Uma estrela decadente

Ainda bem que muitos já desencarnaram. Partiram dessa para melhor. Ainda bem, que enquanto intelectuais, perceberam, em tempo, o desvirtuamento da estrela, que ostentaram com orgulho na década de oitenta.

Da utopia por um país melhor e mais justo, para a realidade avassaladora da conquista do poder, a qualquer custo, por meio de alianças espúrias com o empresariado estatal e privado, fez com que pudesse ser separado o joio do trigo, em termos de ética e de idealismo.

Uma estrela, que representava uma legenda barulhenta, que, a princípio, conquistou corações e mentes de jovens e velhos esquerdistas, de filiados de sindicatos e da massa de nordestinos, que se identificava com o seu dirigente maior foi sendo arrebatada por mãos, que fazem do ativismo nos movimentos sociais, o seu ganha pão.

Triste se constatar que, nos dias de hoje, essa estrela, que teve Leandro Konder e Antônio Cândido, no ato de sua fundação, tenha Gleisi Hoffmann e Lindbergh Farias, dois acusados de malfeitos, como os seus principais porta vozes. E defendendo o quê? A desobediência civil contra as injustiças sociais?  Não, advogando o não cumprimento da lei, no caso da condenação de um cidadão, ex-presidente, que se considera acima de todas as instituições.

Em seu rumo decadente, de vermelha a estrela já deve estar roxa de vergonha. Os princípios éticos, desde sempre valorizados, nos discursos, foram logo para as calendas na esteira das mortes ligadas ao caso Celso Daniel. Foi emblemática a sua ocorrência bem no ninho dos petistas, ainda em fase de crescimento.

Foi sintomática, na ocasião, a debandada de políticos, como Cristovam Buarque e Fernando Gabeira, desse universo promíscuo e corrupto, abraçado por essa estrela.

Para quem, como eu, que preza a democracia e a representatividade pluripartidária, é deprimente assistir ao derretimento de um modo de pensar o Brasil, no âmbito político. Mesmo que, por questão ideológica, nunca tenha votado nos candidatos petistas, apreciava o entusiasmo de sua militância.

Na verdade, nunca nutri muita admiração pelo líder, que a estrela projetou. Nem pelas suas bravatas, em nome de sua corte de sanguessugas.

Hoje, o rei está nu. Tomara que os tribunais superiores não lhe emprestem algum manto, capaz de desviar o rumo, já delineado, de sua estrela decadente.

O Brasil vai sair mais forte dessa tormenta. É só mais uma de sua história recente. Que as urnas, afinal, deixem de dar razão a Pelé, e, finalmente, demonstrem que o brasileiro aprendeu a votar.

 

Essa colunista pede desculpas por ter omitido o nome do excelente Hospital Israelita Albert Sabin, como a casa de saúde que cuidou da Dona Maria Yefremov.

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