Quem dá mais?

Quem dá mais por mansão em Mangaratiba? Muitos metros de corrupção, e também tem a opção de mero lazer semanal. Para não perder a função, jantares com amigos poderosos que lhe deem a sua porção em negócios escusos que esvaziem o país – ou apenas o Estado que governa sem pudor e roubando da maneira mais infeliz.

Quem dá mais por tudo que Cabral roubou? Motos, carros, lanchas, tudo que obteve com dinheiro sujo, volte inteiro para o povo de quem tirou. Mais as contas no exterior, e as joias que a mulher escolheu com insano furor. Que a cadeia lhes seja morada prolongada, e de bens lhes reste o que havia no começo da enorme ladroada: o apê suburbano e mais nada.

Quem dá mais por um sistema penal disfuncional? Um sistema que é contra o parlatório com vidro entre preso e advogado, telefone em cada lado e tudo sendo gravado. Não pode; conversa entre criminoso de dentro e (de fora, desculpe o ato falho) advogado é sagrado. Democracia exige o respeito ao direito do criminoso, o povo brasileiro que aguente e deixe de ser manhoso. Em países civilizados se pratica o parlatório envidraçado, mas isso é problema deles, no mínimo engraçado. Delação premiada só vale quando incrimina o inimigo; não agrada ao corrupto o fogo amigo.

Quem dá mais por um beijo falso de Gilmar Mendes? Ecoa o monte das Oliveiras e o abraço de rameiras. O Supremo não merece tamanho descaramento; é preciso mudar dos ministros a postura e o pensamento. 80% dos brasileiros aprovam a Lava-Jato e quer de novo Justiça e comida no prato. Quer pensar que em 2018, nenhum voto afoito trará no segundo turno Lula e Bolsonaro. Que não nos engane o faro!

Quem dá mais por uma guerra anunciada entre um Trump aloprado e o coreano mimado? Quem permite que se portem feito crianças homens cujas lanças de hidrogênio podem o mundo derrubar em um golpe de azar?

Quem dá mais por uma juventude alienada que se recusa a amadurecer e a enfrentar a idade da razão? Só aos 40 a enfrentarão?

Quem dá mais?

Quem dá mais por uma cidade que já foi maravilhosa, capital de um país outrora genial, mas que a pena de um presidente pé de valsa fez dançar todos os cariocas? Levou para longe o prestígio, deixou-nos com a violência em aberto litígio. Quem dá mais por vaidades narcisas, maldades e cobiça sem freio e sem rateio. Para eles, tudo; para o povo, nada. E fica por isso mesmo? E não mais nos rebelamos? Não nos indignamos diante de tanta guerra civil? Que gente vil nos governa que não enxerga nem ama nossas crianças e idosos? Que gente venal faz tanto mal a nossos jovens, negando-lhes a educação que a Carta Magna lhes dá por direito? O Brasil tem jeito?

Quem dá mais por um general que ameaça, sim, dar um jeito em toda a corrupção que assola o país? Um jeito que o exército conhece e quem viveu os anos sessenta a oitenta não esquece. Porque a democracia conquistada só pode ser continuada se nela incluirmos Educação e responsabilidade. Fora de uma e outra, não há possibilidade. O general falou para grupo de maçom, mas o disse em alto e bom som. E aí a gente se pergunta: para um país ainda jovem, imaturo, mas tão rico em potencial, se houver quem desfaça os nós dos papéis embrulhados do lote ofertado, que lance se dará para o consertar e fazer lucrar com justiça e igualdade? Para um país do qual possamos de novo nos ufanar, quem dá mais?

P.S. ‘A Tosca’, no Municipal, belíssima em cenário, figurinos, vozes, foi um momento de pura civilidade nesta cidade já sem liberdade. ‘João, o Maestro’, um filme de música maior, a vida de João Carlos Martins, que esteve no lugar errado por duas vezes, mas usou sua dor para superar-se e ajudar a salvar meninos através da música. Outra sugestão: além de ‘Crime e Castigo’, de Dostoievsky, as prisões deviam ter música clássica ambiente. Música clássica faz bem ao espírito. E nas celas há tantos deles no escuro.

E li na rede social que há uma tribo onde quem pratica um ato errado é colocado no centro de uma roda e toda a aldeia se coloca em volta repetindo os atos bons por ele cometidos, a fim de que o malvado se cure através de boas memórias e expurgue o malfeitor que nele existe -. Imagino a prática se exercida em Brasília, na Papuda ou no Congresso- ou onde quer que haja um possesso. Quem sobraria para rodear o centro onde estaria o malfeitor? Não sei a resposta, mas pode ser feito um leilão e encontrar um comprador habilidoso que tenha a solução e salve esses cínicos, safados, corruptos de seu próprio veneno. E então, quem dá mais?

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