Tempestade de vento no Oriente Médio

Alguns comentaristas catalogaram como terremoto, eu não quero dar uma manchete tão ameaçadora porque as coisas neste território mudam depressa. Se  piorar, mudo a manchete.

Na  2ª feira, 5/6/2017 , uma série de paises árabes sob a iniciativa da Arábia Saudita e Egito, romperam as relações diplomáticas com o Emirato de Qatar, o país  mais rico do mundo.

A razão, o jogo ambivalente do governo de Qatar no mundo árabe muçulmano. De um lado, Qatar apoia o governo Assad na Síria, financia o terror radical muçulmano – Hesbollah, Fraternidade Muçulmana, Hamas e outros  e por outro lado, quer participar com os demais paises do golfo pérsico, na frente estratégica sugerida pelo presidente Trump.

Outra razão importante, a colaboração íntima com o Irã, inimigo crucial da Arábia Saudita.  Arábia Saudita, Bachrein, Iemen, Egito, a União dos Principados e as Ilhas Maldívias, suspenderam também as relações terrestres, marítimas e aéreas com Qatar, dificultando muito a importação e exportação, principalmente o fornecimento de produtos alimentícios.

É na realidade um cerco econômico.

Na mesma inicitativa, os sauditas ordenaram à direção de Al’ Jezzira, a estação de TV de Qatar, que fechasse seus escritórios e evacuassem seus funcionários e jornalistas.

Para Israel, representa uma mudança sensível na estratégia geopolítica na região. De repente, estamos juntos com estes países árabes diante de  inimigos comuns – o terror islamita e o Irã.

Simultaneamente, Trump e Putin, pressionam Qatar  que  atua por baixo dos bastidores a favor dos movimentos terroristas, que se alie aos demais paises da região, suspendendo a manutenção financeira do radicalismo islâmico.

Em consequência destes acontecimentos, boatos começam a correr, principalmente depois de uma  entrevista com o ministro da defesa de Israel, Avigdor Liberman, que deixou uma pista,  de que os paises do golfo pérsico, estão debatendo a possibilidade de um acordo de relações comerciais, projetos de desenvolvimento tecnológico com Israel, independentemente, da solução do problema com os palestinos.

Seria um grande passo desvincular os paises árabes moderados do conflito israelo-palestino. Interessante notar como os interesses passam por cima das evidências: os Estados Unidos  mantem no Qatar,  a sua maior base militar no Oriente Médio, mas isso não impede que venda bilhões de dólares em armas para a Arábia Saudita e pressione Qatar a colaborar com os sauditas.

Aliás, por falar em bilhões, a mídia americana nega que Trump tenha efetuado na verdade, venda, e sim assinou com o rei Salman um “memorando de concordância” de efetuar a transação.

Estou mais tranquila…

A UNRWA E OS TÚNEIS ESCAVADOS EM GAZA
Um dia a verdade vence: funcionários da UNRWA – Agência  das Nações Unidas de Assistência aso Refugiados  Palestinos – mantem escolas, ambulatórios e outros órgãos de ajuda humanitária em Gaza.

Há poucos dias, quando eram feitos consertos em duas escolas, descobriram túneis escavados sob a área das escolas.

Espanto!

Israel já forneceu mapas aos funcionários da ONU, mostrando que os hospitais, escolas e outros prédios da ONU, servem de abrigo para terroristas, arsenal de armas, plataformas de lançamento de foguetes e tambem saida de túneis.

Há anos que Israel apresenta provas e os funcionários da ONU se recusam a ver. Desta vez, eles próprios  viram. Qual foi a pena? Repreensão. O Hamas nega, incrível!

SE AS MULHERES GOVERNASSEM O MUNDO


Aconteceu em Jerusalém, no hospital Hadassa Ein Karem, na 6ª feira. Um casal de palestinos  com um bebê de alguns meses, foram feridos num acidente de tráfego. O pai morreu no local, a mãe e a criança foram transportados com urgência para o pronto–socorro do hospital.

A mãe chegou inconsciente com muitos ferimentos, o bebê, embora ferido, apresentava sinais positivos de sobrevivência e foi atendido no pronto socorrro infantil e a mãe no de adultos.

Uma das enfermeiras que estava de plantão, trabalhou na equipe que tratava da mãe, cujo estado requeria cuidados imediatos. A família foi avisada e veio acudir, principalmente o bebê que chorava muito, não só pelos ferimentos mas também por se encontrar num local estranho e com pessoas estranhas.

A enfermeira que atendia a mãe, ouviu o choro da criança e foi averiguar se poderia ajudar. Apesar dos fios e tubos aos quais estava ligado,  estava com fome e segundo os parentes que acudiram,  acostumado somente com aleitamento materno e recusava todas as tentativas de receber leite em mamadeira.

A enfermeira disse que poderia amamentá-lo, se a família não objetasse. Não houve objeção e a enfermeira tomou o bebê nos seus braços, Yamen virou a a cabeça e a fitou nos olhos, entreabriu os lábios e procurou. Ela levantou a blusa do uniforme e se ligaram.
A enfermeira, Ola, 34, mãe de 3 filhos,  ainda amamenta o filho menor, apesar de já ter completado mais de 1 ano .

A preocupação foi o que fazer quando Ola terminasse o plantão. Não houve problema, na Internet  atua um grupo de mulheres que amamentam, e em 2 horas , já havia recebido mais de 1 mil “likes”. As mães judias vieram amamentar o bebê palestino, de Hevron, sem pestanejar.

FEIRA ANUAL DE LIVROS


Diz-se que o povo judeu é  “o Povo do Livro ” e como tal, incentiva a leitura atraves de bibliotecas públicas e das feiras anuais, realizadas na 1ª semana de junho.

Esta é a 56ª Feira do Livro  em Israel e pela primeira vez foi introduzida uma inovação, em Jerusalem: feira de livros internacionais lado a lado com livros em hebraico.

Para atrair as crianças, organiza-se no local apresentações teatrais, ” o cantinho” para ouvir estórias  como também as oficinas para criação artística.

Neste ano, já foram publicados 7.300 livros, bastante quando se leva em conta a população deste pequeno país: 89% em hebraico e 3% em árabe.

PARADA GAY EM TEL AVIV
A tradicional Parada Gay de Tel Aviv, foi realizada na 6ª feira, com muita música, alegria e muitas placas de apoio e protesto.

Participaram do desfile  200 mil pessoas , a maior parada de todos os tempos em Tel Aviv, que atraiu 30 mil turistas, que não se espantaram com o calor intenso .

NIKKI HALEY EM ISRAEL
A embaixadora permanente dos Estados Unidos na ONU, Nikki Halay, está visitando Israel, sendo recebida com muito carinho e atenção por todas as autoridades israelenses.

Desde que foi designada para a função , tem atuado em defesa de Israel , nas diferentes comissões da ONU nas quais funciona o “voto automático” contra Israel.

Fez questão de visitar todos os locais de conflito com os palestinos ,  inclusive um túnel escavado pelo Hammass ,ao lado do kibutz Ein Hashlosha, por onde sairam terroristas que atacaram o kibutz na última ação militar,  Tzuk Eitan.

Sobrevoou em helicóptero, a região sul de Israel, junto à fronteira com Gaza, para compreender a complexidade da proximidade de Israel com organizações terroristas.

Visitou também a fronteira norte acompanhada pelo comandante da região norte, general Aviv Kochavi do exército israelense , onde se encontrou com o comandante das fôrças da ONU –UNIFIL,  Michael Berry  ,sediada na área.

Durante o encontro, houve uma discordância entre os dois militares com relação ao desempenho  da Unifil, que fiscaliza as fronteiras entre Israel,  Síria e Líbano sem dar a devida atenção a  atuação do Hisbolla na região.

Halay ouviu do comandante das  forças da UNIFIL , que a situação na fronteira norte está tranquila  e o general Kochavi retrucou, dizendo, “sinto muito, mas nós pensamos diferente. A Unifil não entra  nas aldeias e cidades do Hesbbollah para fiscalizar o rearmamento.”

A visita da embaixadora Halay tem uma importância ponderável na decisão do seu país que tenciona diminuir a contribuição financeira para a manutenção da fôrça da ONU .

PROBLEMAS DA DEMOCRACIA
O partido Habait Hayhudi , ex- Mafdal, que representa o judaismo nacional sionista (mitnachalim), tem apenas 8 deputados na Knesset mas 3 ministros na coalizão governamental. Nada proporcional.

Seus ministros, Benet–educação, Ayala Shaked –justiça  e Ariel- agricultura, têm muita força política no gabinete, não apenas pela importância dos ministérios, como também pela disputa eleitoral com o Likud .

Os três tem uma agenda política voltada para enfatizar a característica judaica de Israel mesmo com alguns arranhões na face democrática do país.

A  ministra da Justiça tem como meta mudar o perfil do Supremo Tribunal  atraves da mudança do sistema de escolha de novos juizes, que no seu entender, não devem ser liberais sob o aspecto religioso e político.

Uri Ariel, ministro da agricultura, transformou o seu ministério em agência de novos estabelecimentos na Judeia e Samaria, e Benet, na educação, também está modificando o ensino público em Israel, introduzindo mais religião, mesmo nas escolas não religiosas.

O último ato do ministro foi “encomendar” um Código de Ética para as Universidades de Israel redigido pelo professor Assa  Kasher, que foi o autor do Código de Ética da Tzavah.

O professor Kasher, emérito, é sem sombra de dúvidas, uma autoridade no assunto, mas o que é certo para o exército, que é uma organização onde a disciplina e o respeito hierárquico estão em primeiro lugar, não é apropriado para a liberdade de pensamento e expressão que  vigoram nas discussões acadêmicas.

Reitores, professores, em todas as universidades protestaram contra o que é considerado censura acadêmica. O professor, filósofo e historiador Yuval Noah Harari, um dos mais famosos intelectuais israelenses, como no mundo acadêmico, expressou sua indignação declarando que “se este Código for aprovado, eu o violarei em cada aula”.

A aprovação depende da Comissão de Ensino Superior, cujo presidente é o ministro da Educação, Naftali Benet.
Todas as pessoas de bom senso, da direita ou esquerda, querem acreditar que a Comissão não aprovará o Código.
Amén!

ESPORTES
Gostaria de terminar com alguma notícia mais alegre. Falar de futebol. Mas não tenho boas novidades. Israel está disputando um lugar nas preliminares da Copa, como sempre, junto com os times europeus  e foi sorteado para jogar na casa 7, composta pela Espanha, Itália, Albânia, Macedônia, Lichtenstein.

Teoricamente, não seria impossível se classificar entre os 4 primeiros times, pois a Albânia, Lichtenstein e Macedônia, não são muito melhores que Israel.

Mas no domingo Israel decepcionou jogando em casa contra a Albânia, perdeu de 3X0 ! Foi um vexame!
A seleção saiu de campo sob vaias retumbantes. Espero contar coisas melhores na próxima rodada.

SHALOM ME ISRAEL

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