Sonia Delaunay, uma artista à frente do seu tempo

Sarah Ilinitchna Stern nasceu em Hradyzk, Ucrânia, em 14 de novembro de 1885. Ainda criança mudou-se para São Petersburgo, sendo adotada pelo tio, Henry Terk, um influente advogado judeu. Os Terk introduziram a pequena Sarah no mundo das artes.

Aos 18 anos, a jovem mudou-se para a Alemanha e ingressou na “Academia de Belas Artes”, em Karisruhe, onde permaneceu até o ano de 1905, quando decidiu fixar residência em Paris. Lá, ingressou na “Academie de La Palette”, e seus primeiros trabalhos sofreram grande influência dos pintores pós-impressionistas Van Gogh, Henri Rousseau, Gauguin e dos fauvistas Derain e Matisse.

Em 1908, Sarah casou-se com o negociante de artes Wilhelm Uhde. Foi um casamento de conveniência e de interesse mútuo, já que ela visava sua independência financeira e Uhde desejava esconder sua homossexualidade.

No ano seguinte ela conheceu o artista plástico Robert Delaunay, e logo se tornaram amantes. Essa intensa parceria culminou com o casamento deles em 1911. Sarah tornou-se então Sonia Delaunay. “Em Robert Delaunay eu encontrei um poeta”, contou a artista. “Um poeta que não escrevia com palavras, mas com cores”.

Quando nasceu seu filho, Sonia confeccionou uma colcha com retalhos em patchwork inspirada naquelas que via na casa dos camponeses ucranianos. Esse trabalho encontra-se exposto no “Museu de Arte Moderna”, em Paris. A colcha evocou no casal conceitos do cubismo que foram aplicados em outros objetos e pinturas.

Sonia e seu marido Robert Delaunay são considerados expoentes do “cubismo lírico”, chamado de Orfismo, um movimento que surgiu em 1912 e cunhado a partir do mito grego de Orfeu, o poeta cantor que busca formas puras da música. Esse grupo de pintores se afastava cada vez mais do cubismo e aproximava- se da abstração. Os orfistas consideravam a cor a principal forma de expressão artística.

Sonia Delaunay incursionou pelas diversas possibilidades criativas, desenvolvendo figurinos e cenários para filmes e espetáculos, dentre eles o balé russo “Cleópatra”, com a direção de Sergei Diaghilev e cenários de Robert Delaunay.

Entre as décadas de 1910 e início de 1920, Sonia fundou em Madri seu próprio ateliê de decoração e alta costura: a “Casa Sonia”. Em 1924, já de volta a Paris, firmou parceria com o costureiro Jacques Heim. Suas estampas geométricas tornavam as mulheres obras de arte e conseguiram atrair clientes de renome, como as atrizes Glória Swanson e Lucienne Bogaert e damas de alta sociedade, como Gabrielle Dorziat e Nancy Cunard.

Sonia Delaunay foi a primeira artista a receber uma retrospectiva no Museu do Louvre, ainda em vida.

A artista faleceu em 1979, aos 94 anos, e tinha como lema: “Cor é a pele do mundo. Aquele que sabe apreciar as relações de cor, a influência de uma cor sobre a outra, seus contrastes e dissonâncias, possui uma visão infinitamente diversa.”

Sonia Delaunay – uma artista que inventou um futuro

 

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