Os 70 anos da Federação Israelita no Rio

Setenta anos atrás, um grupo de judeus que mal conhecia o Rio e a cultura local fundou uma entidade para representá-los. Foi o início de um processo que levou à criação de escolas, clubes, lares para idosos, coletivos de jovens e instituições femininas. Em uma sessão solene no Palácio Guanabara, a Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj) comemorou seu aniversário assumindo como principal desafio o combate à intolerância religiosa.

Foi assim que começou a matéria publicada no jornal “O Globo” da última sexta-feira, 15 de setembro, dia seguinte ao evento em homenagem aos 70 anos da Federação Israelita. Para muitos foi um gol de placa, afinal, pela primeira vez, em 70 anos, uma comemoração desse porte é realizada na sede oficial do órgão máximo do Estado do Rio de Janeiro.

Sem dúvida, a festa foi bonita e de alto nível com as presenças do governador Luiz Fernando Pezão, do vice prefeito Fernando Mac Dowell, dos deputados estaduais Sergio Szvaiter e Samuel Malafaia, dos vereadores Marcelo Arar e Teresa Bergher, do presidente da CONIB Fernando Lottenberg, do cônsul honorário Osias Wurman, entre outras personalidades.

Mas as comemorações não acabam por aqui, ainda teremos outros eventos para essa data festiva, além das grandes iniciativas que a atual diretoria da Fierj vem tomando ao longo do seu primeiro ano de mandato.

O presidente da Federação, Herry Rosenberg, conta na entrevista a seguir, o que tem feito pela comunidade judaica fluminense e as novidades que estão por vir. Vamos lá?

.Por que o aniversário da Fierj foi comemorado no Palácio Guanabara?

-A Federação iria ser homenageada na Assembleia Legislativa pelo deputado Samuel Malafaia, porém os eventos nessa casa, só podem ser realizados durante o dia. Foi então que sugeri ao deputado, sem muita convicção, que a homenagem fosse no Palácio Guanabara e para minha surpresa, a ideia foi aceita de imediato.

. Teremos outras comemorações?

-Estamos revitalizando o Festival de Cinema Judaico que vai acontecer em outubro. No mesmo mês  está previsto para o dia 22, domingo, na Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, atividades e atrações judaicas. O nome provisório para esse evento é Fest Judaica e vamos ter um palco com danças e música folclórica, além de barracas com comidas típicas e uma mini flip com escritores judeus prestigiados, que irão vender e autografar seus livros. Será uma grande festa e contará com a participação de todas as instituições judaicas.

. O que a atual diretoria priorizou para a sua gestão?

-Educação. Estamos trabalhando seriamente para a educação e juntamos as escolas judaicas para realizar um grande trabalho de marketing cuja campanha é “Coloque seu filho numa escola judaica”. Essa campanha irá mostrar a importância da escola judaica e das pessoas que hoje têm destaque na sociedade em suas diversas áreas de atuação.

Estamos trabalhando também para ampliar o número de bolsas de estudo para as crianças que não podem pagar uma escola judaica. Hoje, o Lar da Criança oferece de 130 a 140 bolsas e queremos ampliar esse número.

Na área social, implantamos uma Central de Assistência Social que tem à frente o diretor Alexandre Dodeles. Esse trabalho é importante no sentido de cadastrar as pessoas, que solicitam ajuda às instituições judaicas, não duplicando os donativos, ao mesmo tempo, que amplia o número de beneficiários.

Uma importante ação que estamos trabalhando para realizar em breve é a viagem para os formadores de opinião, onde jornalistas e personalidades são convidados para conhecer Israel. Isso foi feito no passado e estamos retomando, pois todos os projetos que foram feitos com sucesso em outras gestões devem ser realizados. Não vejo qualquer problema quanto a isso, afinal quando sentamos nessa cadeira de liderança, trabalhamos para o todo e não para nós mesmos. Meu pai, que sempre fez trabalho voluntário, dizia, que “o maior salário de um voluntário é a gratidão”.

E por último, porém não menos importante, estamos priorizando a reengenharia comunitária, que é adequar as instituições judaicas à nova realidade para aumentar o seu leque de atuação, tornando-a mais produtiva. O patrimônio físico de nossas instituições é muito grande e com alto custo de manutenção. Por que não otimizar esses espaços?

. Sua diretoria tem jovens na liderança. Como se deu essa aproximação considerada muito difícil na maioria das instituições judaicas?

-Não acho que só a Federação tem pessoas jovens à frente de sua diretoria, de um tempo para cá, as escolas judaicas têm presidentes na faixa dos 40 anos e as instituições femininas também estão com presidentes mais jovens, bem como suas diretoras.

.Há 70 anos, o papel da Federação Israelita era a criação de escolas, clubes, lares para idosos e instituições femininas. E hoje, qual é o papel da Federação?

-A Federação é a representante política dos judeus no Estado do Rio de Janeiro. Atuamos no combate à intolerância religiosa, na assistência social, na educação e também contribuímos nas ações sociais do nosso estado como a Campanha do Agasalho promovida em conjunto com a prefeitura do Rio. Distribuímos mais de 20 mil itens para crianças e idosos carentes.

 

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