para judeus europeus durante a Segunda Guerra Mundial e, muitas vezes, foi chamado de “Schindler do Japão” – uma referência ao industrial alemão Oskar Schindler, que salvou a vida de 1.200 judeus durante o Holocausto.

Um mês depois que os aliados da Alemanha nazista e da União Soviética atacaram e destruíram a Polônia, o Japão viu a Lituânia, ainda independente e neutra, que abrigava milhares de refugiados poloneses, como um local perfeito para enviar o poliglota Sugihara, que deveria  coletar informações sobre os desenvolvimentos militares na região.

A relativa calma naquele país terminou no ano seguinte, quando Moscou invadiu a Lituânia. Multidões de refugiados judeus, principalmente, da Polônia ocupada, começaram a se alinhar no consulado japonês buscando vistos para fugir.

Depois que o Exército Vermelho entrou na Lituânia, os refugiados perceberam que alí não seria o mesmo país neutro que lhes deu refúgio, um ano antes. A Lituânia ocupada pelos soviéticos era menos previsível e mais perigosa.

Escapar da Lituânia 

Sugihara não perdeu tempo e emitiu mais de 2.000 vistos entre os meses de julho e agosto de 1941, às vezes trabalhando 18 horas por dia e evitando instruções rigorosas emitidas por Tóquio. Ele cooperou estreitamente com o cônsul holandês em Kaunas, Jan Zwartendijk, que forneceu documentos que permitiram que os judeus alcançassem o território caribenho holandês de Curaçao depois de terem atravessado o Japão.

Durante esse tempo, os soviéticos anexaram completamente a Lituânia e ordenaram que diplomatas estrangeiros saissem daquele país. Sugihara manteve a emissão de vistos no hotel Kaunas Metropolis e de acordo com algumas testemunhas, continuou essa emissão até do trem, Kaunas -Berlim, antes de partir para a Alemanha.

Com vistos em seus bolsos, os judeus fizeram uma viagem de trem durante duas semanas na Rússia para Vladivostok no extremo leste e depois viajaram de barco para o Japão. Muitos foram enviados para o Gueto de Xangai e ficaram lá até o final da guerra. Para aqueles que não fugiram, a tragédia era iminente: mais de 90% dos mais de 200 mil judeus lituanos morreram sob a ocupação alemã nazista de 1941-1944.

Sugihara renunciou ao Ministério das Relações Exteriores em 1946 e alguns historiadores afirmam, que ele foi forçado a fazê-lo por desafiar as regras enquanto estava na Lituânia.

Ele morreu em 1986, dois anos depois de receber o título “Justo entre as nações” de Israel, em homenagem a pessoas que salvaram judeus durante o Holocausto.

Legado ainda vivo 

Hoje, existem cerca de 3.000 judeus que vivem na Lituânia, atualmente com uma população de 2,8 milhões de pessoas.

Para seu líder, Faina Kukliansky, o legado histórico de Sugihara é “imensurável”. “A determinação japonesa de Sugihara e seu espírito de humanismo europeu construíram uma ponte para a vida de 6 mil judeus, enquanto seu legado constrói pontes entre nações e gerações”, disse.

Kaunas e a capital da Lituânia, Vilnius, nomearam ruas e praças com o nome de Sugihara, enquanto o antigo consulado é agora um museu. No ano passado, 14 mil turistas japoneses visitaram a casa em um arborizado bairro de Kaunas.

“A Lituânia orgulha-se do legado do Sr. Sugihara. Estamos muito felizes em ver que devido a Sugihara House, o turismo do Japão para Kaunas e para Lituânia, em geral, aumentou impressionantemente”, disse a ministra das Relações Exteriores da Lituânia, Linas Linkevicius.

 

 

Um comentário

  1. Madeleine Mansur
    Madeleine Mansur 16 de Janeiro de 2018 at 13:05 |

    Muito bom conhecer heróis que salvaram os judeus na guerra….

    Responda este comentário

Comente