‘Recebe o afeto que se encerra em nosso peito’

Veio-me à lembrança, em meio à tanta baixaria política, a época dos anos de escola pública  que frequentei. O uniforme muito cuidado, formávamos as filas diante da diretora antes de marcharmos em direção às salas de aula.

Cada efeméride era comemorada com orgulho, e cantávamos cheios de energia. Digamos que fosse o dia 19 de novembro, comemorando a bandeira, hoje tão ultrajada por nossos políticos. Enchíamos o peito e entoávamos, diante da refência do professor de canto orfeônico:

Salve lindo pendão da esperança!
Salve símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.

A bandeira era o símbolo maior, de paz, presença nobre que simbolizava a grandeza da pátria. Hoje, nossos políticos a enxovalharam, rasgaram-na e fizeram em pedaços, queimaram e fornicaram sobre seus restos. É preciso expurgar estes que enlameiam o país, pois só assim teremos a bandeira renascida, fênix, para encantar, mais uma vez, os jovens brasileiros.

Recebe o afeto que se encerra
em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Em nossa inocência, nós a encerrávamos em nosso peito juvenil, pois ela representava a amada terra pátria. Em nossos dias sombrios, a bandeira jaz enterrada no lugar mais abjeto, imundo e imoral de nossos governantes. Só a reconquistaremos se lavarmos a terra com dignidade, e esta apenas será alcançada após nos livrarmos ds que a conspurcam com desenfreada, mesquinha e infinita ambição. Ignoram os ignóbeis que a única ambiçlão perdoada é a da Educação e da Cultura verdadeira, que melhora os homens e os aproxma do diviino.

Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.

Teu seio formoso retrata um céu de puro azul, do verde a fartar que há em nossas mata, a beleza do Cruzeiro do Sul, uma cruz de estrelas sobre nossas cabeças. Se tudo a nosso redor é tão rico e pujante, que bestas diabólicas forjararam estes seres podres e egoístas que ganharam o poder de nos governar e lançaram o país nas profundezas do desgoverno total?

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

O refrão de novo nos embalava a voz. E seguíamos, impetuosos:

Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever,
E o Brasil por seus filhos amado,
poderoso e feliz há de ser!

Ao olhá-la, compreendíamos que lhe devíamos amor e dever, que devia ser por nós amada, e assim espelhar um país poderoso e feliz. Com que olhar tão estrangeiro a enxergaram estes párias brasileiros, ainda que aqui gerados, que afastaram-se tanto de seu dever para com a pátria e os brasileiros, comportanado-se como os mais baixos mercenários? Como a odiaram e tornaram tão infeliz e enfraquecida, levando para outros países suas riquezas roubadas de seus concidadãos?

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

O refrão nos lembrava nosso amor à bandeira. Lembra ainda hoje.

Sobre a imensa Nação Brasileira,
Nos momentos de festa ou de dor,
Paira sempre sagrada bandeira
Pavilhão da justiça e do amor!

A bandeira nos será sempre sagrada, e a honraremos para sempre, pois é o pavilhão de justiça e do amor. Nossos governantes e seus comparsas empresários a desonraram cruelmente. Mancharam a Justiça aliados a um STF que se diminuiu diante de sua função maior, trocada pelo ar falastrão e a vaidade. O amor do povo não terão os que se comportam distantes da dignidade e da verdade. E o refrão nos lembrava nosso dever. E deixou saudade da escola pública que se respeitava e aos brasileiros que o entoavam. Recebe o afeto…

Para compensar a vergonhosa semana que tivemos (mais uma) em que nem os mortos foram respeitados em seu descanso eterno, lembro que há uma peça dirigida pelo Gilberto Gawronski, cujo trabalho sempre merece atenção. Unindo dois trechos de Tchekov e o talento de duas ótimas atrizes e um ator, a peça diverte, interage com a plateia, emociona e transforma uma hora e dez minutos numa pequena joia teatral. Está no Midrash, às quintas-feiras, às 20 horas. Ainda há duas chances de assistir a mais um belo texto  de dramaturgia, e esquecer, por uns bons minutos, a lama que invadiu o país.

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