Povo solidário

Mais uma semana efervescente passou e iniciamos uma nova não menos palpitante. As manifestações públicas aos sábados à noite, em Ashdod , contra a coerção religiosa e em Tel Aviv e outras cidades contra a corrupção, não saem da ordem do dia.

O povo de Israel tem um índice alto de solidariedade humana, social e está sempre presente, onde quer que possa ajudar aos que são atingidos pela injustiça, pelo uso de força governamental excessiva ou contra os direitos dos cidadãos.

Em Ashdod, no último sábado, 25 mil pessoas vieram ao Shopping Bing, que há mais de 3 anos abre aos sábados, onde funcionam mais de 30 estabelecimento comerciais, restaurantes, cafés, lojas de modas e sapatarias,ou seja, toda a variedade de comércio que funciona nos centros comerciais, em sinal de solidariedade com a população da cidade.

O grande afluxo foi consequência da notícia que correu de que a prefeitura estava enviando fiscais para multar os lojistas. Abrir lojas é desrespeito ao shabat, enviar fiscais judeus, funcionários da prefeitura para trabalhar no shabat é permitido pela Halacha Judaica?

Simultaneamente estão correndo os interrogatórios que envolvem sérias acusações de suborno e outras formas de corrupção, atingindo prefeitos de cidade grandes como Rishon Le Tzion, Ramat Gan, Netahania e outras. Deputados ao primeiro ministro, deixando pesado o coração do povo, que se sente lesado.

Ao par destes problemas, emerge do fundo da caldeira em ebulição, uma lava pesada, escura que atinge em cheio o âmago do sentimento judaico que vem sendo propagado há milênios de geração em geração.

Receber o estranho, o estrangeiro, o diferente de você que bate à tua porta, que veio de um lugar distante, que entrou na tua terra sem permissão. Mas você o recebe à sua mesa.

Desde os anos 90 do século passado, começou uma onda de infiltração ilegal de africanos em Israel, que aumentou de forma acentuada entre 2007 e 2012, até que foi completada a construção da cerca de fronteira entre Israel e Egito.

Durante este período, entraram em Israel, ilegalmente, 65 mil africanos. Em 2017, de acordo com os dados oficiais do Departamento de População e Imigração, havia em Israel 37.885 infiltrados registrados, sem incluir as crianças nascidas.
Cerca de 99% são africanos, dos quais 72% da Eritreia e 20%  do Sudão. Apesar de que a maioria tenha entrado em Israel através da fronteira com o Egito, Israel se absteve de enviá-los de volta para o Egito porque o governo egípcio não se comprometia a não deportá-los aos seus paises de origem, que eram considerados perigosos.

Como a maioria dos imigrantes não estava catalogada como refugiados e eram homens solteiros, jovens em idade de trabalho foram inicialmente alojados num acampamento construido para essa finalidade, no Neguev –Holot, próximo à fronteira.

Os imigrantes oriundos do Sudão e Eritréria  receberam “proteção coletiva” do governo israelense em razão do estado de guerra e perseguição étnica que estava em vigor nestes países.

Resumindo, a maior parte desta população se estabeleceu nos bairros pobres de zona sul de Tel Aviv, vivendo em moradias pequenas, sem conforto e condições sanitárias para abrigar dezenas de pessoas.

Os homens desempregados  passavam o tempo livre nas proximidades em praças públicas, muitos embriagados, entrando em conflito com a população israelense local, tornando impraticável a proximidade dos dois grupos populacionais e a polícia e o serviço social tiveram que trabalhar horas extras para evitar manifestações violentas.

Com o passar dos anos, muitos receberam visto de permanência provisória e com isso a possibilidade de trabalhar, outros aceitaram a proposta de emigrar para um terceiro país, com o qual Israel assinou um acordo dentro das normas exigidas pelas leis internacionais, recebendo a passagem e uma ajuda financeira de US$ 3.500  para iniciar uma nova vida. Esta importância, na África corresponde ao salário médio de dois anos.

A luta judiciária para encontrar uma solução para 20 mil que não concordaram com a volta à África está durando mais de 6 anos, durante os quais organizações voluntárias tem prestado ajuda, orientação, serviços de advogados, chegando a apelações no Supremo Tribunal, que em agosto de 2017, respondeu que o governo tem o direito legal de exigir a saída dos africanos que entraram ilegalmente e não apresentaram pedidos de asilo  porque não tinham razões palpáveis  ou que fizeram o pedido mas foram recusados.

Estes  tem o prazo de 60 dias para sair, caso contrário serão condenados a penas de prisão. As famílias e filhos até 18 anos de idade poderão permanecer no país, até que outra decisão legal seja tomada.

A revolta que tomou conta de grande parte da população israelense foi enorme, manifestações de protesto nas ruas, 25 juristas e professores de direito internacional assinaram uma carta enviada ao Conselheiro Jurídico do Governo, Mandelblit, recusando a decisão da Corte Suprema, os sobreviventes do Holocausto declararam que vão esconder os refugiados em suas casas, o judaismo puro brotou da lava negra: nós judeus não podemos fazer com estes milhares de sem pátria o que fizeram conosco.

Nós podemos absorvê-los, dar a eles condições de vida melhor do que poderão encontrar em qualquer terceiro país africano que concorda em recebê-los, mesmo que assinem contratos e recebam ajuda financeira. Todos sabem que destino terão em Ruanda ou em Uganda.

Serão roubados, ficarão sem status social, sem nacionalidade, sem trabalho e sem direitos. Há um mobilização intensa, na mídia, em todos os setores profissionais, no povo em geral à favor da permanência destes refugiados, infiltrados, são seres humanos infelizes.

Evidentemente que não é fácil para um país pequeno  com tantos problemas de segurança, de conflitos étnicos, arcar com a absorção de dezenas de milhares refugiados que entraram sem nada: sem bens, sem profissão, muitos em condições precárias de saúde, com uma cultura tão diferente da multiplicidade cultural existente em Israel .

Os custos são elevadíssimos, pois temos que começar de zero, em educação, profissionalização, vacinação preventiva e tratamento das doenças contagiosas, moradia, tudo o que um ser humano necessita basicamente.

Contudo, a solidariedade é muito grande e o povo estará disposto a contribuir com a sua parcela para não extraditá-los, expondo-os ao risco de vida, seja nos paises de onde vieram, seja nos terceiros paises, que não são dignos de crédito.

MAIS UMA VOZ SE CALA


Na 4ª feira, 31 de janeiro, 2018 , a voz do poeta e combatente Chaim Guri silenciou, na sua casa em Jerusalém , cercado de sua família, deixando o país em luto. Tinha 94 anos.

Chaim Guri foi o poeta que acompanhou o jovem país, nos seus momentos mais difíceis e tristes, como nos momentos mais bonitos desde a sua criação.

Os poemas de Chaim Guri  são cantados há 70 anos e contam a história de Israel com palavras que só a sensibilidade extrema, o amor ao próximo, ao companheiro de luta, o amor à patria podem gravar no papel e nos corações do povo.

Canções como Bab El Uad, Hareut , Panas Boded , Hine Mutalot Gufoteinu  estão gravadas na história de Israel para a eternidade.

Nasceu em Tel Aviv, em 1923  e em 1940 já estava nas fileiras da Palmach e em seguida na Haganá. Foi grande em tudo que fez, como poeta, escritor, jornalista e soldado. “Compos poemas como soldado e lutou como poeta”, Ihie Zichro Baruch .

PROFESSOR AHARON BARAK EM ENTREVISTA
Na edição de 6ªfeira, o jornal Yediot Aharonot publicou uma entrevista com o ex-presidente do Supremo Tribunal, professor Aharon Barak.

Duas jornalistas de projeção tiveram a tarefa de entrevistá-lo: Amira Lam e Tova Tzimuki.

A opinião de Barak quando perguntado se a democracia israelense está em perigo, deixou muita gente com insônia.

Vou citar algumas respostas :

“A liderança política de Israel não está bastante segura da sua própria habilidade, então usa força +força+força .”

“A democracia israelense está numa ladeira escorregadia, quem sabe onde vai isto vai parar.”

” Eu posso compreender aqueles que vão às manifestações na avenida Rotschild , em Tel Aviv.”

“A democracia não é baseada no fato de que os eleitos pelo povo possam fazer o que eles querem. Na minha opinião, a ministra da Justiça não entendeu este princípio.”

Com relação aos interrogatórios de Netanyahu:- “enquanto o Conselheiro Jurídico do Governo não chegou a conclusão, de acordo com os fatos, que existem bases para indiciar o primeiro ministro, ele não é obrigado a renunciar. O julgamento público pode levá-lo a se demitir.”

” Eu espero que o primeiro ministro não permita qualquer agressão ao status e a autoridade do Supremo Tribunal. Porém espero que ele não se cale e que intervenha quando os ataques ao Sistema Judicial estão atingindo proporções extremas.”

Com estas palavras, explicou que ele é um cidadão preocupado com a situação em Israel e espera que mais cidadãos se preocupem como ele.”

A entrevista tomou várias páginas do jornal e deixou muito material para se pensar .

A GUERRA INACABADA
A situação na Síria está seríssima  com a intervenção da Turquia em território sírio, na sua guerra particular contra os curdos.

O Irã continua enterrado na lama e sangue desta luta e os russos, que estão querendo deixar a arena , sofreram um ataque inesperado , quando um caça russo foi abatido por um míssil de ombro .

O Daesh se apressou em confessar o crime.

O governo sírio voltou a usar o gaz cloro, contra populações civis indefesas , causando mortes e ferimentos em mulheres e crianças , embora os fiscais da ONU tenham afirmado há mais de um ano que todo o arsenal de armas químicas sírias ou foram destruidas ou tranferidas para a Rússia .

A ONU continua ocupada em acusar Israel e agora tambem o Líbano , em consequência da cerca que Israel está construindo na sua fronteira com o sul do Líbano , que se tornou uma imensa base militar do Hesbbollah.

O ministro da defesa de Israel, Avigdor Liberman, declarou que se houver uma nova escalada militar na fronteira norte, Israel não vai separar o Líbano da zona ocupada pelo Hesbollah, que é parte do governo.

Portanto, se Nassrala ordenar algum ataque de foguetes contra a retaguarda de Israel, a aviação israelense vai atacar o Líbano  como um todo , como o responsável por qualquer agressão a Israel.

Aliás, nos últimos dias, as palavras ataque, ação bélica, foguetes estão em foco, tanto com relação a frente norte como a frente sul.

A situação humanitária em Gaza chegou a proporções de calamidade com a falta de alimentos, medicamentos, água potável, energia, apesar de receber 100 milhões de dólares por ano do Irã.

Esta soma fabulosa tem sido empregada na construção de túneis , na aquizição de armas e não para restauração da Faixa ou para melhorar as condições de vida do povo.

O conflito entre Fatach (Autoridade Palestina) e Hamas  tem causado sérios problemas à economia na região, pois Abbu Mazen suspendeu o pagamento dos salários aos funcionários , combatentes (terroristas) bem como aos líderes, há 3 meses.

O desemprego em Gaza já atingiu a faixa de 60% , que afeta principalmente aos jovens. Israel tem sugerido uma série de programas de apoio à população de Gaza  com a condição de que os restos mortais dos dois soldados caidos em Tzuk Eitan sejam devolvidos às famílias, bem como, os dois jovens com problemas de deficiência mental, que se presuma estejam vivos ( atravessaram a fronteira).

E assim vamos vivendo de conflito a conflito.
Por hoje é só

SHALOM ME ISRAEL

 

 

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