Poderosas

Um título da última revista Forbes me chamou a atenção, nos instantes diários, que gasto, diante da banca de jornais, mais próxima da minha casa. É um hábito que alimento, desde que a falta de tempo fazia parte da minha rotina.

Numa capa, sob o fundo vermelho, ilustrada pelo sorriso discreto de cinco personalidades femininas, a Forbes anunciava a sua escolha das 40 mulheres mais poderosas do Brasil.

Com a mente impregnada de conceitos e preconceitos, mesmo admitindo que não era esse o perfil da revista, fui imaginando a lista com artistas globais, youtubers e influenciadoras do consumo, tão presentes nas redes sociais. Afinal venho de uma adolescência, em que todos os anos eram eleitas, pelos colunistas dos jornais, as mulheres mais elegantes da sociedade e, por outro lado, as “Certinhas” do Stanislaw Ponte Preta.

Se bobear ainda me lembro, da primeira lista, os nomes de Teresa de Sousa Campos e Carmem Mayrink Veiga, entre outras. E do outro grupo a Rose Rondelli, Carmem Verônica e Iris Bruzzi.

Quanto conhecimento inútil que guardo, ao longo da vida, como todo mundo, que já cruzou os sessenta! Não é à toa que, de vez em quando, o nosso HD dá uma rateada.

Mas, na verdade, essas lembranças me fazem reconhecer que o empoderamento das mulheres passou do discurso, do ideal para o mundo real. A Forbes destacou como poderosas as mulheres, que brilham no mundo dos negócios, no poder público, na moda como empresárias e na mídia.

Os perfis são bem variados, mas têm em comum a passagem por cursos de excelência no Brasil e no exterior e o espírito empreendedor e de liderança nos diversos campos. Na seleção dessas mulheres, há uma meia dúzia de bem nascidas, mas que assumiram, por sua conta e risco, segmentos inovadores nos negócios da família. Por exemplo, Regina de Moraes, filha do falecido empresário Antônio Ermírio, conduz o projeto “Velho Amigo”, destinado à melhoria da qualidade de vida de idosos carentes.

Entre as servidoras públicas se destacam os nomes da ministra Cármem Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, e da Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge. Essa última, por exemplo, fez o mestrado em Harvard.

Mas o que mais me encantou foi a diversidade dos talentos no mundo dos negócios, que vai do domínio da área de TI, passa pelo setor financeiro, pelo ramo de cosméticos, bebidas, empresas de medicina diagnóstica, turismo, entre outras.

Na mídia, a escolha que me decepcionou foi a da Sonia Racy. Trocava ela pela Cora Rónai, fácil. Aliás, notei o predomínio de um certo sotaque paulista na escolha das poderosas, mesmo reconhecendo que a capital econômica do nosso país é mesmo São Paulo.

Nesse contexto, me admirei com o destaque conseguido pela israelense Mia Stark, que está só há cinco anos no Brasil. Ela é CEO da Gazit Brasil, uma marca mundial na administração de shoppings. É a única estrangeira do grupo.

Encerro esse relato, com as palavras de Mia, uma idishé mamé, que resume bem o dilema das mulheres trabalhadoras, poderosas ou não:

– “Como profissional e mãe de três crianças, há sempre aquela tendência à culpa, a achar que não estamos desempenhando bem nenhuma das duas funções. O segredo é saber combinar as duas coisas.”

E conseguir ser poderosa por dentro e por fora, sem perder a ternura jamais.

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