Os cães de guarda da democracia


Há quase duas semanas a mídia israelense está em guerra com a Promotoria e o Departamento de Investigações da Polícia.

O ex-deputado, ex-prefeito de Jerusalem, ex-ministro das Finanças e ex-Primeiro ministro de Israel  Ehud Olmert foi acusado de corrupção e em março de 2014 julgado e condenado a 6 anos de prisão.
Os advogados apelaram para a Côrte Suprema e a pena foi rebaixada para 19 meses.

As faltas pelas quais foi acusado foram cometidas na sua cadência como prefeito de Jerusalém, quando com outros altos funcionários da prefeitura, se envolveu numa trama para promover um investimento imobiliário de grandes proporções- Hollyland- que despertou um desagrado muito grande na população da cidade e entre arquitetos especialistas em planejamento urbano.

Os opositores alegaram que o projeto era incompatível com a paisagem, um “elefante branco”, que não se enquadrava na construção típica de Jerusalém.

Com as discussões, surgiram as suspeitas de que por trás da atuação de Olmert e outros, haveria algum interesse financeiro e o assunto foi rolando até que as suspeitas se tornaram mais concretas e terminaram em investigações policiais e os suspeitos foram julgados e condenados.

Na época do julgamento, Olmert já havia assumido o cargo de primeiro ministro do qual demitiu-se, para iniciar o cumprimento da pena.

A lei permite ao prisioneiro cujo comportamento na prisão é correto, o direito de pedir revogação de 1/3 da pena. Olmert tinha direito a usar esta opção e solicitou à comissão de liberação prévia que julgasse o seu pedido.

Durante o período de prisão, Olmert decidiu escrever a sua biografia como homem público. Sua carreira de serviços ao país foi longa e positiva, sendo considerado um dos melhores primeiros ministros de Israel.

Durante as suas cadências como chefe do governo, vários incidentes importantes para a segurança do país, como a denominada 2ª guerra do Líbano e a discutida destruição do projeto atômico da Síria, evidenciaram a sua capacidade de tomar decisões muito importantes e com muito êxito.

O regulamento do Serviço de Prisões, exige que qualquer documento escrito, só pode sair da prisão depois de ser censurado pela direção do  mesmo.

Olmert recebeu o consentimento para escrever o livro, porém não lhe foi permitido o uso de computador, portando seria manuscito.

Como na sua vida política atuou tambem em decisões militares, os seus manuscritos teriam que ser submetidos  tambem á censura militar.

Durante mais de um ano, os capítulos que escrevia eram revistos pela direção da prisão, encaminhados à censura militar e então, ao seu advogado que entregava à editora que iria publicar o livro, que pertence ao jornal Yediot Hacharonot.

Alguns dias antes da reunião da comissão de liberação prévia, o Promotor Geral , solicita o adiamento da discussão sobre o caso Olmert, pois há suspeitas de que entre os capítulos escritos já em mãos da editora, existe matéria de risco para a segurança do país.

A comissão, que é dirigida por juíz aposentado, recusou o pedido e a reunião foi realizada e a decisão seria publicada dentro de duas semanas.

O que faz o Promotor? Envia uma equipe policial do Departamento de Investigações  da Polícia , com um mandado judicial, para confiscar todos os manuscritos de Olmert  em poder da editora .
Confiscaram computadores, material relativo ao livro de Olmert, ainda não completo, bem como de outros escritores não envolvidos .
Levaram para interrogação o jornalista responsável pela editora , junto com os caixotes de material .
Nunca houve em Israel um abuso dos direitos humanos e de livre expressão nestas proporções !
Toda a imprensa , mesmo os que não apoiam Olmert polìticamente , deputados e ministros do atual govêrno , tambem contrários à linha política de Olmert  protestaram  veementemente contra este desrespeito aos princípios democráticos que regem o país.

Todas as declarações da Promotoria e da Polícia não acalmaram a onda de protestos e  em resposta  à apêlo, a Côrte Suprema instruiu à polícia a devolver todo o material confiscado , com exceção de dois capítulos escritos por Olmert, que merecem revisão. Os cães de guarda da democracia ladraram e a carruagem parou.

A GUERRA NA  SÍRIA DESLIZA PARA ISRAEL
No sábado pela manhã, a paisagem pastoral de Ramat Hagolan foi surpreendida pela explosão de 11  morteiros!

Estamos na época da colheita de cerejas cultivadas em kibutzim da Ramá que atrai milhares de turistas locais, que vem para colher os frutos e pagar de acôrdo com o pêso. É programa para toda a família.
Com as explosões, o exército ordenou a evacuação dos visitantes e a resposta de Israel não tardou. A força aérea bombardeou dois tanques sírios que estavam próximos à fronteira como tambem posições do exército de Assad. Onze morteiros não são consequência de erro de alvo.

Domingo, outra vez erraram o alvo e novos morteiros cairam em  território israelense. Israel reagiu, destruindo dois canhões e um caminhão de munição do exército sírio.

O ministro da defesa, Liberman, declarou que Israel tem o direito e a obrigação de defender a sua população e ataques à sua soberania territorial. Que qualquer agressão vinda do lado sírio da fronteira, o governo desse país é o responsável. Nós não participamos da guerra civil síria.

Todos os anos no verão, alem do calor, recebemos tambem “aquecimento” explosivo.

VISITAS IMPORTANTES
Os dois assessores especiais do presidente Trump para assuntos do Oriente Médio, Kushnir e Grinblat, se encontraram com a liderança palestina e israelense, para iniciar a fase de exposição de plataformas de cada uma das partes conflitantes.

Não voltaram à Casa Branca com notícias promissoras. Tanto Israel como a Autoridade Palestina tem posições muito sólidas, difíceis de remover, mas Trump tem como meta conseguir algum entendimento para convivência pacífica, mesmo sem um acôrdo de Paz oficial.

Dizem os historiadores, que o processo de negociação de paz entre o Vietnã e a França, durou mais de duas dezenas de anos, outros como na Irlanda, centenas de anos, portanto, ainda temos tempo.

Alguns ítens  abordados  pelos americanos, como os salários pagos pela Autoridade Palestina às famílias de terroristas presos em Israel, aborreceram muito o presidente Abbu Mazzen, mas os americanos estavam irremovíveis.

Uma das maiores dificuldades atuais, é a crise interna palestina, entre Fatach e Hamas e Abbu Mazzen está decidido a derrubar o governo de Hamas em Gaza, recuperar a soberania e o governo da região.
Para isso está tomando decisões que dificultam demais a vida da população, cortes no suprimento de água e eletricidade  por exemplo, na expectativa de que o povo se revolte contra os líderes, que usam a ajuda financeira que recebem do exterior, na fabricação de armas, excavação de túneis e sustento de toda a força militar. Os americanos sairam decepcionados.

ESPORTE – COMPETIÇÃO DE ATLETISMO ENTRE NAÇÕES EUROPEIAS


Pela primeira vez, Israel está recepcionando os paises participantes desta Copa,  que é realizada tradicionalmente na Europa a cada dois anos.

Uma competição atlética deste nível esportivo e dimensão, ainda não foi realizada em Israel, pois conta com a participação de vários atletas medalhistas das Olimpíadas do Rio, 500 atletas de 12 paises.

Além de Israel, participam Áustria, Islandia, Hungria, Letônia, Lita, Moldóvia, Estônia, Eslováquia, Serbia, Chipre e Croácia.

As competições foram realizadas no sábado e domingo, no estádio de atletismo em Hadar Iosef, próximo a Tel Aviv e contaram com 42 disputas, 20 femininas e 22 masculinas, sendo que cada país é representado pelo seu melhor atleta no setor.  O nível esportivo das competições foi dos melhores , com 4 recordes internacionais. Israel ficou colocado em oitavo lugar, entre 12 e a Hungria em primeiro lugar.

CONFERÊNCIA DO ÓDIO
Esta semana será realizada na sede da ONU, em Nova York, a conferência organizada pelas entidades antissemitas e anti-israelenses que propagam o ódio e a delegitimação de Israel como a pátria do povo judeu.

Além da BDS, participam organizações como a AFSC – American Friends Service Committee (cristãos americanos) e a JVP – Jewish Voice for Peace, uma das mais ativas organizações que prega o boicote contra Israel nos Estados Unidos (judeus americanos, sim).

As organizações palestinas Al-Haqq e Al –Mizan, que atuam junto ao Tribunal Internacional tentando obter condenação de Israel por crimes de guerra, tambem participam da conferência que assinala “50 anos de ocupação israelense”.

O deputado pela Lista árabe unida na Knesset, Aaideh Toma e o secretário geral organização Be Tzelem, Hagai Elad, completam o time.

Israel protestou junto ao Secretário Geral da ONU, Antonio Guterres e solicitou o cancelamento desta conferência de ódio a Israel e aos judeus, na sede da ONU, que reune todos os paises em busca de colaboração e entendimento entre os povos.

DILEMA DE NETANYAHU: UNIDADE JUDAICA OU PODER POLÍTICO
É evidente que o primeiro ministro optou pelo poder político. Ainda em meio à ebulição do caso Olmert, no domingo, dia da reunião semanal do gabinete ministerial, Netanyahu se curvou diante das pressões da coalização e duas leis que ferem a unidade judaica como povo, foram aprovadas.

Como já expliquei em outros artigos , os partidos religiosos que participam da coalizão governamental, são minoria –os dois partidos haredim e o Shass , ultra ortodoxos e Habayt Hayehudi , nacionalistas religiosos (direita radical) num total de 5 ministros.

Estes partidos são o fiel da balança , pois sem o voto deles o governo cai , ou seja perde a maioria na Knesset.

Assim sendo, duas leis que já foram votadas no governo anterior , foram rejeitadas na reunião de domingo. A 1ª que concede o “monopólio” da conversão ao judaismo ao Rabinato de Israel e a 2ª que concede o ” monopólio” do Kotel aos haredim ultra ortodoxos.

Com isso, todos os judeus que fizeram conversão com rabinos conservadores , reformistas ou ortodoxos light, perderam a sua identidade judaica, ou seja milhões de judeus, principalmente americanos, deixaram de ser judeus segundo a lei de Israel.

Quanto ao Kotel, o plano  que já havia sido aprovado, de estabelecer um local junto ao Kotel,afastado das áreas  de oração destinadas aos ortodoxos nas quais mulheres e homens estão separados, para as comunidades  conservadora e reformista rezarem de acôrdo com os seus rituais, foi cancelado.
O mundo judaico não ortodoxo, que é a maioria do povo judeu em Israel e na Diáspora, está em ebulição, revoltado com o descaso de Israel com grande parte do seu povo.

A liderança judaica americana, que tem no seu seio congressistas, intelectuais influentes e milhões de seguidores , em conjunto com a Agência Judaica (Sochnut ) representada pelo seu presidente Nathan Sharansky, decidiram debater o problema e tomar decisões drásticas no seu relacionamento com Netaniahu.

Exatamente nesta semana, está reunido em Jerusalem, o Conselho de Curadores da Agência Judaica cuja maioria é de judeus americanos e deveriam se reunir com o primeiro ministro na próxima 5ª feira , mas declararam que cancelaram o encontro.

Na Knesset os ânimos se exaltaram e Yair Lapid, Yesh Atid, em declaração à imprensa, disse que “Netanyahu deixou de ser primeiro ministro do povo judeu para ser fantoche dos ativistas haredim”.
Os protestos vão continuar, pois se criou uma brecha entre os judeus da Golá e Israel.

O ministro da defesa Avigdor Liberman (da coalizão) declarou que “Netaniahu vai transformar Israel de pais sionista em país teocrático”.

Vamos esperar mais alguns dias para baixar o calor e os ânimos exaltados com fortes razões .
SHALOM ME ISRAEL

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