Rabin flutua sobre Israel

Durante toda a semana até o sábado, 4/11/2017, dia da realização da manifestação pública de recordação ao assassinato de Rabin e das suas realizações em vida, em benefício do Estado e do povo de Israel, Rabin esteve presente no dia a dia da vida do país.

Os programas de rádio,  TV e as páginas dos jornais estavam impregnados, saturados de notícias, histórias, crônicas, entrevistas, colunas, com algum aspecto da vida tão rica de acontecimentos como foi a de Rabin.

As cerimônias oficiais foram realizadas no dia de recordação ao Primeiro Ministro Ytzhak Rabin, de acordo com o calendário judaico, “Yud Beit be Heshvan”, que este ano coincidiu com o dia 1º de novembro  e foram iniciadas às 12 horas na residência do presidente Reuven Rivlin  com a presença de deputados ,juizes do Supremo Tribunal, a família de Rabin e estudantes.

Às 15 horas  foi realizado no Har Hertzl, na área destinada aos filhos importantes da nação, a cerimônia (Hazkará) mais importante do dia, diante do túmulo de Ytzhak Rabin com a presença do presidente Rivlin, o primeiro ministro Netanyahu, o vice-presidente da Knesset, Chilik Bar, a presidente do Supremo Tribunal, juiza Esther Haiut, a família Rabin e altas autoridades do país.

O rabino-chefe da Tzavá, Eial Krim, leu um capítulo dos Tehilim, o filho de Rabin, Yuval rezou o Kadish e o chazan da Tzavá fez a prece “Al Male Rachamim”.

O primeiro ministro Natanyahu e Yuval Rabin discursaram, jovens dos Movimentos Juvenis leram três textos relativos à data e a cantora Rony Dalomi contribuiu com a sua bela voz no encerramento da cerimônia.

Às 17 horas teve início na Knesset, a sessão plenária especial, em memória de Rabin com um minuto de silêncio, seguido dos discursos do vice-presidente da Knesset, que substitui o presidente Yuli Edelstein, em visita de trabalho no exterior, do primeiro ministro Netanyahu e do líder da oposição, Ytzhak Hertzog .

Além das cerimônias oficiais  foram realizadas em todo o país, eventos em memória de Rabin.
Até agora, informação didática, mas não posso deixar de comentar os discursos de Netanyahu e, pricipalmente, de Yuval Rabin, além de algumas “perólas” despejadas nas palavras do ministro da Educação, Naftali Benet, em entrevista radiofônica.

O discurso de Yuval Rabin foi o ponto alto de todas as homenagens oficiais. Em geral, Yuval é muito moderado nas suas declarações públicas, mas desta vez, a sua crítica a Netanyahu foi cortante, merecida.

Lembrou o que Netanyahu e seus párceres querem que o povo esqueça,
o incitamento , o atiçamento dos ânimos contra Rabin pessoalmente, não contra o governo. “O mecanismo de incitamento e divisão usado contra Rabin, continua nos agredindo até hoje.  Quem pensa diferente é catalogado como traidor. Rabin não foi mimado pelo Supremo Tribunal nem pelas organizações extra-parlamentares bem patrocinadas, não foi protegido pela mídia mas nem por isso incentivou leis para protegê-lo, não agiu contra os direitos democráticos dos seus opositores, não calou as bocas, não fugiu da responsabilidade e nem ficou se lamentando.”

Cada sentença cai como uma luva sobre Netanyahu e seu governo.

Lamento não publicar todo o discurso, por falta de espaço, mas este foi o melhor discurso pronunciado no momento atual, que descreve com exatidão a crise de valores que Israel está atravessando.

À medida que os anos passam e se prolonga a permanência da direita no governo, aumenta a ousadia dos seus políticos em tentar dissimular a diferença entre assassinato e morte, diminuir a importância histórica de um assassinato político.

Historiadores, filósofos, professores de jurisprudência, escritores, ex-políticos e ex-ministros, foram entrevistados em todos os canais da TV, estações de rádio e na imprensa escrita, protestando unanimemente contra esta distorção histórica.

Em entrevista na Galei Tzahal, a estação de rádio da Tzava, o ministro da educação, Benet, assim se expressou para explicar o assassinato de Rabin, ultrapassando todos os limites da falta de honestidade política e histórica: citação em tradução direta “um indivíduo que discordou com as ideias dele (Rabin), atirou nele para neutralizar estas ideias” ?!?!?! Isto significa dar legitimidade ao assassinato político.

Se um cidadão discorda das ideias do chefe de Estado, tem o direito de matá-lo? O que causa revolta no seio dos cidadãos normativos é a facilidade com que se usam inverdades e inclusive apagam da memória do povo, aspectos importantíssimos ligados ao tempo que precedeu o assassinato, quando rabinos do segmento sionismo religioso, apoiaram e incentivaram a violência contra Rabin, aceitando a sentença judaica – Din Rodef – perseguido, permissão de matar.

Esqueceram que o assassino, Ygal Amir, como praticante religioso sionista, não tomaria esta decisão sem permissão dos rabinos e foi o que ele declarou quando foi interrogado. Existem vídeos que provam estas afirmações. Benet não sabe?

A manifestação de sábado, apesar do público presente, 85 mil, foi boicotada por muitos que não aceitaram os termos dos organizadores em buscar um denominador comum que pudesse unir todas as correntes políticas, religiosas, enfim, apagar o crime e neutralizar “a linha política em prol da Paz”.

Não valeu o esforço. Lamentável.

A EBULIÇÃO NO ORIENTE MÉDIO CONTINUA
O túnel bombardeado pela aviação israelense continua no foco do noticiário, mesmo depois de uma semana.

A G’ihad Islâmica, solicitou a intervenção da Cruz Vermelha Internacional para que Israel permita que retire corpos de terroristas que provàvelmente foram soterrados pela explosão.

O pedido foi entregue oficialmente às autoridades israelenses relevantes que debateram o assunto e responderam que só concederiam a permissão se o Hamas devolvesse os restos mortais dos dois soldados caidos na guerra Tzuk Eitan, que até hoje não foram devolvidos às famílias apesar dos inúmeros apelos à Cruz Vermelha internacional. Israel exige também o retorno de dois civis aprisionados em Gaza.

A resposta foi negativa. Duas organizações muçulmanas deram entrada a uma apelação junto ao Supremo Tribunal de Israel. Na 2ª feira, Israel respondeu definitivamente aos terroristas, que não há o que procurar no túnel. Haviam cinco corpos que foram retirados e que só serão devolvidos como troca.

As famílias dos “shaidim” –heróis- declararam que não querem que os corpos dos seus mortos sejam “negociados” com Israel. Que sejam enterrados na sua pátria, a Palestina.

A guerra na Síria possívelmente está nos seus últimos estertores, mas as lutas internas entre os opositores ao governo Assad e grupos terroristas independentes, se aproximam da fronteira de Israel, na região do Golan, causando situações de tensão como ocorreu na última 6ª feira.

Os drusos são minorias em Israel e na Síria  e em outros paises, mas onde quer que estejam são fiéis ao país onde vivem e extremamente solidários com o que acontece com seus irmãos alem da fronteira.

De cada lado da linha divisória entre o Golan sírio e o Golan israelense , existem aldeias drusas onde vivem famílias que foram divididas pela linha de fronteira.

Os drusos de Israel definem a sua ligação com o país como “Aliança de Sangue”, pois seus jovens lutam no exército de Israel e a sua fidelidade nunca foi posta em dúvida.

Por outro lado, Israel tem o compromisso de ajudar e defender, se necessário, os drusos que estão no outro lado da fronteira, numa aldeia, Hader, que foi atacada na 6ª feira por terroristas do grupo J’habat-el-Musra, deixando um saldo de 18 mortos.

Os drusos de Israel cobraram o compromisso e as autoridades militares israelenses declararam que naõ permitiriam que esta organização terrorista ou outras, ocupassem ou atacassem a aldeia.

Israel não tem nenhum interesse estratégico na Síria e não interviu na guerra que já está durando 6 anos , mas deixou claro que ataque ou ocupação de Hader , seria ultrapassar a linha vermelha da contenção israelense , pois significa trazer as disputas bélicas internas da Síria à sua fronteira.

Os entendidos na matéria dizem que durante a guerra síria , se sabia quem lutava contra quem mas que agora, todos lutam contra todos , não só na Síria , como em todo o Oriente Médio.

Para dar continuidade ao conflito, no sábado, o primeiro ministro libanes, Said-el- Hariri ,fugiu para a Arábia Saudita, alegando que o Irã e Hisbolla estão ameaçando a sua vida. Pediu demissão do cargo.
Seu pai, Rafik-el-Hariri, foi assassinado em 2005, quando era primeiro ministro. Este é o quadro do novo Oriente Médio: o eixo Irã, Hezbollah e Síria criando situações de incerteza com um grande potencial de crise regional.

Said –el-Hariri declarou em Riad, Arábia Saudita, que o Irã domina a Síria, o Iraque e o Yemen e agora colocou as mãos no Líbano.

O presidente do Líbano, Michel Aoun, não acredita nas explicações de Hariri, pois acredita que tudo é uma trama da Arábia Saudita para enfraquecer o poder do Hesbollah e criar razões para uma conflito com o Irã, o inimigo imperdoável.

Muito complicado o Oriente Médio e o pior, nenhuma destas hipóteses é boa para Israel.

VISITA DE SARA E BENJAMIN NETANYAHU EM LONDRES


À propósito da comemoração do centenário da Declaração Balfour, o primeiro ministro israelense foi convidado para a cerimônia pela primeira ministra Thereza May  com quem se encontrou na 5ª feira.

Selo comemorativo da Declaração de Balfour

O assunto da conversa, não foi exatamente o Lord Balfour e sim, o acordo nuclear com o Irã, que tem sido o tema permanente de Netanyahu em todos os encontros com líderes internacionais.

Diante da oposição que tem recebido, desceu do ápice das exigências e concorda em fazer modificações no acordo e não anulação, como preferia.

Enquanto May e Netanyahu falavam sobre paz, milhares de pro palestinos protestavam nas ruas de Londres contra Israel.

Durante a permanência em Londres, o primeiro ministro  foi recebido pela comunidade judaica da cidade.

Aliás, não informei na semana passada, que o serviço filatélico do Correio de Israel, lançou um selo comemorativo ao evento. Muito bonito por sinal. Os colecionadores já podem comprar.

AS MANCHETES EM ISRAEL
A mídia israelense no domingo e na 2ª feira só fala em dois assuntos: as investigações sobre o escândalo dos submarinos, que estavam um pouco adormecidas e de repente despertaram com a convocação de dois advogados muito próximos de Netanyahu, David Shimron (primo de Netanyahu) e o segundo, cuja identidade não foi revelada, para prestar depoimento na unidade 443 da Polícia.

Durante dois dias foram interrogados durante 14, 15 horas em cada dia. O segundo tema é a corrida na apresentação de leis que protejam Netanyahu da possibilidade de ser interrogado, leis que cortem as asas da Polícia, impedindo que depois das investigações apresente conclusões à Promotoria e outras leis que calem a boca dos “guardas da justiça” .

Dois deputados do Likud, Amsalem e Bitan ( líder da coalizão na Knesset ) estão liderando a corrida das leis Bibi -1 e Bibi-2 , apesar da oposição do Conselheiro Jurídico do Governo , Mandelblit , e do Promotor Geral , Shai Nitzan.

Netanyahu para conservar a sua cadeira , necessita de uma equipe de advogados , relações públicas , jornalistas afiliados etc, que trabalhem 48 horas por dia , teclando no Facebook, Twitter e outras tecnologias para enganar os trouxas. Não está fácil este governo.

RIVLIN E NECHAMA EM VISITA OFICIAL A ESPANHA
O presidente Rivlin e sua esposa Nechama foram recebidos com altas honrarias pelo Rei da Espanha, que quer demonstrar atenção a Israel, quando no seu pais o antissemitismo aumenta.

Rivlin foi recebido pela comunidade judaica de Madrid, onde teve oportunidade de expressar a sua preocupação com o antissemitismo local, mas incentivando à liderança judaica a não se render.

Fim.

SHALOM ME ISRAEL

 

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