O terror não tem fronteiras

A semana que precedeu o Yom Kipur foi repleta de acontecimentos que embora sejam diferentes no conteúdo, tem um fio que os liga fortemente.

Quarta-feira, 27/9, antes das 7h30 da manhã, as más notícias já estavam no ar: atentado terrorista na colônia Har Adar, em Gush Etzion, na Judeia, ao sul de Jerusalém.  O saldo: três israelenses e um palestino, mortos.

O terrorista, Nimar G’umail, 37, casado + 4 filhos, da aldeia próxima, Surik, trabalhava em limpeza de casas na colônia e neste dia, iria limpar a casa da conhecida Sharon Wekssler, que apresenta a previsão de tempo na TV, canal 1.

Har Hadar está situado na linha divisória – Kav Yarok – a Linha Verde que separa Israel dos territórios ocupados  e está cercado de aldeias palestinas cujos habitantes, na sua maioria, trabalham na região com licenças concedidas pelo governo militar.

Segundo os colonos, as relações entre eles e os vizinhos palestinos sempre foram excelentes, coexistência pacífica, um idílio.

Na entrada da colônia, um posto militar para o exame de segurança rotineiro de todos que entram.
As 7 da manhã chegam dezenas de palestinos que trabalham em construção, eletrecidade e demais profissões correlatas. Todos passaram, Nimar foi o último a se aproximar e chamou a atenção dos soldados e seguranças. Primeiro, porque estava afastado dos demais e ele é conhecido pelos seguranças, trabalhava todos os dias há 4 anos.

Segundo, vestia uma jaqueta de inverno, num dia tão quente. O soldado da Polícia de Fronteira ordenou que parasse, pois queria examiná-lo. No mesmo segundo, sacou um revólver e matou três, disparando 13 balas, como em filme de cowboy.

Uma combatente que fazia par com o soldado, atirou no terrorista que morreu tambem no local.
O chefe do serviço de segurança local, morador da colônia, foi gravemente ferido, mas já está em recuperação. Recebeu duas balas à queima roupa.

Os presentes ficaram em estado de choque: não podiam acreditar no que havia acontecido. Nimar tomava café com as patroas que até deixavam os filhos em casa quando saiam para compras nas proximidades.

Um dos três israelenses mortos  era um ex-soldado que trabalhava como segurança, árabe, residente em Abu Gosh, famosa pelos seus restaurantes e hospitalidade. O terror não tem fronteiras.

Anfiteatro parcialmente vazio

Para o mesmo dia à noite estava programada e foi realizada apesar do choque, uma cerimônia oficial em Gush Etzion, em comemoração aos 50 anos do estabelecimento das colônias na Judeia e Samaria, considerado o maior empreendimento do Movimento Sionista.

Há 6 meses atrás, o governo aprovou a realização da cerimônia com o carimbo “oficial”, o que causou muita discordância nos meios políticos, pois as cerimônias oficiais estão agrupadas numa relação, que foi redigida pela comissão ministerial de cerimonial e símbolos nacionais, que é permanente: são mais de 30 cerimônias  como o Yom Haatzmaut, dias de recordação aos caidos nas guerras, Yom Hashoá, cerimônias que são realizadas na Knesset ou em qualquer parte do país dependendo da comemoração, que constam no calendário anual.

Esta cerimônia foi criada por uma decisão do gabinete sem passar pela dita comissão. A organizadora –mor foi a ministra da Cultura, Miri Regev.

Foi erguido no local um anfiteatro enorme, que estava parcialmente vazio. Poucos deputados do Likud compareceram, da oposição, apenas um, as autoridades militares com exceção do comandante militar da região, optaram pela ausência como também os colonos da vizinhança e os haredim. Não há um consenso nacional com relação aos territórios ocupados. Até o Supremo Tribunal não enviou representante como de praxe em todas as cerimônias oficiais, pois após debate concluiram que a cerimônia é política e não oficial. Nenhum representante da oposição foi convidado a discursar, por quê?

Nesta mesma semana, se recorda a guerra de Yom Kipur, com mais de 2 .000 soldados caidos e o traumatismo coletivo que deixou marcada na lembrança do povo.

Por que festejar com tanta pompa um acontecimento que depois de 50 anos, ainda é o pomo da discórdia da sociedade israelense?

O presidente Rivlin na cerimônia em memória aos caidos na guerra de Yom Kipur.

Domingo, 1/10, foi realizada a Cerimônia Oficial de Recordação aos caídos na Guerra de Yom Kipur, no Monte Hertzl. Nenhum ministro compareceu à cerimônia. Vergonhoso!

Assim chegamos ao início do problema: a euforia após a guerra dos 6 dias. Sem lembrar que em 6 dias, cairam mais de 700 combatentes, foi uma vitória militar ímpar na história das guerras. Até hoje é ensinada nas academias militares, mas seu preço foi elevadíssimo. Mais ainda porque deixou esta brecha na unidade nacional.

O que é mais importante a Paz ou a integridade territorial? Ben Gurion em depoimento prestado anos depois de estar afastado da vida pública e política, disse:” Israel não concretiza os valores gravados no termo –Povo extraordinário – Am Segulá” – e conclui afirmando que “está convencido  que a Paz é mais importante do que a integridade territorial.”

As terras Gush Etzion, foram compradas na década de 1920 e foram colonizadas até que em 1947, as forças da Liga Árabe massacraram os colonos.

Em 1968,  Hanan Porat, um dos mais descados líderes dos mitnachalim, conseguiu aprovação do primeiro ministro então, Levi Eshkol, a estabelecer novamente a colonização judaica na Judeia, mesmo antes do governo decidir qual seria o destino dos territórios ocupados ou libertados, segundo a linha política da direita, exatamente em Gush Etzion. E assim fechamos o círculo com o fio que ligou todos estes acontecimentos .

HASSAN NAZRALLA VOLTA A AMEAÇAR


O Secretário Geral do Hesbollah, Hassan Nazralla, não saiu do seu esconderijo para comemorar com os seus seguidores o Décimo Dia ( Ashura ), uma data sagrada para os xiitas em todo o mundo.

Em Beirut, milhares de fieis se aglomeraram em praça pública para ver e ouvir as ameaças do comandante projetadas num telão.

Nazralla declarou que não odeia os judeus e sim os sionistas. Que os judeus que vieram do mundo todo para Israel, devem abandonar o país, pois o governo de Netanyahu está caminhando para uma guerra que causará a destruição de Israel.

Fontes militares israelenses informam que o poderio militar do Hesbollah não é desprezível, mas impossível de ser comparado com o de Israel. Além do mais, Hesbollah sofreu grandes perdas durante a guerra na Síria, mais de 2 mil combatentes mortos e 7 mil feridos, portanto a hora não é propícia para guerra.

O MOSSAD PROMOVE MULHERES
Recentemente o Mossad promoveu duas mulheres do seu contingente para o cargo de Chefes de Divisão, equiparado a general do exército. O sexo fraco é forte em espionagem. O número de mulheres ocupando importantes cargos de chefia no Mossad  tem aumentado sensívelmente.
Kol Hakavod!

ESPORTES


Yarden Gerbi  uma das maiores desportistas de Israel, anunciou nesta 2ª feira que vai abandonar o Judô. Aos 28 anos, depois de uma carreira brilhante, título de campeã mundial e medalhista olímpica, desiste da carreira e “pendura o cinto preto “. Lamentamos , mas deve ter suas razões.
Em troca, a atleta paralímpica Moran Samuel , 35 , conquistou a medalha de prata no campeonato mundial de remo, realizada na Flórida, EUA. Participou dos jogos paralímpicos do Rio em 2016 na qual recebeu a medalha de bronze .

A LUTA DOS DEFICIENTES FÍSICOS
Na semana passada, às vésperas de Yom Kipur, o secretário geral da Histadrut ( Sindicato Geral dos Trabalhadores ) comunicou que a entidade iria decretar greve geral no país, se o governo não colocasse na ordem do dia, imediatamente, a discussão e resolução do aumento do subsídio a que tem direito os deficientes.

No mesmo dia foi realizada uma reunião com representantes de todos os órgãos relevantes, com aprovação de um aumento que permita manter um nível de vida normal.

As reinvidicações dos deficientes variam de acordo com o grau e tipo de deficiência, que exigem diferentes tratamentos e ajuda profissional.

Vários órgãos representam os distintos grupos de deficientes e nem todos aceitaram a proposta aprovada na reunião  e continuam realizando as manifestações de obstrução das vias de trânsito.
Encerraram o ano em litígio e iniciaram o novo ano sem solução para o problema.
Uma lástima!

UMA VISTA GERAL DO MUNDO
O céu não está azul sobre este mundo de violência. É impossível passar em branco: terrorismo em Marselha, duas mulheres esfaqueadas, mortas. Em Alberta, no Canadá, atropelamento criminoso, em Barcelona uma carnificina nas ruas com mais de 700 feridos e para culminar, o massacre em Las Vegas, que deixou mais de 50 mortos e acima de 500 feridos. Foram ouvir música. Que mundo vamos deixar para as novas gerações?

O RETORNO À GAZA


O primeiro ministro da Autoridade Palestina, Rami Hamdalla, acompanhado pelos seus ministros e dezenas de altos funcionários do governo ( haja dinheiro), atravessou o cruzamento Erez entrando em Gaza depois de 10 anos de desligamento total entre os dois segmentos palestinos: Hamas e Fatach.

Tendo os egípcios como mediadores, Hanie e Hamdalla se encontraram para pôr fim a discórdia e encontrar um “modus vivendi” que permita a unificação do povo palestino e talvez o caminho para uma solução das divergências com Israel.

O acordo entre as duas facções tornou-se possível com a decisão de entregar à Autoridade Palestina o governo civil , administrativo de Gaza , deixando nas mãos do Hammass as responsabilidades militares.

Na 3ª feira, 3/10, os novos ministros assumirão seus cargos em Gaza. Este poderá ser um passo para aproximação com Israel , embora as primeiras palavras do primeiro ministro tenham sido , reafirmar a oposição à ocupação e continuar a luta pela independência , sem nenhuma menção ao estabelecimento de um diálogo com Israel .A pergunta que fica no ar : se o Hamas decidir mandar uns foguetes para Israel como de hábito, quem será o responsável? Hamdalla?Abbu Mazzen? Ou Ihieh Sanuar, o chefe do braço militar do Hamas?

O Serviço de Segurança egípcio fez grandes esforços para promover este encontro , que não contou com a boa vontade das partes que lutam para conquistar a confiança dos palestinos.

Nada foi muito real na festividade em Gaza, pois Hanie concordou com a aproximação graça às pressões econômicas de Abbu Mazzen . Ficou sem fundos para governar.

O grande problema que terão que enfrentar serão os salários astronômicos dos milhares de “funcionários fantasma” do Hamas.

Abbu Mazzen não está disposto a abrir as torneiras. Vai ser uma novela, com muito drama e pouco amor . Estamos às vésperas de Sukot.
Envio aos leitores, à equipe do jornal e ao povo judeu os votos de CHAG SUKOT SAMEACH!

SHALOM ME ISRAEL!

 

 

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