Selichot


Ufa! Chegamos em “Elul”, que é o último mês do calendário judaico. É tempo de reflexão. É a época de se dizer, na sinagoga, “Selichot”, isto é, pedir desculpas pelos nossos pecadilhos.

E vai ter gente, que vai ter muito do que se arrepender. São aquelas que usam e abusam do livre arbítrio. Principalmente pessoas, que afogadas no próprio fracasso, só são movidas por motivações nada nobres, para prejudicarem os outros e, se possível, a sua própria comunidade.

A política do quanto pior melhor é insana. Por mais que eles se esforcem para tal acontecer, inflando situações, que poderiam ser contornadas pelo bom senso, em âmbito restrito, são obrigados a assistir o sucesso dos que trabalham, que pensam no coletivo, tendo por objetivo o bem comum.

Os nossos sábios nos ensinam que as boas ações atraem o bem viver. Que a conquista do poder é, também, questão de merecimento. A liderança é uma construção. A busca do consenso é uma necessidade. A arte do diálogo tem que ser permanentemente tecida. A divisão não interessa a ninguém.

Tomara que o “pintalé” (restinho) de judeu, que se encontra adormecido no recôndito de suas almas, ao escutar o “shofar”, que tem por função despertar as consciências, consiga alterar o rumo de suas ações.

Como dizia a minha avó, a esperança é a última que morre. Todos vão ganhar, os próprios, deixando de pensar de forma egoísta, e a sociedade, em geral.

Sociedade que, de vez em quando, é atraída pela idolatria aos ídolos de pés de barro, trocando a educação de nossas crianças, impregnada de valores judaicos, por outra comandada por um fundo de investimento.  Tal atitude pode até garantir algum êxito a curto prazo., pois vai ao encontro da demanda do mercado.  Mas quando se pensa em continuidade de uma história de mais de cinco mil anos, percebe-se a estreiteza dos nossos horizontes, o pragmatismo levado ao extremo.

Que as nossas escolas, que são excelentes, tanto que tiveram seus alunos classificados nos primeiros lugares, nos processos de seleção da escola alvo dos desejos de alguns pais, continuem cumprindo o seu papel na construção da identidade judaica. Que sigam trabalhando o humanismo e a cultura, formando cidadãos críticos e conscientes, e não somente poliglotas, fazedores de provas.

Vamos valorizar a nossa originalidade, atingir os nossos objetivos, formar o ser humano na sua integralidade.Tentar melhorar sempre, sem abrir mão das nossas tradições, em função da novidade em outro contexto.

Quem viu a luta das crianças judias, pela sobrevivência, nos filmes sobre histórias de sobreviventes do Holocausto, que estão passando na nossa cidade, vai concordar comigo.

Que as nossas preces de “Selichot” nos transformem em pessoas melhores, mais solidárias e mais unidas.

2 Comentários

  1. Suzana Grinspan
    Suzana Grinspan 22 de agosto de 2017 at 8:24 |

    SARITA!!!!!COMO SEMPRE EXCELENTE!!!!TOMARA D-S CONSIGA ABRIR A CABEÇA DESTAS PESSOAS QUE SENDO DO MAL ATRAPALHAM A VIDA DE NOSSA COMUNIDADE ,INSUFLANDO NOSSOS JOVENS (DOR A HEMCHER)A TER MAIS DIVERGENCIAS.
    QUE ELUL NOS TRAGA MUITAS OPRTUNIDADES DE REFLEXÂO.
    ASHE KOACH Á VOÇE!!!!

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  2. Gilda Zukin
    Gilda Zukin 22 de agosto de 2017 at 19:11 |

    Muito pertinente, principalmente nos cometarios sobre as wescolas judaicas!

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