Um dia de paz, ó corruptos políticos!

Político é bicho lobo, sem noção. Ou o governador Pezão, que nada faz além de se cuidar muito e nada de seu povo, agora tem a cara de pau de alugar helicópteros para se locomover com maior velocidade pela cidade. Vergonha! Estultice! Aberração! Seu antecessor está na prisão, de onde se espera não sairá nunca mais, e Pezão comprova o que há muito já se sabia. Não serve para governar, não serve ao povo, deve pedir para sair. Ou ser saído. E já que se fala em reformas na política, é preciso deixar claro que: política não é emprego, é vocação e cargo temporário; sobretudo, com obrigação de exoneração imediata, diante de incapacidade explicita. Como in casu.

Falando em ‘sem noção’, as coincidências falam por si: Lula e Temer pediram a suspeição do juiz Moro para julgá-los. Ambas foram negadas. Al Capone pensava ser impossível ser apanhado pela lei, mas foi agarrado, todos sabemos como. Palestras? Pensões milionárias? Não sabe quanto ganha num mês? Aos culpados, a lei. E por falar em lei e ética, o que foi a visita da futura substituta de Janot ao Jaburu tarde da noite e fora da agenda? Temer quis provar que é comum receber altas horas em sua casa? Fora da agenda? Para tratar da festa da posse da sra. Dodge? E ela ia visitar o ministro Gilmar Mendes, mas desistiu na última hora? Quanta atitude antirrepublicana. Que baixaria! Que país se tornou este? O que fizeram do Brasil que Anísio Teixeira, por exemplo, sonhou? Ou Paulo Freire? Quem ousa destruir este eterno jovem e perdulário gigante continental?

Ouvi um brasilianista falar que há 20 anos vive no Brasil e estuda nosso país. Viu mudanças em alguns campos, mas nossa política, afirmou ele, em português claro, segue a mesma bagunça de sempre. What a mess! What a mess! Não somos um país sério, definiu De Gaulle. Lula viu 300 bandidos no Congresso. Eram bem mais do que isso, ele incluído. Até quando? Quousque tandem?

Aécio Neves quer que seu caso seja redistribuído para o Ministro Gilmar Mendes. O Jurídico a serviço dos crimes? A julgar pelas visitas de Gilmar ao Jaburu, também em horas obscuras, faz todo o sentido. Mas não passarão, não passarão.

Nem é necessário dizer que a prisão domiciliar do médico estuprador condenado a 180 anos é mais um acinte. Mais um dentre tantos. A liberdade de José Dirceu, o amigo de vinho de Lewandowski, que ele soltou sem remorso e sem pedir sua suspeição. Onde existe, negam-se a vê-la. Um acinte- entre tantos outros.

Almoços palacianos para acertos tortos, jantares de gala para decidir propinas. Sempre, é claro, com o dinheiro do contribuinte. O povo brasileiro é estuprado a cada dia, por políticos e poderosos. E não me venham falar do apoio do PT a Nicolás Maduro feito pela investigada Gleisi Hoffmann numa reunião do partido. Que outra coisa esperar de quem almeja dividir o país para melhor manipulá-lo? Dividir enfraquece, alguns ainda não perceberam. A única resposta possível é educação de qualidade. Só ela abolirá escravos do analfabetismo e da indignidade que leva à destruição.

O jurista Modesto Carvalhosa tem uma lucidez para observar os fatos que é de realmente impressionar. Do alto de seus 85 anos, este homem de fala firme deseja se candidatar à Presidência do país. Será ele nosso Lúcio Cincinnato? Cincinato, é bom lembrar, foi considerado pelos romanos um herói e modelo de virtude e simplicidade. Fora designado pelo Senado para

apaziguar uma contenda a respeito de certa lei; cumprida tal tarefa, retornou de imediato à sua vida pastoril e se negou a candidatar-se no ano seguinte. Levava a mesma vida simples quando houve o avanço de tribos bárbaras, gerando terror e agitação em Roma. O nome de Cincinato foi então novamente sugerido para a salvação da cidade, com poderes absoluto. Solucionado o conflito, Cincinato renunciou ao cargo e mais uma vez retornou à vida de antes. Não é estranho, pois, que seja tido como um exemplo de liderança excepcional, de serviço ao bem maior, intensa virtude cívica, falta de ambição pessoal e modéstia.

Qualquer semelhança entre o Brasil de hoje e a Roma antiga NÃO É mera coincidência. Os políticos do país moderno são bárbaraos, selvagens sem noção que, em estado de êxtase alucinado roubam, saqueiam e geram terror por todo o país. Colam-se em cargos giratórios e cadeiras políticas, aí se agarrando por toda uma vida, até a morte, se possível, sem NADA fazerem pelo povo que os elegeu (sem saber votar, decerto), ao qual juraram (em falso) defender e ajudar a ter vida digna. Ao contrário, seus crimes sem fim acabam sendo pagos pelo povo, em forma de impostos vis e insegurança ilimitada. Assim, quando Modesto Carvalhosa se candidata, quem sabe não estará aí a resposta que o país busca? O Lúcio Cincinnato necessário para o momento? Não sei, mas pressinto que as eleiões de 2018 serão mais fáceis. Basta fazer uma lista dos nomes que não apareceram em nenhuma investigação judicial até a data. Serão poucos, bem poucos.

Ah, homens que governam no escuro medonho de suas ambições desenfreadas! Quando nos deixarão viver um dia de paz, sem medo de arir jornais? Um dia em que nenhum político seja preso na própria teia, nenhum prefeito levado para a cadeia, nenhuma mala suspeita fuja afobada numa viatura apressada? É nosso direito, direito constitucional, afinal.Um dia de paz, nada demais, um dia para gozarmos de paz, um dia sem andar para trás.

Um comentário

  1. Ester Kosovski
    Ester Kosovski 16 de agosto de 2017 at 12:42 |

    Miriam Halfim cada vez melhor. Observadora sagaz , cítica lúcida que se expressa com clareza e pertinência sobre a realidade nossa. Cumprimentos afetuosos

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