“Rejuvelhecer: a saúde como prioridade”

Regina Casé foi prestigiar Sergio Abramoff na noite de autógrafos do livro “Rejuvelhecer: a saúde como prioridade” , na Livraria Travessa.

De acordo com o IBGE, a média de vida de um cidadão brasileiro é de 72,7 anos e independente das condições sociais, os habitos alimentares e a prática de exercicios podem influenciar, signficativamente, nessa estatística, bem como, alterar a qualidade de vida na terceira idade.

“Envelhecer faz parte da vida, mas manter a vitalidade não é tarefa simples: dois terços da população mundial desenvolvem, com o passar dos anos, pelo menos duas doenças crônicas, tornando-se frágeis, dependentes ou socialmente isolados. Mas essa estatística  pode ser revertida”, afirma Sergio Abramoff, especializado em medicina preventiva.

Abramoff que acaba de lançar o livro “Rejuvelhecer: a saúde como prioridade” , explica na entrevista a seguir os riscos que a idade promove em nosso organismo, apontando posturas capazes de diminuir ou adiar significativamente o impacto de males comuns do envelhecimento. Vamos lá?

. O livro Rejuvelhecer é resultado de sua experiência profissional ao longo dos anos?

-Trabalho no consultório diariamente como Clinico Geral, com ênfase na Medicina Preventiva. O que observo é que de maneira geral as pessoas não colocam sua saúde como uma prioridade, o que faz com que as doenças crônicas e evitáveis sejam tão prevalentes. Os números são alarmantes. Cerca de 70% da população é portadora de duas doenças crônicas passíveis de serem evitadas.

É importante ressaltar que hoje em dia os cuidados preventivos evitam 80% dos casos de diabetes, infarto e AVC, responsáveis por enormes restrições à medida que avançamos em idade.

Seja por medo ou preguiça de fazer os exames, seja por desinformação quanto às chances reais de adoecer e suas consequências, é infelizmente significativo o percentual de pacientes que acompanho com um acúmulo de doenças e medicamentos que poderiam ter sido totalmente evitados.

A verdade é que se não acharmos tempo para cuidar de nossa saúde, certamente o acharemos em caso de doenças.

.O que o leitor vai encontrar no seu livro?

– O livro  pretende levar o leitor a uma reflexão que permita um reposicionamento quanto a falhas em seu estilo de vida e as mudanças que, certamente, trarão grande benefício futuro à sua qualidade de vida.

Não podemos esquecer que estamos vivendo em média mais 30 anos do que as gerações passadas, e que quantidade sem qualidade pode se tornar um castigo, e não um prêmio.

. Você diz que podemos evitar doenças, a partir de um tratamento, até os últimos 30 anos de vida. Mas se uma pessoa com 70 anos ou mais, quiser seguir essas recomendações, ainda terá tempo para corrigir seus hábitos?

-Na verdade, as doenças crônicas podem ser evitadas, prioritariamente, com mudanças no estilo de vida: dieta saudável com ênfase em peixe, legumes, verduras e frutas. Exercícios aeróbicos para condicionamento cardiovascular e exercícios de força para combate à fragilidade e osteoporose. Controle de pressão, glicose e colesterol. Controle do stress, abstinência do fumo e álcool com moderação. Quanto mais cedo a aderência a estes fatores protetores, maior o benefício. Embora estes controles sejam amplamente divulgados, dificilmente, vemos um bom resultado na prática clínica. No livro discutimos a razão do fracasso recorrente.

. O Alzheimer é uma doença ainda sem cura e muito comum na terceira idade. Existe algum tratamento eficaz para prevenir essa doença?

-Estou recém-chegado de um congresso internacional sobre a doença de Alzheimer, e os progressos na compreensão da doença foram fantásticos. Já conhecemos quase todos os processos bioquímicos, mecanismos inflamatórios e imunológicos desencadeantes da doença, e já dispomos, a nível de pesquisa, de exames que apontam fatores de risco e alta probabilidade de desenvolver a doença até 20 anos antes dos primeiros sinais clínicos de perda de memória. Algumas medidas quanto ao estilo de vida são importantes no retardamento da doença, e minha opinião é que no prazo máximo de 5 anos já vamos dispor de remédios que interrompam a evolução da doença.

. Muitas pessoas associam o cuidado com a saúde como algo difícil ou chato de seguir, pois segundo o dito popular, “tudo que é bom, engorda ou faz mal a saúde”. Dá para cuidar da saúde, saindo, de vez em quando, do politicamente correto?

-Cuidar da saúde pode ser difícil ou chato, mas posso garantir a você que cuidar de doenças é muito mais difícil e penoso. Cerca de 40% das pessoas vão ter que enfrentar um infarto ou AVC. O câncer, que também acomete 40% das pessoas, tem o prognóstico bastante reservado quanto mais tarde fazemos o diagnóstico. A fragilidade e a doença de Alzheimer acometem até 50% dos idosos. Porque fechar os olhos a esta alta probabilidade sabendo que podemos reduzir drasticamente esta chance? Os trabalhos mostram uma média de mais dez anos de vida saudável apenas aderindo aos cuidados mencionados, além de uma qualidade de vida muito melhor. Sair ocasionalmente do politicamente correto, por exemplo em uma viagem ou um dia especial não é nenhum problema, o bom senso nos diz que não devemos ser extremados em quase nada na vida.

. Como, uma pessoa que tem problemas de saúde genético, como o colesterol, por exemplo, pode se prevenir?

-Muito boa pergunta. Hoje sabemos que o colesterol da dieta não é tão importante quanto o colesterol endógeno, de caráter genético. É necessário o uso continuado de medicação para que sejam evitados os danos às artérias. Por outro lado, a herança genética é responsável apenas por 30% das mortes prematuras, enquanto o estilo de vida é responsável por 40% das mortes!

. Muitas novidades surgiram nos últimos tempos, como usar óleo de coco, ser vegetariano, vegano ou comer alimentos orgânicos. Essas mudanças na alimentação melhoram de fato a saúde das pessoas ou é só mais uma tática para vender produtos?

-Parece que o pior na dieta são os carbohidratos (açúcares). O melhor, como já dissemos, é uma dieta tipo mediterrânea. Orgânicos, a princípio, contem menos pesticidas, muitos deles com potencial carcinogênico.

. Sabemos que o exercício físico é muito bom para evitar diversas doenças, mas muitas pessoas não conseguem seguir essa pratica diariamente. Existe alguma dica para esse perfil de paciente?

-Acredito que se estiverem bem informados dos benefícios da atividade física dificilmente deixarão de se exercitar: o câncer de mama e próstata, e a doença de Alzheimer têm redução de cerca de 30%, e o infarto do miocárdio e o AVC de 40%. O que são 30 minutos de caminhada diária frente a isso?

. Ter um bom médico, uma boa dieta alimentar e praticar esportes está relacionado ao poder aquisitivo ou pode ser adotado também por pessoas com menos condições financeiras?

-Pode certamente ser adotado por pessoas de qualquer poder aquisitivo. Interessante que os cuidados médicos são responsáveis por apenas 10% das mortes prematuras, e a caminhada é gratuita. A obesidade, infelizmente atinge de forma indiscriminada todas as camadas da população.
Devemos, infelizmente, excluir dessas considerações as 800.000.000 (oitocentas milhões) de pessoas que neste momento passam fome no mundo.

.Estresse e depressão são doenças frequentes no nosso dia a dia. Para isso, existe também formas de prevenção?

-Sim, mas é um tema mais extenso, e de complexa abordagem. Ocupa dois capítulos do livro. Devem, no entanto, ser o mais precocemente reconhecidos, e a procura de auxílio não deve ser adiada pelos estigmas que habitualmente acompanham as doenças mentais.

2 Comentários

  1. solange palatnik
    solange palatnik 14 de novembro de 2017 at 19:32 |

    Ótima matéria Denise,
    O Dr. Abramoff é um grande médico, é muito importante prevenir.

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  2. Alberto Chinicz
    Alberto Chinicz 15 de novembro de 2017 at 2:46 |

    “dieta saudável com ênfase em peixe, legumes, verduras e frutas. Exercícios aeróbicos para condicionamento cardiovascular e exercícios de força para combate à fragilidade e osteoporose. Controle de pressão, glicose e colesterol. Controle do stress, abstinência do fumo e álcool com moderação. ”
    A piada é velha mas pertinente: com tantas restrições/preocupações, vai sobrar tempo para viver ou vai morrer saudável?

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