Tô fora!!!

Os Tucanos já não me representam. E olha que aderi ao PSDB desde a sua fundação, que ocorreu pouco antes da aprovação da Constituição Cidadã. Larguei o partido do Doutor Ulisses, em busca de uma proposta mais moderna de social democracia. O partido que, na época, se apresentou como “longe das benesses do poder e perto dos anseios das ruas”. Cheguei a votar no Mário Covas para presidente. Grande quadro do partido. Mas o povo preferiu o Fernando Collor.

Os tucanos já nasceram em cima do muro. Diante dos acontecimentos políticos, ao longo de sua história, são sempre os últimos a definirem que rumo tomar. Mesmo quando alcançaram o poder, através das urnas, no governo FHC, não conseguiram conviver com o o sucesso do Plano Real. Como que envergonhados com a linha neoliberal adotada, entregaram, de mão beijada, as chaves do Planalto para o PT. E deu no que deu.

Quando o tema corrupção entrou na ordem do dia, no nosso país, e lá se vai muito tempo, os esquemas que foram sendo revelados passavam, em sua esmagadora maioria, pelos caciques do PT, do PP e do PMDB. Nessa altura, torcia muito para que as delações não atingissem os políticos do meu partido favorito.

Qual não foi o meu espanto, quando a plumagem tucana começou a aparecer no cenário dos malfeitos de Brasília. A primeira decepção teve nome e sobrenome: José Serra. Meu candidato nas duas campanhas eleitorais, em que ele participou.

Agora, o partido anda às voltas com as falcatruas do seu presidente. Como uma turma de amadores, escolheu a proteção a um integrante ilustre do seu ninho, e mandou às favas os seus princípios de ética e comprometimento com o interesse público.

Até a sua nova estrela, de nome João Doria Júnior, que poderia seguir o exemplo do francês Macron, abandonando os políticos velhos e carcomidos, acabou se revelando mais um Trump, com a sua visão distorcida de poder. Que oportunidade perdida!

A única voz Tucana, lúcida, no momento, do alto dos seus oitenta e seis anos, se chama Fernando Henrique Cardoso, que prega o abandono do barco Temer, para atravessar a nado a pinguela, para encontrar, do outro lado, as eleições diretas, como saída para a crise brasileira.

Mas, como dizia o udenista Magalhães Pinto, a “Política é como nuvem. Você olha, e ela está de um jeito. Olha de novo, e ela já mudou”. Pode ser que quando esse texto for lido, nada mais estará como antes. A minha única certeza é a de que não vou mais tucanar.

2 Comentários

  1. Suzana Grinspan
    Suzana Grinspan 20 de junho de 2017 at 23:13 |

    SARITA!!!COMO SEMPRE FALOU E DISSE!!!!!TRADUZINDO O PENSAMENTO DE UMA GRANDE PARCELA DO POVO<MAS QUE NÃO TEM CORAGEM DE FALAR!!!!!! PARABENS!!!!!

    Responda este comentário
  2. Marcia braiman
    Marcia braiman 25 de junho de 2017 at 13:59 |

    Sarita, gosto muito de ler o que você escreve e ouvir o que você diz. Sempre equilibrada, oferece uma visão muito lúcida dos acontecimentos sôbre os quais discorre.

    Responda este comentário

Comente