Quando a águia e a pomba se encontram

É incrível , mas volto a falar da visita de Netanyahu à Índia. Por que esta insistência?

Ainda não me acostumei com o fato de que um país que geograficamente é um sub continente  com uma população de 1,21 bilhões de pessoas, recepcione o primeiro ministro de um país minúsculo como Israel – 20.700 km quadrados – com uma população de 8,500 milhões de pessoas com a pompa, o luxo e o respeito, que Benjamin Netanyahu foi recebido.

Não me refiro à parte oficial da visita  com todo o protocolo luxuosísmo indú. Mesmo nas visitas particulares, como ao Taj Mahal, por exemplo, fecharam o famoso Mausoléu à visitação pública para que o casal Netanyahu, cercado de uma segurança excepcional, pudesse desfrutar de uma visita íntima orientada por especialistas locais.

O desfile das tropas de cavalaria foi uma espetáculo de rara beleza, que não se vê nos paises ocidentais.

Retratos enormes de Netanyahu com as palavras “bem-vindo” se viam por todos os trajetos percorridos. O primeiro ministro chegou a comentar sorrindo de alegria, que “nem em Israel viu tantos retratos seus nas ruas”.

Muitos acordos comerciais foram assinados, atendendo aos interesses dos dois paises, mas ficou muito claro que a India quer aprender muito de Israel, em tecnologia, aproveitamento e purificação de água, agricultura, sistema médico-social, segurança e outros campos de desenvolvimento humano. Ambos os paises lucrarão com a colaboração mútua.

Polìticamente, é possível que a aproximação entre os paises leve a uma melhor compreensão do problema israelo-palestino e consequentemente uma votação mais benéfica para Israel na ONU.

RELIGIÃO E POLÍTICA


Na minha modesta, mas convicta opinião, esta é a pior combinação no governo de um país, não importa qual, em todos.

Na sua longa história, o povo de Israel passou várias crises por divergências políticas e religiosas com trágicas consequências para a unidade do povo, entre as tribos, dentro delas, com outros povos e por fim, a destruição do primeiro e segundo templo, a diáspora com as grandes tragédias que o povo sofreu, como a Inquisição e o Holocausto.

Agora, 70 anos depois do renascimento de Israel como Estado independente, como uma nação entre todas as nações, a politicagem entre os partidos religiosos e os demais partidos, está causando um abismo entre dois segmentos da população judaica – os religiosos e os laicos (chilonim) – que poderá gerar um conflito social de grandes proporções.

Não que paire sobre nós algum perigo de sobrevivência, de forma alguma, mas uma verdadeira luta de classes, dividindo o país em dois “reinos”. Um absurdo.

Tudo consequência de política partidária, de força política nas mãos de uma minoria religiosa que funciona como fiel da balança que sustenta a coalizão.

Simplesmente extorsão.

O rompimento do status quo nas cidades cujas leis municipais permitem a abertura de determinados tipos de estabelecimentos comerciais aos sábados, as declarações de rabinos influentes como o rabino-chefe sefaradita Ytzhak Yosef, Shlomo Aviner e Shmuel Eliahu condenando o serviço militar de mulheres, incitando os jovens religiosos a desertar e para completar, exigindo a demissão do Chefe do Estado Maior, general Ayzenkot , levaram as divergências ao cume.

O ministro da Defesa, Avigdor Liberman declarou que estes tres rabinos não serão mais convidados para nenhuma cerimônia militar.

A prefeitura de Ashdot, cidade que tem uma grande maioria de população não religiosa, há duas semanas é palco de demonstrações populares contra o prefeito que, sem nenhuma explicação plausível, decidiu multar as lojas que há anos abrem suas portas aos sábados .

Ashdod , a 5ª maior cidade de Israel, com 230 mil habitantes dos quais 120 mil eleitores são laicos e 30 mil religiosos, se defronta, repentinamente, com uma crise que poderá mudar completamente o seu status de cidade liberal  com pluralismo cultural e praias repletas aos sábados com centros comerciais onde lojas, restaurantes e cinemas atraem milhares de habitantes e moradores de ishuvim próximos para se tornar uma cidade dominada pela minoria ortodoxa que vai ditar as normas de vida para a grande maioria da população.

Política suja, pura e simplesmente.

Em 2019 serão realizadas eleições municipais e o atual prefeito já está está fazendo a sua campanha eleitoral. Como não tem maioria para vencer, já está tecendo a malha da coalizão e 30 mil votos pesam na balança.

Há duas semanas que aos sábados, também em Ashdod o povo vai para a rua protestar, não só contra a corrupção mas também contra a coerção religiosa. A que ponto chegamos…

VICE PRESIDENTE AMERICANO VISITA ISRAEL


Mike Pence, vice presidente dos Estados Unidos, está de visita em Israel .

Antes de aterrissar em Israel, esteve no Egito e na Jordânia, onde foi recebido pelo presidente Al-Sissi e pelo rei Abdalla, respectivamente.

A Autoridade Palestina boicotou o ilustre visitante, que foi considerado “persona non grata” , de modo que Pence não pode visitar a Igreja da Natividade, em Belem, cuja santidade é muito importante para a sua crença: é evangelista convicto.

Em Israel chegou no final da tarde de domingo (21/1/18), no Air Force 2, do governo americano, acompanhado de uma grande comitiva.

Ontem, 2ª feira , escrevia estas linhas, após a sessão especial da Knesset em homenagem ao vice presidente, sua esposa Karen e os membros da comitiva.

Todo o corpo diplomático sediado em Israel , autoridades israelenses e as famílias dos soldados cujos corpos continuam nas mãos do Hamas, encheram o balcão destinado aos convidados.

O presidente Rivlin e sua esposa Nechama honraram o visitante com a sua presença e o presidente da Knesset, Yuli Edelshtein foi o anfitrião da cerimônia muito bem elaborada e deveras emocionante.

Confesso a minha fraqueza: mesmo depois de 46 anos de vida neste país, chorei de emoção, desde o momento que Pence começou o seu discurso, interrompido por uma manifestação dos deputados da Lista Unida Árabe, que ergueram cartazes com os dizeres “Jerusalem é a capital da Palestina” sob uma fotografia da mesquita El-Aksa sendo retirados pelos responsáveis pela manutenção da ordem no plenário  até o fim do seu discurso.

Confesso que a figura física de Pence, sério, seus cabelos brancos, seu olhar de águia e sua forma suave de falar mesmo palavras difíceis de ouvir, me impressionaram fortemente.

Nunca ouvi um discurso tão sionista, tão pró-judaico como o discurso de Pence, de todos que já ouvi de visitantes estrangeiros que discursaram em Israel. Palavras de um homem profundamente religioso, que acredita na história bíblica, no papel do povo judeu como povo eleito.

Fez algumas declarações que adoçaram os ouvidos israelenses: que a embaixada americana será transferida para Jerusalem em fins de 2019, que os Estados Unidos não permitirão que o Irã consiga armamento nuclear, mesmo que tenham que cancelar o acordo nuclear assinado e que o seu país tem um compromisso de zelar pela segurança de Israel. Melhor que isso, só o Messias! Netanyahu só não aplaudiu quando Pence afirmou que o seu país apoia a solução de dois estados para dois povos.

À noite foi recebido na residência oficial do primeiro ministro para uma jantar íntimo. Na 3ª feira   visitará o Yad Vashem e o Kotel. A Igreja do Santo Sepulcro, na zona oriental de Jerusalém, também foi excluida do programa.

Acredito que como bom cristão, deixará Israel com a frutração de não poder visitar lugares tão sagrados para o Cristianismo. Política palestina.

QUANTE VALE UMA FOTOGRAFIA?
Os leitores devem lembrar do incidente ocorrido na embaixada de Israel em Amã, Jordânia, no verão passado.

O agente de segurança da embaixada foi atacado por um cidadão jordaniano que veio à sua casa para fazer um trabalho de carpintaria e o golpeou de surpresa com uma chave de fenda.
O segurança, que por força da sua função anda armado, atirou ferindo gravemente o atacante e mais um desconhecido que o acompanhava.

Ambos morreram.

Depois foi esclarecida a presença do estranho. Era médico e proprietário da residência. Só não ficou explicada a sua presença no local.

Esta ocorrência trágica, tomou proporções perigosas e a embaixadora bem como todos os funcionários da embaixada tiveram que ser evacuados e a embaixada foi fechada.

O agente de segurança foi detido pela polícia local para interrogatório, mas foi enviado de volta para Israel até que fossem esclarecidos todos os aspectos do incidente.

De volta a Israel, o segurança foi recebido por Netanyahu no seu gabinete, sendo fotografado abraçando afetuosamente o suspeito pelo assassinato de dois cidadãos jordanianos, na área da embaixada de Israel em Amã.

Imaginem a repercussão deste “deslise” diplomático, pois alem de primeiro ministro, Netanyahu é tambem o ministro das Relações Exteriores.

A monarquia jordaniana é muito criticada pela maioria dos seus súditos por ter assinado o acordo de paz com Israel. Como a maioria do povo é de origem palestina (70%), Israel continua sendo um país inimigo.

Esta fotografia foi como uma bofetada no orgulho do rei Abdalla que não permitiu que a embaixadora retornasse à sua função nem que a embaixada fosse reaberta, além de exigir que fosse instaurado um inquérito policial contra o segurança.

Passaram mais de seis meses e na semana passada, a imprensa jordaniana publicou com muito destaque a notícia de que Israel havia apresentado uma moção de desculpa e arrependimento pelo trágico incidente e que pagou 5 milhões de dólares como indenização às famílias das vítimas.

Muito cara esta fotografia.

A mídia israelense noticiou que dentro de algumas semanas um novo embaixador (a) será enviado para reabrir a embaixada em Amã.

A mídia jordaniana ainda não noticiou.
Cada um publica o que quer. Liberdade de imprensa .

SHALOM ME ISRAEL

Um comentário

  1. Srul Wydra
    Srul Wydra 24 de Janeiro de 2018 at 23:51 |

    Acerca da Dra. Ruth Gotlib Pilderwasser me emocionou demais ter tomado conhecimento de parte de sua tão brilhante trajetória. Talvez você não se lembre de mim. Tivemos alguma convivência no final da década de 50, quando você, como médica diagnosticou uma hepatite em minha esposa (Shua) Lembra-se ?
    Anos depois, você já vivendo Nathania fizemos questão, eu e minha esposa de fazer uma visita ao casal, visita essa que nos muito emocionou. Tive também nos
    anos 60/70 algum contato comercial com David seu marido, de quem guardo muito boas lembranças. Por meio de 3ºs. acompanhei + ou – de longe seu percurso. Hoje, depois de me transferir em definitivo para Teresópolis onde fiquei viúvo, tive a alegria de encontrar estas observações acerca de sua vida. Abraços.

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