Os previstos e os imprevistos

Estamos vivendo mais tempos de imprevistos do que de previstos, aqui e alhures. Nem um mentalista israelense, como o Lior Suchard, poderia adivinhar, há menos de cinco anos atrás, quem estaria no comando da nação mais poderosa do mundo. Aliás, que está fazendo uma força danada para ser superada.

E aproveitando que o mentalista vem ao Rio de Janeiro, na semana que vem, desafiaria esse gênio a tentar adivinhar quem vai comandar o nosso país, a partir do próximo ano. Sim, por que para nós, pobres mortais, cidadãos brasileiros, tal tarefa é impossível.

Há um tempo atrás, previmos que Lula seria uma carta fora do baralho. Mas tanto se embaralha justiça com política que o homem ressurgiu, em mais uma jogada espúria dos partidos e dos homens, que governam o Brasil há mais de uma década.

Perguntaria ao Lior, também, quando o Rio vai sair do buraco. Inimaginável há pouco tempo atrás. Aproveitaria, ainda, para ele mentalizar onde está o nosso prefeito bispo.

Só para ficar nos imprevistos dessa semana. Alguém, em sã consciência, poderia prever que o novo chefe da Polícia Federal seria nomeado a pedido de Sarney e Padilha, contra a vontade do Ministro da Justiça? Que o Gato Angorá, comprometido com a corrupção até o pescoço, ficaria responsável por toda a verba da comunicação do país, em ano de eleição? Que a Lei da Ficha Limpa, já referendada pela mais alta corte do país, voltasse a ser tema de projeto legislativo, para beneficiar suas excelências?

“Me tira o tubo”, como diria aquele personagem do Jô Soares, nos idos de 70. Que país é esse, acrescentaria Renato Russo, me ajudando a tentar entender o retrocesso do Congresso em relação à Lei do Aborto. Pelo novo texto, até caso de estupro não é mais justificativa para que a mulher tenha direito a interrupção de sua gravidez.

Nesse contexto, o que se pode prever é o aumento exponencial de mortes de brasileiras pobres, abandonadas pelo poder público, no seu intento de se livrar de uma gestação indesejada, por essa ou outra razão. O que suas excelências deveriam compreender é que o corpo, que gera, é da mulher, e não propriedade do estado.

Na verdade, essa causa tão humana ainda não viralizou, como deveria, nas redes sociais. As ruas, também, permanecem caladas. Afinal, esse problema não diz respeito a celebridades. Elas, sim, encontram espaço para divulgar o assédio sexual contra mulheres, alhures. Por aqui, só uma humilde funcionária teve coragem de acusar um global. Previ que seria a primeira de muitas, mas me enganei.

Assim como me enganei com o desfecho da tragédia de Mariana, em Minas Gerais. Que poder tem a Samarco para além de enterrar uma cidade, desterrar os seus moradores. A raiz da impunidade é a que está sendo fertilizada naquele rincão do nosso país. O imprevisto de mãos dadas com o previsto.
Nessa corrente do previsível e do imprevisível, avolumam-se as ações contra o meio ambiente e o retrocesso na legislação do trabalho escravo. Executivo e legislativo comprometendo o nosso futuro, em troca de interesses locais e pontuais, como no tempo dos coronéis da Velha República.

Leitores, façam suas apostas para o nosso futuro. O jogo já está sendo jogado, a roleta já está em movimento. Dois mil e dezoito já está aí…

 

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